Porque Santa Catarina é diferente

Indicadores econômicos acima da média, produção diversificada, resistência no mercado de trabalho e articulação entre empresários, classe política e sociedade civil ajudam a explicar o Estado

Quando o país está crescendo Santa Catarina acompanha o bom desempenho do país, mas é na crise que o Estado se revela ainda mais diferenciado. Com uma economia diversificada e com clusters fortes nas diferentes regiões de seu território, o Estado sofre menos com as turbulências dos mercados nacional e internacional. Esta fortaleza catarinense foi celebrada ontem na Fiesc no evento do Grupo RIC SC que contou com uma audiência altamente qualificada de lideranças empresariais e políticas do Estado.

Além da economia diversificada, que ajuda a enfrentar as crises, o Estado tem alguns dos melhores indicadores de distribuição de renda, desenvolvimento humano e educação do país, além de contar com acesso asfaltado a todas as 295 cidades de seu território e uma infraestrutura portuária diferenciada. Entre os anos de 2010 e de 2013 Santa Catarina registrou crescimento do PIB de 9%, quase empatado com a média do país, de 9,1%. 

Os últimos indicadores do IBGE sobre as três principais atividades econômicas em 2015 mostram que Santa Catarina sofreu uma retração menor no comércio (-3,1% em SC, -4,3% no país), nos serviços (-3,5% e -3,6%, na mesma comparação) e na indústria (-7,9% e -8,3%). 

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Mais que a média

Em 2013, segundo o IBGE, a variação real do PIB de Santa Catarina foi de 3,6%, acima da média do país para aquele ano, que foi de 3%. Divulgado sempre com dois anos de diferença, o PIB do Estado deve ser maior que a média nacional novamente em 2014 e 2015.

Menos desemprego

Depois de liderar a geração de emprego no Brasil em 2014, no ano passado Santa Catarina teve o oitavo pior desempenho do país. Nenhum ente da federação escapou em 2015 dos números negativos – em todos os Estados e no Distrito Federal houve redução de postos de trabalho. Santa Catarina foi melhor em 2015 que São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Neste início de ano, em janeiro, Santa Catarina foi o segundo Estado que mais gerou empregos no país – atrás apenas do Rio Grande Sul. 

Conjunto da obra

O presidente do Conselho do Grupo Marisol, Vicente Donini, e o diretor presidente da Marisol, Giuliano Donini, pai e filho, elogiaram as qualidades de Santa Catarina no evento de ontem, mas chamaram a atenção para pontos que o Estado pode melhorar. “No conjunto da obra Santa Catarina caminha bem, mas o Estado pode avançar na oferta de melhores condições para o desenvolvimento econômico. E isso tem um nome: infraestrutura”, comentou Vicente Donini. Para Giuliano, o governo estadual e os municipais podem avançar na direção de uma gestão mais eficiente e na desburocratização.

Daniel Queiroz/ND

O presidente do Conselho do Grupo Marisol, Vicente Donini, e o filho dele, Giuliano Donini, diretor presidente da Marisol, prestigiaram o evento do Grupo RIC SC na Fiesc

Três crises

Na avaliação de Vicente Donini, nunca na história deste país o Brasil viveu, simultaneamente, três crises simultâneas como agora: a crise ética, política e econômica. “Se as dificuldades fossem só econômicas, nós saberíamos como superar (a crise). Mas vivemos um ambiente político da mais alta gravidade, com falta de respeito aos princípios mais elementares da ética”, criticou. Para o empresário, Santa Catarina não está e não ficará ilhada neste cenário. “Precisamos acordar para a gravidade da situação e fazer encaminhamentos transformadores”, sugeriu.

Nova postura

A história e a cultura de Santa Catarina fazem diferença para o Estado em relação ao país, na visão do empresário Giuliano Donini. “Nosso perfil conseguiu organizar a sociedade como um todo, envolvendo as classes empresariais, políticas e a sociedade em geral com engajamento em todas as suas esferas e capacidade de articulação maior que a média”, considera. Mas o diretor presidente da Marisol considera que os governos estadual e dos municípios tem agora uma oportunidade de fazer melhor. “Em um ambiente desgastado como esse, o que a gente mais precisa é de flexibilidade e de agilidade. O Estado deve ter a capacidade de reagir a um ambiente econômico diferente”, defende.

Mídia regional

O presidente executivo do Grupo RIC SC, Marcello Petrelli, começou o evento na Fiesc ontem destacando outro ponto que tem ajudado Santa Catarina a ser um Estado diferenciado no país: a mídia regional. Com empresários do setor inseridos em suas comunidades, a mídia regional acaba desempenhando um papel agregador e motivador. O evento de ontem foi mais um exemplo disso. “A mídia deve estar à favor de mudanças que sejam positivas e deve pressionar para a realização destas mudanças”, defendeu.

Mais enxuto

Sob o comando de Manoel Zaroni Torres, a catarinense Engie Tractebel Energia registrou lucro líquido recorde e melhora em sete de seus 10 principais indicadores em 2015. O diretor presidente da Tractebel comentou ontem, no evento do Grupo RIC na Fiesc, que Santa Catarina cresceu muito pela diversidade de sua população e indústria, pela interiorização do desenvolvimento e pela pujança do empresariado. Mas defendeu que a administração pública poderia ser mais enxuta. “Algumas atividades que o Estado desenvolve poderiam ser privatizadas”, sugeriu. 

Daniel Queiroz/ND

O diretor presidente da catarinense Engie Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres, defendeu um Estado mais enxuto 
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