Reajuste de 8% põe fim à greve na Tupy

Ganho real negociado pelos trabalhadores ficou em 3%

Rogerio da Silva/ND

80% dos trabalhadores aprovaram o fim da paralisação na Tupy

Após 36 horas parados em frente à Tupy, os funcionários da empresa decidiram retornar ao trabalho na terça-feira (10/4), aceitando a nova proposta de 8% de reajuste salarial e abono de R$ 500, que será pago junto com o PRT (Programa de Resultados Tupy), na próxima semana. O resultado significa um ganho real em torno de 3%. A oferta da empresa ficou até superior à aceita para a categoria dos metalúrgicos, que foi de 7%. O piso salarial avançou de R$ 750 para R$ 831 para a categoria, mas a Tupy já paga salários maiores, em média de R$ 1.200.

Além do reajuste e do abono, a Tupy também aceitou o pedido de estender a licença maternidade de quatro para seis meses e a renovação da convenção coletiva. A empresa se propôs ainda a descontar somente metade dos dias parados e manter os empregos de todos os envolvidos no movimento. A última greve enfrentada pela Tupy foi há 16 anos, em 1996.

A assembleia, que contou com mais de 6.000 dos 8.500 funcionários da empresa, terminou perto das 16h e teve aprovação de mais de 80% dos presentes. Como a Tupy havia conquistado uma liminar na terça-feira (10/4) que impedia o movimento grevista de chegar a menos de 100 metros da empresa, caso a greve continuasse, os trabalhadores seriam obrigados a se reunir em outro local, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador que descumprisse a norma.

A greve começou na madrugada de segunda-feira (9/4) porque os trabalhadores pediam reajuste de 10,5% e piso salarial de R$ 900, enquanto os patrões ofereceram reajuste de 6% e piso de R$ 792. A categoria pedia ainda renovação da convenção coletiva, ampliação da licença maternidade para seis meses, auxílio creche, folga durante o Carnaval e melhores condições de trabalho.  

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville, Genivaldo Marcos Ferreira, apesar de alguns itens não terem sido atendidos, houve um grande avanço para os trabalhadores, tanto da Tupy quanto da categoria. “Tivemos uma conquista nunca vista antes. Foi mais de 3% de ganho real”, avalia. “Começar uma greve é fácil. Sair dela com vitória é que é difícil e os trabalhadores da Tupy conseguiram isso”, considera Genivaldo.

Outras duas categorias em estado de greve

Assim como os metalúrgicos que estavam em estado de greve antes de decretar o início da paralisação, há outras duas categorias da cidade na mesma condição: a dos plásticos e a dos mecânicos. Para ambas, a data base é 1º abril e por isso os acordos já estão atrasados.

Essas duas categorias decidiram decretar o estado de greve, quando existe a iminência de paralisação a qualquer momento, depois que as negociações com os sindicatos patronais não avançaram.

A categoria dos plásticos, que representa cerca de 35 mil trabalhadores, está aguardando o fechamento do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que pode ocorrer ainda nesta semana, para receber uma nova proposta do sindicato patronal. A proposta de 6% foi recusada pelos trabalhadores.

Os mecânicos terão uma reunião na sexta-feira (13/4) com o sindicato patronal para negociar a pauta de reivindicações. A categoria pede 10% de aumento salarial e um piso único de R$ 950, além de outros pontos.

Formada por cerca de 20 mil trabalhadores, a classe dos mecânicos terá uma assembleia geral no dia 21 de abril, 9h, na sede central da entidade, na rua Luiz Niemeyer, no Centro. O objetivo será votar a possível proposta dos patrões. Entre as grandes categorias de Joinville, ainda estão pendentes os acordo dos trabalhadores da construção civil e dos comerciários, que têm data base no dia 1º de maio.

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