Setor têxtil deve demitir 10 mil pessoas por causa do coronavírus no Vale do Itajaí

Estimativa é do Sintex, que prevê mudanças no consumo diante da pandemia, o que vai frustrar o faturamento das empresas

A pandemia do novo coronavírus deve deixar 10 mil trabalhadores do setor têxtil desempregos no Vale do Itajaí. A estimativa é do Sintex (Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau).

Segundo o presidente da entidade, José Altino Comper, ao menos 60% dessas pessoas já foram desligadas das empresas onde trabalhavam. O restante deve ter o contrato rescindido com ao longo dos próximos meses.

É que agora as empresas vão usar as medidas do governo, que permitem suspensão de contratos e redução salarial temporária, a Medida Provisória  936. Mas depois terão de demitir, pois o mercado não será mais o mesmo.

Queda no consumo

Na visão do presidente do Sintex, as prioridades de consumo das pessoas serão outras com o avançar da pandemia, já que não só os empresários serão afetados, e a industria têxtil vai sentir o impacto por um longo período.

“Sendo otimista, a queda deve ser de 20% em relação às previsões para 2020, quando se estimava crescimento entre 5 e 10%”, afirma José Altino. Nessa lógica, se as vendas caem, o número de funcionários para produção também diminui.

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A área têxtil é responsável por 57 mil empregos no Vale do Itajaí e são as pequenas facções que devem sentir mais o impacto. Os motivos, de acordo com o presidente do Sintex, são dois:

“Elas atendem grandes redes e essas estão nos shoppings, que ficaram mais de um mês de portas fechadas. Quem tinha clientes mais pulverizados, se saiu melhor. Outra questão é que não têm muito capital de giro”, pontua.

Não há fórmula para superar a crise, na avaliação de Comper. Para ele, as medidas adotadas pelo governo Federal ajudam, mas não resolvem.

“É momento de prejuízo para todos. Se for socializado, a saída é mais rápida. Se o funcionário tiver de pagar essa conta sozinho, ele vai consumir mesmo. Se o empresário pagar toda a conta, ele vai demitir mais e, consequentemente, também reduzir mais o consumo”, avalia o presidente do Sintex.

Sindicato tem tentado acordos coletivos

O Sintrafite (Sindicato dos trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Blumenau) ainda não tem um levantamento sobre o total de demissões efetivadas na região desde o início da pandemia.

Entretanto, a presidente da entidade, Vivian Kreutzfeld, afirma que têm sido firmados muitos acordos coletivos com empresas de todos os portes na tentativa de manter os empregos e os salários integrais. Confira:

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