Moacir Pereira

moacir.pereira@ndmais.com.br Notícias, comentários e análises sobre política, economia, arte e cultura de Santa Catarina com o melhor comentarista politico de Santa Catarina. Fundador do Curso de Jornalismo da UFSC. Integrante da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, é autor de 53 livros publicados.


A emocionante despedida do Professor Cesar Luiz Pasold

Solenidade na Funerária Recanto da Paz teve a presença de várias autoridades, incluindo o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador João Henrique Blasi, advogados,professores.

A cerimônia de despedida do professor Cesar Luiz Pasold teve momentos de muita emoção.  Primeiro, palavras de conforto aos familiares e amigos do padre Vilmar Vicente, que também mantinha relacionamento fraterno com o falecido mestre. Seguiu-se manifestação de um dos três netos. E, finalmente,  as palavras do teólogo Jessé Simão,  mestre de cerimônias da Funerária Recanto da Paz.

Várias homenagens prestadas ao falecidp Professor Cesar Pasold – Foto: NDMaisVárias homenagens prestadas ao falecidp Professor Cesar Pasold – Foto: NDMais

Seu texto constitui merecida homenagem ao advogado, professor e escritor Cesar Pasold, e resultou de diálogos do orador com familiares do falecido.  Mereceu elogios de familiares e amigos presentes.

Disse, então:

“Extraordinário é aquilo que vai além do ordinário, além do comum. É a qualidade das coisas que não acontecem sempre, nem se encontram facilmente. Para os pesquisadores, extraordinário é aquilo que está fora da curva normal, que excede os padrões. O comum, por sua vez, é corriqueiro. E é interessante notar que nós esperamos que o que é comum continue acontecendo, e dessa forma podemos fazer planos.

Há pessoas comuns, e há pessoas extraordinárias. Todas elas tem o seu valor. Nós costumamos desejar aquilo que é comum, mas somos marcados pelo extraordinário. É por isso que estamos aqui hoje, por que experimentamos o extraordinário em nosso cotidiano, através da presença marcante de alguém que trouxe vida aos nossos dias cinzentos. Alguém que merece destaque, e é digno da nossa mais sincera gratidão.

CESAR LUIZ PASOLD, 76 anos, professor, escritor e advogado. Casado Rosângela durante cinco anos. Deixa os filhos Andrea, Cesar Junior e Ralf. Deixa os netos Artur, Maria Luiza e João Pedro.

Calmo, fazia amizade fácil, extrovertido no desempenho da profissão, um pouco mais acanhado fora da sala de aula. Dono de uma presença marcante, onde chegava, transformava o ambiente. Um homem sério, dedicado aos estudos.

Homem de poucos, mas sinceros e verdadeiros amigos, como o Fernando Mello, seu melhor amigo, com quem cultivou uma amizade de mais de sessenta anos!  Adorava uma boa conversa, visitar os mais próximos, encontra-los no shopping para um bom café.

Deixa um legado importante em várias instituições ligadas ao ensino e ao direito. Foi professor do Colégio Catarinense, da UFSC, da Univali, também Diretor da Escola Superior de Advocacia da OAB. Foi um dos grandes responsáveis pela retomada de atividades do Instituto dos Advogados de Santa Catarina, o IASC. Foi Fundador da Academia Catarinense de Letras Jurídicas, a ACALERJ. Membro de várias academias de letras, entre elas as de Imbituba, Biguaçu, Palhoça, bem como a Academia de Letras Maçônicas. Estruturou o Mestrado e Doutorado em Ciências Jurídicas na UNIVALI. Foi escritor de inúmeros livros na área jurídica e também biografias. Professor e orientador de ,literalmente, milhares de pessoas.

Filho único, perdeu o pai aos 16 anos. Sabendo da importância da paternidade, foi extremamente carinhoso e presente como pai, como avô, estendendo esse mesmo amor aos agregados da família. Embora tenha uma carreira extensa e árdua no direito, jamais precisou abrir mão da família em prol do trabalho. A bem da verdade, nunca houve uma disputa de espaço entre esses dois mundos, pois ele conciliou ambos perfeita e harmonicamente, dando a cada um seu devido lugar e valor.

Ao mesmo tempo, esses dois mundos eram fluidos e compartilhados um com o outro, vivendo uma simbiose. Não à toa, a filha Andrea comentou ainda hoje: “só ele pra me fazer ler Spinoza nas férias!”

Torcedor do Botafogo, inclusive conseguiu converter muitos a essa mesma paixão. Acompanhava aos jogos do time, e também o campeonato europeu de futebol.

Leitor assíduo de filosofia, análise política, ouvinte de música clássica e, claro, Bee Gees! Adorava reunir-se com a família para uma boa refeição, e boas conversas ao redor da mesa. Também Gostava de tomar café com os orientandos. Foi comentarista da CBN nos anos eleitorais, fazendo uma análise técnica e imparcial. Era convidado justamente por sua neutralidade e isenção. Uma referência ética importante, num cenário político acalorado.

O trabalho também era um de seus hobbies. Escrever um livro, orientar, preparar um evento. Isso tudo não cansava, era parte dele!

Adorava uma viagem, e tinha planos de viajar de carro com a esposa. Estava inclusive organizando seu tempo para isso.

No restante, deixa a impressão de que concluiu todos os seus feitos, e estava satisfeito. Havia degustado a vida, como quem degusta o vinho, e se alegrado profundamente. Era um homem realizado!

Escolheu algumas pessoas para si, para seu convívio. Não obstante, muitos orbitaram ao seu redor. Conquistava as pessoas, a ponto de que elas tinham gosto até mesmo por pegar um café para ele. Tinha uma liderança e um respeito únicos pelo ser humano, que os atraía.

Sentiremos saudades de como escrevia “Sociedade” com letra maiúscula. Ou de como sempre dividia os assuntos em três tópicos, obrigatoriamente. Como esquecer de como ele falava da importância do método! Também nos fará falta o beijo na testa, que ele dava nas pessoas que amava, no âmbito familiar e profissional. Era um ósculo para todos aqueles a quem havia se afeiçoado.

Um homem que teve uma espiritualidade muito desenvolvida nos últimos anos, que deixa um legado de ética profissional e pessoal, humildade científica, curiosidade em diversas vertentes, capacidade de adaptação às mudanças, e de acompanhar a modernidade. Tudo isso dava a ele o tom de alguém positivamente inconformado. E isso é provado pelo respeito que tinha aos grandes professores e homens do passado. Além disso, tinha um profundo amor pelos filhos e pelos netos, a ponto de marcá-los para sempre. Foi uma referência moral, profissional e intelectual para os seus.

O Cesar é uma prova de como podemos ser profundamente marcados pelas pessoas. O comum nos deixa seguros, mas o extraordinário deixa saudades! E falando em saudade, é com ela que estaremos de mãos dadas a partir de agora. Esse sentimento nos acompanhará aonde formos, e com ele sua ambivalência. Pois apesar da dor proporcionada pela despedida, a saudade se constrói com momentos de felicidade. E isso faz do momento que enfrentamos agora, um dos mais controversos de toda a nossa história.

Na idade antiga, havia uma profissão chamada “arauto”. O arauto era incumbido de anunciar previamente à cidade sobre a chegada de pessoas importantes. Diz-se que a saudade queria ser um arauto. E ela conseguiu! Mas a saudade era um arauto atrasado, que anunciava a chegada de pessoas importantes depois que elas já tinham partido. Nós ouviremos a voz desse arauto a partir de hoje, e talvez até o nosso último dia. Meu apelo é que possamos nos lembrar de quê é feita a saudade, e de que ela só anuncia os importantes. A saudade não é mal intencionada! Seu desejo não é causar dor nem sofrimento. Então, quando ouvirmos sua voz, que seja também possível lembrar que tivemos um enorme privilégio, por conviver com alguém digno de ser lembrado!

Para o filósofo e também professor, Clovis de Barros Filho, a felicidade é um sentimento que experimentamos quando desejamos que um momento dure mais tempo. Se hoje desejamos que os momentos na companhia do Cesar durassem mais tempo, é porque ao seu lado experimentamos a felicidade! E isso é algo para se agradecer!

Cesar, queremos te dizer algumas palavras, talvez em algum lugar, de alguma forma, possa nos ouvir.  Estão aqui hoje muitos colegas, amigos e familiares. Alguns unidos a ti por escolha, outros por laços sanguíneos. Mas todos eles cientes do privilégio que foi viver ao teu lado! Faço minha a voz de cada um dos seus, pra dizer que você nos fez experimentar o extraordinário em um simples café, uma simples conversa, de modo que agora é difícil dizer adeus. Mas sabemos que, se a despedida dói, é porque cada momento ao seu lado valeu a pena!

Você nos inspira e continuará inspirando. Por isso, em sua homenagem serão todos os nossos melhores momentos, as melhores refeições em família, nossos cafés mais demorados, nossas maiores conquistas! Pois é assim que você queria nos ver, e assim será!

Estamos aqui pra demonstrar o quanto você é importante em nossas vidas. O que nos conforta é saber que nós carregaremos cheios de orgulho as marcas que você deixou em nós pela convivência, marcas estas que são perenes, marcas que são para sempre! Que privilégio a vida nos deu!

Por isso, queremos dizer, de todo coração: obrigado pela companhia!

Receba nossa justa homenagem!”

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