Alunos de Jaraguá do Sul terão ‘biblioteca particular’ em casa

Secretaria Municipal de Educação adquiriu 30 mil novos livros para incentivar a leitura, incluindo títulos sobre empreendedorismo

Os alunos da rede pública municipal de Jaraguá do Sul terão sua própria biblioteca em casa, com a iniciativa da Semed (Secretaria Municipal de Educação), que adquiriu cerca de 30 mil novos exemplares para as escolas neste ano.

Os livros vão desde clássicos da literatura, passando por temas de educação financeira e empreendedorismo, até história e geografia; e também serão trabalhados em sala de aula com os professores. O investimento de R$ 2,3 milhões objetiva incentivar a leitura e a educação financeira dos estudantes e intensificar a prática da leitura e escrita desenvolvida pelas escolas.

Alunos da rede municipal de Jaraguá do Sul poderão formar suas próprias bibliotecas em casa – Foto: PMJS/Divulgação/NDAlunos da rede municipal de Jaraguá do Sul poderão formar suas próprias bibliotecas em casa – Foto: PMJS/Divulgação/ND

Os exemplares serão utilizados em pelo menos quatro projetos de leitura: Minhas leituras, minhas memórias; Professor Leitor – para professores de educação infantil; Aquisição de livros de História e Geografia (regionais de Santa Catarina) – para os alunos do 4º ano; e Educação Financeira e Empreendedorismo – alunos do 1º ao 5º ano (aquisição de livros) e do 6º ao 9º ano (aquisição de materiais sobre empreendedorismo).

A novidade foi recebida com comemoração pelas escolas e pelos estudantes. Na escola Guilherme Hanemann, a história da aluna do 4º ano, Isabella Maia, emocionou toda a comunidade escolar.

A diretora Janaina Liborio de Oliveira conta que a menina de 10 anos tinha muita dificuldade na leitura, e que ao emprestar o livro ‘O carteiro chegou’, na atividade semanal na biblioteca da escola, apaixonou-se pela história. Com o projeto Minhas Leituras, Minhas Memórias, a estudante acabou ganhando esse mesmo título para compor sua biblioteca pessoal em casa e a emoção foi tanta que ela passou a se esforçar mais para aprender a ler.

“Com o esforço próprio e o reforço escolar, Isabella já está lendo bem melhor e a mãe, que quase não tinha tempo de acompanhar o desenvolvimento escolar da filha, ao saber de todo envolvimento da escola para ajudar a menina, passou a acordar mais cedo para poder colaborar com o aprendizado”, conta a diretora.

Maternal 2 escolhendo livros na biblioteca. Projeto Sim Sim Salabim no dia a dia. - PMJS/Divulgação/ND
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Maternal 2 escolhendo livros na biblioteca. Projeto Sim Sim Salabim no dia a dia. - PMJS/Divulgação/ND
Aluna Isabella Maia e Auxiliar de Biblioteca Marcia Salete Grondek - EMEB Guilherme Hanemann
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Aluna Isabella Maia e Auxiliar de Biblioteca Marcia Salete Grondek - EMEB Guilherme Hanemann
Os alunos contaram a história com o cenário montado por eles - PMJS/Divulgação/ND
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Os alunos contaram a história com o cenário montado por eles - PMJS/Divulgação/ND

Como vencer os desafios da leitura no Brasil

Segundo dados da 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro, o brasileiro lê, em média, 2,5 livros inteiros por ano. Nesse sentido, considerando apenas os projetos de leitura, as escolas de Jaraguá do Sul já estão um passo à frente dessa realidade.

“Entregamos três livros ao ano, mas felizmente nossos alunos leem muito mais que isso. O volume de retiradas nas salas de leitura das escolas é bastante grande, porque nossos investimentos na renovação dos acervos é contínua e os alunos têm aula de leitura semanal”, diz a secretária de Educação, Ivana Atanásio Dias.

O levantamento sobre a leitura aponta ainda que o país perdeu mais de 4,6 milhões de leitores, de 2015 para 2019: a porcentagem de leitores caiu de 56% para 52%. Por outro lado, as pessoas têm passado mais tempo nas redes sociais. E estimular as pessoas a lerem conteúdos de qualidade é um dos muitos desafios das escolas.

Para a secretária, é preciso investir no tempo de leitura, ofertar obras de qualidade e contar com o exemplo dos pais para reverter esse cenário. “Não basta ler por ler. Isso já é feito nas redes sociais. É preciso que as crianças desde cedo tenham contato com a literatura de qualidade para despertar o gosto pelo bom texto, mas a criança também precisa ver os pais lendo, porque se educa pelo exemplo”, diz Ivana

Por fim, a pesquisa mostra uma série de dificuldades de leitura, que vão desde o fato de não saber ler (4% dos entrevistados) ou ler muito devagar (19%), até não ter concentração suficiente (13%) e não compreender a leitura (9%).

Ivana avalia que, no caso do município, a maior dificuldade está na compreensão dos textos. “Ainda é muito comum que cada um interprete o que quer. Mas uma coisa é minha opinião sobre o texto, outra é a intenção do autor. É neste ponto que a escola precisa fortalecer a leitura para que o aluno consiga captar a ideia central do texto e aprofunde a interpretação e isso se consegue com a releitura e reescrita”, explica.

Investimento que se multiplica

Os projetos de leitura da Semed fazem com que o investimento se multiplique. A ideia é que os professores atuem como mediadores da leitura, realizando atividades literárias que desenvolvem a habilidade em interpretar e produzir bons textos.

Já os livros de educação financeira pretendem ajudar as crianças desde a alfabetização para que sejam adultos mais conscientes e autônomos em relação ao uso do dinheiro.  A secretária explica que a educação financeira não é um luxo, mas uma necessidade. Por isso, ela não é tratada como projeto de leitura e sim como um componente curricular, tendo professores especialistas em Matemática para trabalhar nessa área.

“É preciso ensinar às crianças desde cedo como se comportar com as finanças porque isso será vital para a sobrevivência delas em sociedade. Elas também precisam saber empreender desde cedo, o que significa propor soluções e não esperar que alguém resolva tudo, entendendo que cabe a elas também resolver problemas dentro de suas possibilidades”, afirma Ivana.

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Prefeitura de Jaraguá do Sul

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