João Paulo Messer

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Apelo de volta às aulas em Criciúma é mais psicológico do que pedagógico

Secretaria de Educação do Município decidiu “dar um choque” anunciando retomada de cem por cento das aulas presenciais.

Um anúncio que chamou a atenção, em Criciúma, no Sul do Estado, merece ser melhor interpretado. Na semana passada o governo municipal anunciava o “fim das aulas virtuais”. Quando o ato se consolidou, na manhã desta segunda-feira (31), a percepção de que a tal retomada não é tão radical. Se anunciou que a partir do dia 1º de junho apenas haveria aulas presenciais e que para tal as escolas estavam preparadas. Durante entrevista coletiva as autoridades admitiram que por conta de um decreto do Governo do Estado isso não é possível. Assim, a atividade remota segue e as apostilas terão que ser disponibilizadas, mesmo que a maioria dos pais não vão busca-las.

Secretário Municipal de Educação, Miri Dagostin, mandou confeccionar adesivos para chamar alunos às salas de aula. – Foto: Secom/PM Criciúma.Secretário Municipal de Educação, Miri Dagostin, mandou confeccionar adesivos para chamar alunos às salas de aula. – Foto: Secom/PM Criciúma.

Ao longo das explicações a revelação de que a equipe pedagógica das escolas está percebendo um prejuízo psicológico enorme entre os alunos. Mais do que isso, a conversa com professores revelou que há país que optam por não enviarem os filhos as escolas por várias razões, entre elas o custeio do transporte, que ele alguns casos é opção do aluno que banca o seu deslocamento para estudar em escola fora da sua área de núcleo. Mas há pais sem autoridade sobre os filhos, que ficam em casa sem acompanhamento. Isso é prejuízo pedagógico. Já nas escolas professores declararam que alunos estão revelando crises de ansiedade. “Temos aí uma nova patologia”, admite o professor Adriano Ozellame.

Na Escola Municipal Jorge da Cunha Carneiro, a maior do município com 850 matriculados, cerca de 75 por cento dos estudantes estão em atividades presenciais, enquanto os demais seguem fora de sala de aula. O município tem 65 escolas e pouco mais de 20 alunos matriculados.

Ao invés de seguir os anúncios feitos na semana passada, pelo governo, de que acabaria com as aulas virtuais, como forma de dar “um choque” na comunidade escolar, nos educandários da rede pública municipal o aviso é bem mais brando: “Esta escola está aberta e segura”, dizem faixas em alguns educandários.