‘Calma’ e ‘transparência’ devem ser a tônica do retorno às aulas em Florianópolis

Retorno às aulas ocorre nesta quarta-feira (10), porém, o primeiro mês será no formato online e alunos em sala de aula somente em março

Mais de 36 mil alunos e 5 mil profissionais de educação das 37 escolas da rede pública de Florianópolis participam do retorno às aulas nesta quarta-feira (10). Mas a volta pede calma e transparência. No primeiro mês, o ensino será online e, somente em 10 de março, no formato presencial e com um porém: apenas para os alunos que os pais autorizarem esta modalidade.

Pai se despede do filho no retorno às aulas em BlumenauEm Florianópolis, o retorno às aulas presenciais na rede pública deve ocorrer somente em um mês; a foto é de Blumenau – Foto: Moisés Stuker / NDTV Blumenau

Segundo a diretora Karla Christine Hermans, da Escola Básica Municipal Batista Pereira, que fica no Ribeirão da Ilha, ninguém volta para sala de aula em dez de fevereiro.

As escolas têm, até 9 de abril, para implementar o retorno híbrido. Quem preferir deixar o filho no ensino remoto, tem essa opção. Quem autorizar o filho a ir pra escola, também.

A escola dirigida por Hermans tem aproximadamente 750 alunos, do 1º ao 9º ano e 28 turmas. A expectativa dela é de que metade fique no presencial, metade online. Segundo a diretora, muitas famílias disseram que ainda não se sentem seguras para retornar antes da vacinação. A Covid-19 ainda preocupa.

“Precisamos ir com calma e com todas as condições necessárias, os equipamentos de segurança, os materiais necessários e temos uma vantagem: outras redes começaram antes, precisamos olhar e aprender. Tenho muita preocupação se começarmos de forma atropelada, mas se começarmos com calma, vai dar certo”, enfatizou.

Especialista pede transparência no retorno às aulas

Na visão do professor Fabrício Augusto Menegon, que atua no departamento de saúde pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), do ponto de vista sanitário, não é o momento adequado para colocar o contingente da rede pública de volta na escola.

Especialista em saúde pública acredita que não estamos no momento para retorno às aulasFabrício Augusto Menegon é professor do departamento de saúde pública da UFSC há nove anos – Foto: Divulgação/ND

Ele considera uma atitude minimamente responsável e esperada de qualquer gestor público, que o retorno às aulas ocorra aos poucos, avaliando as condições conforme elas vão se apresentando.

“Não dá para dizer que vai colocar o pessoal com 50% de lotação na sala de aula e deixar a coisa correr solta”, analisa o professor.

Segundo Menegon, o fator transparência será fundamental para viabilizar um retorno seguro. Para ele, isso vai garantir que os pais decidam, com base em informações, e considerando a realidade das suas próprias casas, se deixam os filhos frequentar o ensino presencial.

“As escolas não podem se furtar de comunicar a sua realidade. Se as coisas não estiverem andando como foi planejado, se os ambientes não estiverem seguros, se os professores tiverem dificuldade de conter o comportamento dos estudantes, qualquer situação diferente do planejado, tem que ser comunicada às famílias”, defende Menegon.

Secretário de Educação fala em “convocação da vontade”

Para o secretário municipal de educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, o mês de fevereiro marca o que ele está chamando de “convocação de vontade”.

Na visão do secretário, é preciso que todos se alinhem para que o retorno às aulas funcione. Ele acredita que é hora de retornar, mas não com todos ao mesmo tempo, porque isso tem impacto no transporte coletivo e na dinâmica da cidade.

O secretário disse, também, que as unidades terão autonomia para definir suas regras internas e monitorar o cumprimento das mesmas. Caberá à prefeitura fornecer máscaras para os alunos trocarem durante a aula e álcool gel para higienização das mãos.

“Temos um protocolo sanitário do Estado, cada município tem o seu e cada escola aprovou no comitê estratégico de retorno às aulas um plano de contingência que vai garantir o retorno com segurança”, lembrou o secretário.

Merenda

Na escola da diretora Hermans, por exemplo, quando o retorno for presencial, os alunos não terão o habitual momento de recreio como antigamente, com todos dividindo espaço no refeitório.

“Aqui, eles vão se alimentar na sala de aula e, para acessar os espaços de convivência, somente em pequenos grupos”, ressaltou a diretora.

Ela disse que na escola onde seus filhos estão matriculados será diferente: as crianças se alimentam no pátio, porém, em grupos de, no máximo, 30 alunos.

Karla também explicou que, no efetivo retorno presencial, daqui um mês, nem mesmo a totalidade daqueles que aceitarem voltar para as dependências da escola entrarão no mesmo momento. Uma semana um grupo e, na semana seguinte, outro grupo.

“Cai o limite de 50%, mas tem uma capacidade máxima, de acordo com a metragem da sala de aula”, reforçou a diretora da EBM Batista Pereira.

Além disso, quando o retorno presencial for liberado, os alunos terão que cumprir a cartilha de regramentos: nas salas de aula, obrigatório uso de máscara e o distanciamento de 1,5m entre cada aluno. Assim será a escola em 2021.

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