Chapecó lança curso de língua portuguesa para imigrantes

Iniciativa é totalmente gratuita e também ensina os estrangeiros os costumes e tradições da cidade

A Secretaria Municipal de Educação de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, lançou nesta semana um curso específico para o Ensino da Língua Portuguesa aos Estrangeiros. O objetivo, segundo a Secretaria, é integrar os imigrantes na comunidade chapecoense. As aulas já vêm acontecendo há aproximadamente dois meses.

Imigrantes aprendem a língua portuguesa em ChapecóO curso é específico para o Ensino da Língua Portuguesa aos estrangeiros. – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação

O curso é oferecido na Escola Básica Municipal Paulo Freire e foi pensado como uma forma para acolher e inserir, de fato, os estrangeiros na comunidade, uma vez que a demanda de alunos imigrantes aumenta constantemente e a maioria deles não apresenta proficiência em língua portuguesa.

Outros não têm nenhum conhecimento dela, desta forma demonstram dificuldade na compreensão e uso de conceitos básicos da leitura e escrita dificultando assim o aproveitamento escolar, muitas vezes levando à evasão e minimizando as expectativas em relação à escola.

Segundo a gestora da instituição, Ivete Isabel Zanella, essa é uma ação gratificante e necessária. O curso é ministrado por professor especializado em trabalhar com língua portuguesa para imigrantes com experiência e perfil para desenvolver o processo pedagógico em alfabetização e letramento para não nativos no Brasil.

Aprendendo a língua portuguesa

“O BRASIMI une o desejo e a necessidade dos estudantes imigrantes em aprender a língua portuguesa com as aulas planejadas a partir de situações cotidianas para que eles aprendam a nossa língua e nossos costumes de maneira significativa e consciente”, diz a professora que atua no curso, Tany Aline Folle.

De acordo com Rochelelourdes Dormevil, aprender escrever e entender língua portuguesa está fazendo muito bem. “Logo que eu começar a trabalhar vou conseguir trazer meu irmão de 16 anos morar aqui também”. A jovem de 17 anos é imigrante haitiana e mora com familiares em Chapecó há cerca de dois anos.

Imigrantes aprendem a língua portuguesa em ChapecóO objetivo é integrar os imigrantes na comunidade chapecoense. – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação

Osnel Decir, de 33 anos, mora em Chapecó há sete anos e diz já estar familiarizado. Ele trabalha na construção civil e vive com a esposa que também possui emprego. “As aulas estão ajudando entender o verdadeiro sentido das palavras e estou aprendendo a escrever em português. Estou muito feliz”.

Curso gratuito

O Curso é oferecido de forma gratuita, presencialmente, duas vezes na semana. Podem frequentar alunos estrangeiros matriculados regularmente na EJA (Educação de Jovens e Adultos) e familiares responsáveis por alunos matriculados no sistema de ensino do município de Chapecó.

No ensino fundamental, para os menores de 15 anos, é realizada uma avaliação agendada com antecedência e simultaneamente a equipe faz uma entrevista com os familiares.

Imigrantes aprendem a língua portuguesa em ChapecóCurso é oferecido de forma gratuita. – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação

Conforme a Secretaria, o diferencial oferecido está em analisar não apenas o conhecimento cognitivo, mas levar em consideração o aspecto socioemocional do aluno, bem como o contexto familiar, para que possam ser inseridos na turma que for mais adequada, de acordo com a realidade.

Avaliações

Na segunda-feira (19) ocorreu a segunda fase de aplicações das avaliações de cinco estudantes. Todos estão matriculados na Escola Parque Cidadã Leonel de Moura Brizola.

“Aqui em Chapecó é muito diferente. Os professores dão oportunidade de pensar e tentar melhorar”, disse a estudante Emili Alexandra Sabolla Ramirez de 13 anos. Ela é venezuelana e já passou por outras cidades brasileiras.

A professora Maria Ilone Moreira, relata que quando soube que teria estudantes estrangeiros inseridos na turma foi um incentivo para buscar novos conhecimentos.

“Precisei me reinventar porque na turma temos três estudantes venezuelanos e, desta forma, aprendemos ainda mais sobre a cultura, os gostos e os costumes. Ao mesmo tempo ensinamos nossa língua e nosso jeito de viver. É gratificante ver o quanto eles evoluíram em tão pouco tempo”.

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