Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


Conselho de Medicina critica suspensão de aulas presenciais na Grande Florianópolis

Entidade afirma que danos de decisão às crianças e adolescentes são imensuráveis e que escola é "local de risco menor de contágio para as crianças do que seus próprios domicílios"

O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina manifestou preocupação sobre a suspensão das aulas presenciais definida pelo decreto 22.636, editado pela Prefeitura de Florianópolis nesta segunda-feira (15). A medida vale até o início da próxima terça-feira (23) e segue decisão dos 22 municípios da região  como estratégia de combate à propagação do coronavírus.

Aulas presenciais estão suspensas na Grande Florianópolis até o dia 23- Foto: Jonathan Rocha/NDTVAulas presenciais estão suspensas na Grande Florianópolis até o dia 23- Foto: Jonathan Rocha/NDTV

“Embora estejamos, de fato, passando pelo momento mais delicado do enfrentamento à Covid-19, o CRM-SC reitera a importância de que as decisões tomadas sejam embasadas em critérios técnicos e científicos e que sejam levadas em consideração as consequências das mesmas”, afirma a entidade.

O Conselho Regional de Medicina sustenta que “crianças, de forma geral, apresentam quadros mais brandos, com gravidade e mortalidade notadamente menores do que na população adulta e, com frequência, podem não apresentar sintoma algum quando infectadas”.

Além disso, a entidade médica afirma que, “embora o papel da criança como ‘transmissor’ da Covid-19 ainda não seja completamente conhecido, sabe-se que crianças menores de 10 anos são menos susceptíveis à infecção pelo SARS-CoV-2 do que adolescentes e adultos e há estudos mostrando que é pouco provável que crianças sejam as fontes primárias de infecção nos domicílios, contrariamente ao que se observa em outras infecções de transmissão respiratória”.

As escolas, segundo o texto da CRM-SC, “são local de risco menor de contágio para as crianças do que seus próprios domicílios”. “É mais comum que adultos contraiam a doença em outros locais aos quais frequentam, assim como é mais comum que as crianças contraiam a doença dos adultos com os quais convivem, do que transmitam a eles”, afirma o documento.

O CRM-SC destaca também que “os danos causados pela suspensão das aulas presenciais às crianças e adolescentes são imensuráveis, e não podem jamais ser ignorados”. De acordo com o conselho “o estresse gerado pela pandemia e a impossibilidade de se relacionar com outras crianças e professores tem relação direta com o aumento de casos de ansiedade, de depressão, agressividade, medo, tristeza, fobia de limpeza, temor de adoecer e, o pior, tentativas de suicídio”.

Por fim, analisa que o decreto municipal “parece ser também contrária à lei estadual 18.032, editada em dezembro de 2020, que passou a considerar como essencial no Estado de Santa Catarina as atividades educacionais e aulas presenciais na rede pública e privada do Estado”.

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