Cuidados e incertezas marcam o retorno das aulas presenciais em SC

Com o distanciamento social, as escolas precisam se adaptar e diminuir o número de alunos por sala que variam com o mapa de risco para Covid-19

A maioria das escolas particulares em Santa Catarina retoma as aulas presenciais nesta segunda-feira (8). Além de uma série de regras, como o uso de máscaras e o distanciamento social, o cenário é de incertezas. Isso porque as atualizações semanais do mapa de risco para a Covid-19 podem alterar o número de alunos por sala e impor adaptações.

Escolas particulares retomam aulas presenciais nesta segunda-feira com novas regras (8) – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDEscolas particulares retomam aulas presenciais nesta segunda-feira com novas regras (8) – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

No Centro Educacional Menino Jesus, no Centro de Florianópolis, as atividades iniciaram com todos os anos nesta manhã. Para a retomada, foram realizadas enquetes com os pais, em que 75% optaram pelo ensino presencial.

Na última sexta-feira (5), crianças de até 2 anos foram à escola para ter um momento de adaptação. Nesta segunda, porém, crianças de todas as idades voltaram.

Foi o caso da pequena Julieta de 1 ano. A mãe, Carla Jade, de 40 anos, conta que a filha passou 1h30 em sala na sexta. “Foi bastante tranquilo. Nós como pais estávamos com bastante expectativas e as crianças estavam muito animadas. Elas estavam muito cansadas de estarem sem contato com outras crianças”, conta. 

Carla também é mãe do Francisco, de 3 anos, que retornou nesta manhã à escola. “Para a gente não é só a questão da escola, é uma questão de saúde mental”, ressalta.

O ensino será híbrido?

As escolas particulares têm autonomia para decidir como funcionarão as aulas. No Menino Jesus, por exemplo, há o ensino presencial e remoto, mas os pais só podem escolher um deles, sem alternância, ou seja, o ensino híbrido não será oferecido.

Além disso, os responsáveis assinam um termo de responsabilidade assumindo as consequências de um possível contágio, incluindo as crianças com comorbidades.

“Os pais têm que ter responsabilidade e a escola fica atenta. Qualquer aluno com suspeita de Covid-19 não pode comparecer às aulas. Ao menor indício, temos uma sala de isolamento — que eu gosto de chamar de sala de proteção —, em que esperamos os responsáveis para levarem as crianças para casa”, explica Marli.

Quem fica em casa pode acompanhar as aulas em tempo real, já que há um computador que transmite todas as atividades. O professor de matemática Ângelo Ricardo Ferreira observa que “tudo está tranquilo, os alunos respeitam bastante, estamos administrando os alunos que estão aqui e os que estão em casa”.

Reuniões constantes

Segundo a diretora geral, irmã Marli Schlindwein, reuniões com os docentes e funcionários são realizadas constantemente para garantir que as regras sejam respeitadas. 

“Nós temos nos preparado ao longo do tempo, especialmente para lidar com a oscilação da pandemia. Semana passada estávamos no nível grave, agora estamos no nível gravíssimo. Temos um certo treinamento, estamos acostumados e sempre informamos os pais sobre as mudanças”, diz.

Professor de matemática avalia que o retorno presencial está sendo tranquilo  – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDProfessor de matemática avalia que o retorno presencial está sendo tranquilo  – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

A oscilação apontada pela diretora é em relação ao mapa de risco para o coronavírus, divulgado aos sábados pela SES (Secretaria de Estado da Saúde), que aborda o nível de risco de contágio para a doença nas diferentes regiões do Estado.

No último sábado, o Estado voltou a ter 10 regiões em nível gravíssimo, incluindo a Grande Florianópolis. Dessa forma, o número de alunos por sala que atualmente está em 50% deve cair para 30%, ocasionando adaptações, como expansão de salas. No Menino Jesus, por exemplo, algumas delas estão sendo reformadas para ampliar a capacidade de alunos. 

“Cada um no seu quadrado”

Na hora do recreio, o mais difícil é fazer as crianças respeitarem o distanciamento. Funcionários orientam os alunos a estarem com 1,5 metro de distância. Eles erguem os braços e mostram o quão perto podem ficar uns dos outros.

Os momentos de intervalo podem variar conforme o horário e a idade dos alunos. O pátio estava muito mais vazio nesta manhã, assim como a cantina. Os estudantes devem trazer os lanches de casa ou encomendá-los com antecedência.

Para os colegas do 6ª ano, Davi Mueller e André Kuerten, ambos com 11 anos, é fácil seguir o distanciamento, pelo menos por enquanto. O mais complicado, segundo eles, é aprender no ensino remoto. “Mas a gente conseguiu”, garante Davi.

André Kuerten, de 11 anos, avalia que todos estão respeitando o distanciamento na sala de aula – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDAndré Kuerten, de 11 anos, avalia que todos estão respeitando o distanciamento na sala de aula – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

“Nas salas têm quadrados nas nossas classes. Não podemos sair dos quadrados e estamos ficando longe dos colegas. Cada um no seu quadrado”, afirma André. Durante a conversa, os dois mantinham distância entre si e dos demais ao redor.

Conforme a diretora do Menino Jesus, “as crianças têm alegria de seguir as regras e nossa equipe está preparada para orientá-los, como troca de máscaras, por exemplo”. 

Mas mesmo com todos os cuidados, há incertezas em relação às próximas semanas. A pandemia pode impor novas adaptações e o mapa de risco deve ditar o que será feito em Santa Catarina.

“Aprender juntos é insubstituível”

O Colégio Energia, localizado no Centro de Florianópolis, retomou as atividades presenciais nesta segunda-feira (8), após quase um ano.

Colégio Energia, no Centro da Capital, retomou as aulas presenciais após quase um ano – Foto: Divulgação/Colégio EnergiaColégio Energia, no Centro da Capital, retomou as aulas presenciais após quase um ano – Foto: Divulgação/Colégio Energia

De acordo com o diretor administrativo do Energia, Fabio Fillippon, todas as normativas dos órgãos estão sendo seguidas.

“As turmas foram reescalonadas e as salas redimensionadas para atender a capacidade legal, respeitando o distanciamento e as regras de retomada. Com a existência de salas maiores, as turmas puderam ser realocadas”, explicou.

Para o ano letivo de 2021, 15% dos alunos optaram pelo ensino remoto.
“No ensino médio criamos grupo A e B, alternando as semanas de estudo. Já no ensino fundamental, do 1o ao 9º as turmas foram realocadas as maiores salas para privilegiar as séries iniciais, que são as que mais sentem dificuldade com o modelo remoto. Já as turmas do ensino médio, como são mais numerosas, não havia como manter 100% do presencial”, diz Fillippon.

Em todas as turmas, as matrículas foram limitadas, para que nenhuma sala ultrapassasse 2 grupos. As salas foram adaptadas para comportar o total de alunos com 1,5m de raio entre eles. Alguns móveis não essenciais, como estantes e mesas de apoio, foram retirados para dar espaço aos alunos.

O horário de intervalo, lanche e parque, principalmente dos menores, foi escalonado para que não haja choque entre as turmas nestes locais.

A entrada e saída na escola também foi reescalonada e todo o nosso espaço físico está com demarcações para auxiliar no dia a dia dos alunos.

A aluna Alice Laffin Castoldi, de 8 anos, estava animada para o retorno presencial das atividades.

“Eu estava muito ansiosa para voltar para escola, para ver meus amigos e também para poder saber como ia ser o dia a dia sem poder abraçar, beijar os amigos e também usando máscaras.

As aulas online ano passado foram muito divertidas, mas eu estava morrendo de saudades de vir pra escola, de poder brincar com a turma e até das broncas das professoras. Aprender todos juntos é realmente insubstituível. Eu já tinha arrumado todo meu material no início do mês e ontem a noite, antes de dormir, eu já tinha deixado todo meu uniforme arrumado, até os itens de cabelo”, conta.

Alice Laffin Castoldi, de 8 anos, estava ansiosa para o retorno das aulas presenciais – Foto: Divulgação/Colégio EnergiaAlice Laffin Castoldi, de 8 anos, estava ansiosa para o retorno das aulas presenciais – Foto: Divulgação/Colégio Energia

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