De volta para minha escola? Professores contam como é lecionar na escola onde estudaram

Na Rede Municipal de Ensino de Joinville, professores relembram como era o tempo de escola, as memórias afetivas e contam como é retornar à unidade como parte do quadro de educadores

Muito além que apenas um espaço de ensino e aprendizagem, a escola é um lugar onde está boa parte da memória afetiva e o início das amizades que marcam a infância da maioria dos alunos.

Na EM Professora Laura Andrade, Joice da Silva Mariani, professora de ensino religioso, foi aluna da diretora da unidade, Aparecida de Oliveira Modesto – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensNa EM Professora Laura Andrade, Joice da Silva Mariani, professora de ensino religioso, foi aluna da diretora da unidade, Aparecida de Oliveira Modesto – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Além disso, todo estudante tem uma lembrança com algum professor: pela forma de explicar um assunto, o jeito de dar aula, o ouvido amigo para o desabafo ou os conselhos certeiros de quem sempre tem uma boa palavra na hora certa.

De um jeito ou de outro, toda escola tem aquele professor amigo da galera, que brinca, mas ensina como ninguém; que é exigente, mas que todo mundo adora; que tem uma prova difícil, mas que tudo bem, porque tem um dom de explicar que deixa tudo mais fácil.

E, no meio disso tudo, ainda tem aqueles professores que despertam nos alunos o interesse pela profissão e que, sem saber, influenciam – já na infância – na escolha profissional de um estudante que nem saiu do Ensino Fundamental, mas que tem a resposta na ponta da língua sobre o que ser quando crescer.

Pensando nesses mestres que marcaram vidas e mudaram o rumo de várias delas, a revista its Teens foi atrás de histórias de pessoas que estudaram na unidade escolar em que hoje dão aula. E não é que deu para encontrar várias delas?

Por isso, a partir de agora, receba o nosso convite para ler sobre as memórias de três professoras da Rede Municipal de Ensino que trabalham em sala de aula e na gestão escolar e dividem o espaço educativo com professores que lecionaram para elas na época de estudantes. Confira.

Escola Municipal Professora Laura Andrade

Joice sonha em ser professora desde criança, e teve como uma de suas maiores inspirações a sua antiga professora, Aparecida de Oliveira Modesto – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensJoice sonha em ser professora desde criança, e teve como uma de suas maiores inspirações a sua antiga professora, Aparecida de Oliveira Modesto – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Todo mundo tem ou teve aquela professora com um jeito único de dar aula, que sai do formato de quadro e livro e explora outras formas de ensinar. Aquela que movimenta a turma com atividades diferentes, com propostas criativas e que, no final, é o que valida uma boa aprendizagem efetiva na vida do estudante.

Ao menos é assim que a professora de ensino religioso Joice da Silva Mariani lembra das aulas de história de Aparecida de Oliveira Modesto, atualmente diretora na Escola Municipal Laura Andrade, na zona leste de Joinville. Aluna da unidade durante todo o Ensino Fundamental, Joice sempre teve o desejo de retornar à escola depois da graduação para dar aulas. Com o sonho desde criança em ser professora, ela revela, sem hesitar, uma das suas grandes inspirações: a diretora Aparecida.

“Ela foi uma das melhores professoras que passaram pela minha vida”, relembra Joice. “A Cida conseguia transformar as aulas e fazer com que elas se tornassem interessantes. Por mais que não tivesse tudo isso que a gente tem hoje na escola, a Cida conseguia trazer isso pra gente e isso me emociona, até quando lembro.”

O retorno de Joice para a unidade, em 2019, foi uma surpresa para a diretora Aparecida, que ainda não sabia quem seria a professora de ensino religioso dos anos finais do Ensino Fundamental da escola.

“Quando eu cheguei e olhei para ela, eu disse: ‘eu te conheço’, e ela: ‘claro que você me conhece, eu fui tua aluna’”, relembra Cida. Colegas de trabalho, hoje as duas compartilham as memórias e as boas risadas de quando a relação eram apenas as obrigações entre professora e aluna.

Orgulhosa de lecionar na escola onde estudou, Joice conta que, no início, em cada sala de aula que entrava, o discurso era o mesmo: “vocês sabiam que eu já estudei aqui? E eu já fui aluna da Cida?”. Apaixonada pela educação, a professora de ensino religioso conta a importância de construir boas histórias e memórias no espaço escolar.

“Eu quero que os meus alunos se sintam amados, respeitados. Porque eu fui amada, respeitada. Eu fui ouvida e isso me motiva: muito além de passar o conhecimento científico, além disso, ouvi-los.”

Nas memórias de Aparecida, a espontaneidade de Joice, ainda aluna, segue viva nas histórias. “Ela não parava de falar, a mão toda vida levantada. Eu lembro dela pequena, quando soltava risada, não parava mais. Sempre foi nessa intensidade de emoções”, relembra a diretora ao falar da aluna e a profissional que se tornou. “Quando faço reunião, que eu chego e olho, me enche de orgulho.”

Escola Municipal Amador Aguiar

A professora Ane Jaqueline Corrêa, da EM Amador Aguiar, divide o ambiente escolar com professores da sua época de estudante – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its TeensA professora Ane Jaqueline Corrêa, da EM Amador Aguiar, divide o ambiente escolar com professores da sua época de estudante – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its Teens

Toda criança tem um sonho: umas de se tornarem astronautas; outras de serem médicas. Mas para Ane Jaqueline Corrêa do Nascimento sempre foi muito claro: ser professora. Integrante do corpo docente da Escola Municipal Amador Aguiar, na zona sul, Ane faz parte do programa Mais Alfabetização, voltado para atender crianças no primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental no desenvolvimento da leitura, escrita e cálculo.

Apaixonada pela educação, os olhos se enchem de lágrimas – e mesmo com a máscara que esconde o sorriso, ela não oculta a alegria de falar sobre a profissão que escolheu seguir. “Quando eu entro no portão, meu sorriso vai na orelha. Eu não consigo explicar o tamanho da minha felicidade, porque eu sou muito feliz por estar aqui.”

A alegria da professora se mistura com a história da época de aluna: a unidade em que hoje trabalha foi também a escola onde Ane cursou todo o Ensino Fundamental. Hoje, ao voltar para o lugar que a formou, ela divide a docência com professores que foram responsáveis pela sua formação.

Emocionada, Ane conta do apoio e incentivo que recebe da família para terminar a graduação em Pedagogia. “Eu cresci vendo a minha mãe envolvida com a escola. Embora ela não tenha estudado, ela sempre me incentivou. Quando foi pra eu começar aqui na escola, ela dizia assim pra mim: ‘quando você for entrar na sala de aula, explicar para os seus alunos, você lembra de mim’”, conta a professora, emocionada.

Ao andar pela escola, Ane relembra os lugares que costumava frequentar e como tudo mudou do seu tempo de aluna para o de agora, como professora. Fascinada pelo universo da educação, a professora sabe muito bem dizer o que a faz feliz na área.

“Sentar do lado da criança e explicar pra ela que o ‘b’ e o ‘a’ formam a sílaba ‘ba’, e ela olhar pra mim e entender o que eu estou falando e aprender a ler da forma que eu estou explicando  é maravilhoso. É música para os meus ouvidos ouvir eles juntando as sílabas.”

Escola Municipal Professora Anna Maria Harger

Auxiliar de direção da EM Professora Anna Maria Harger, Sonia Regina Stamm Frost, trabalha na escola onde ela e seus filhos estudaram – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its TeensAuxiliar de direção da EM Professora Anna Maria Harger, Sonia Regina Stamm Frost, trabalha na escola onde ela e seus filhos estudaram – Foto: Renata Bomfim/Divulgação/its Teens

A primeira formação profissional de Sonia Regina Stamm Frost, auxiliar de direção na Escola Municipal Professora Anna Maria Harger, também na zona sul da cidade, não tem relação com a educação. Porém, os caminhos que surgiram à sua frente logo trouxeram a aluna para integrar e retribuir o que aprendeu na unidade como professora e, atualmente, como parte da gestão escolar.

Com a primeira formação em Administração de empresas para trabalhar nos negócios da família, foi o trabalho da irmã, professora de Educação Infantil, que levou Sonia a mudar para a profissão da qual, passados mais de 20 anos, não saiu mais. “A educação, para mim, faz parte do meu ser. Me sinto privilegiada, honrada de estar aqui.”

Desde 2014, Sonia trabalha na Escola Municipal Professora Anna Maria Harger, onde estudou e viu os seus filhos também se formarem no Ensino Fundamental. “Trabalhei anos como professora, passei por todas as turmas de primeiro a quinto. E depois fiquei um bom tempo como alfabetizadora. Mais tarde, fui convidada para atividades complementares aqui e, no ano passado, assumi como auxiliar de direção”, conta Sonia.

Em sua função, a de auxiliar de direção, atualmente, assume responsabilidades diferentes das que tinha quando estava em sala de aula. “É um trabalho com todas as equipes da escola. O auxiliar e a direção têm que estar sintonizados com todos.”

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