Moacir Pereira

Notícias, comentários e análises sobre política, economia, arte e cultura de Santa Catarina com o melhor comentarista politico de Santa Catarina. Fundador do Curso de Jornalismo da UFSC. Integrante da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, é autor de 53 livros publicados.


Dr. Cecim: “O melhor lugar para saúde das crianças é a escola”

Pediatra criou e dirige uma das clínicas pediátricas mais qualificadas de SC e do sul do Brasil

Paranaense de Piraí do Sul, o médico Cecim El Achka, é um dos pediatras mais prestigiados de Santa Catarina.  Vive em Florianópolis há quase 50 anos. Veio cursar Medicina na  Ufsc em 1971, doutorou-se, fez residência no Hospital Infantil Edith Gama Ramos e encantou-se pela pediatria.  Abriu sua própria Clínica, a Tio Cecim,  há 24 anos, hoje uma das melhores do sul do Brasil.

Pediatra faz alerta sobre isolamento prolongado – Foto: arquivoPediatra faz alerta sobre isolamento prolongado – Foto: arquivo

Quais os prejuízos mais graves das crianças fora da sala de aula?

Nos primeiros três meses foi uma boa experiência. Elas ficaram mais seguras junto dos pais.  No segundo momento, problemas. Criança precisa ver criança. Criança em casa não tem rotina, não tem nutrição adequada. A criança também perde habilidades porque não tem atividades físicas. A criança perde porque o cérebro dela involui, pela ausência de atividade física, de criação, concentrada na tela.  A criança regride na fala, regride na escrita, na coordenação motora, no seu peso, enfim, regride em todos os aspectos físicos, mentais e emocionais.

E quais os maiores problemas causados pelo longo isolamento?

São de duas ordens.  Na área física, alteração de peso, perda de habilidades motoras,  de coordenação, de raciocínio, e involução  do curso normal das crianças Elas precisam conviver com outras crianças, porque uma é o espelho da outra. Quanto mais você olha no espelho mais você vê o quanto pode melhorar. Se você não tem espelho não tem como fazer isso.   O aspecto emocional é igualmente grave. As crianças perderam com ansiedade, na depressão, na agressividade e na tendência ao suicídio.

Que medidas o senhor recomenda no combate ao COVID-19 em relação as crianças?
As crianças respondem muito bem ao Covid.  Nas crianças, o Covid é praticamente um resfriado em 99,9% dos casos.  Em 99,9% dos casos, as crianças são vítimas, porque os pais trazem para casa e elas acabam pegando o vírus. Além disso, as crianças precisam estar com a carteira de vacinação em dia.  É preciso atentar para a vacina contra o sarampo. Corremos um risco muito sério de ter uma epidemia de sarampo nos próximos meses.  A criança precisa passar pelo pediatra para uma avaliação física, psicológica, emocional para saber o que foi alterado na pandemia, que precisa ser corrigido.  E, finalmente, fazer um perfil bioquímico da criança para saber o que mudou em 10 meses em casa. Se apresenta anemia, deficiência de vitamina D, que é fundamental, deficiência de ferro, de zinco, de B12, de vitamina C, além de outros exames. Importante;  criança gosta de criança e o melhor lugar para o seu desenvolvimento holístico, físico, mental e emocional é na escola.

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