MPF investiga queixas sobre realização do Enem em Florianópolis

Candidatos não conseguiram realizar a primeira prova no primeiro domingo (17) por superlotação; MPF pediu explicações à UFSC sobre o caso

Após os relatos de candidatos que não conseguiram realizar a primeira prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em Florianópolis, o MPF (Ministério Público Federal) pediu explicações à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sobre o caso.

As reclamações, registradas pelo ND+, revelaram que diversos candidatos foram impedidos de fazer as provas por superlotação das salas de aula, no domingo (17).

MPF investiga confusão em realização de prova de Enem em FlorianópolisRealização do Enem em Florianópolis teve problemas de superlotação em salas de aula – Foto: Fábio Vieira/Metrópoles/Divulgação/ND

A UFSC já enviou uma resposta ao Ministério Público Federal. A universidade alega que havia avisado ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sobre a ocupação das salas.

Confira a manifestação da UFSC:

“Desde o início das tratativas para uso dos espaços, a UFSC deixou claras as condições de excepcionalidade do funcionamento da Instituição, em decorrência das medidas de enfrentamento da pandemia da Covid-19.

Em contatos frequentes com representantes da Fundação Cesgranrio, instituição a serviço do Inep na execução do mencionado certame, apresentamos algumas condicionantes a fim de explicitar nossa preocupação com os cuidados sanitários em torno da realização das provas.

Um dos aspectos levados em conta pela UFSC foi a limitação da capacidade de ocupação de salas de aula, restrita a, no máximo, 40% (quarenta por cento) do total de carteiras normalmente utilizadas.

Contudo, na manhã da quarta-feira, dia 13 de janeiro de 2021, fomos surpreendidos com a informação de que a planilha de ocupação das salas na UFSC foi montada considerando-se uma ocupação de 80% (oitenta por cento).

Além de ignorar a condição que a UFSC havia estabelecido, o uso dos espaços nesses termos pode, a nosso juízo, acarretar o risco iminente de aglomerações e de se deixar de considerar o devido distanciamento entre candidatos, o que os torna absolutamente suscetíveis à contaminação.

Nesse sentido, ainda que entendendo a complexidade de organização de uma prova com tamanha proporção, além da expectativa de candidatos que pretendem realizá-la nas dependências da UFSC, alertamos os senhores a fim de que, se assim julgarem necessário, adotem as medidas que considerarem adequadas.

Informamos ainda que, também em 13 de janeiro de 2021, encaminhamos ofício ao Inep e à Fundação Cesgranrio alertando quanto à nossa preocupação com relação a esse assunto e solicitando providências, mas até o presente momento não houve manifestação de nenhuma das instituições.”

Número de salas foi ampliado para o segundo dia

O procurador da República, Eduardo Barragan, enviou então um ofício na última quinta-feira (21), em que solicitou ao presidente do Inep, Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, que informasse dentro de um prazo de 48h as providências que foram tomadas para a realização das provas do último domingo (24).

“Solicito que tome todas as providências cabíveis, com urgência e transparência, a fim de evitar novos transtornos aos estudantes, tanto para os exames marcados para o dia 24/1/2021, quanto para os demais que forem necessários, haja vista que eventuais alterações podem ser facilmente comunicadas aos estudantes, por meio dos dados registrados nos seus respectivos cadastros, e à sociedade em geral, pelos meios eletrônicos disponíveis na rede mundial de computadores.”

Dessa forma, o número de salas para o segundo dia de aplicação do Enem foi ampliado em Florianópolis.

De acordo com o chefe de gabinete da UFSC, Áureo Moraes, na manhã de sexta-feira (22), foram identificadas cerca de 40 a 45 novas salas que ficaram disponíveis para realocar os candidatos.

Os estudantes barrados no primeiro dia foram orientados a pedir a reaplicação da prova. Os casos foram registrados em todo o Brasil.

Os pedidos para reaplicação estão sendo recebidos desde o dia 25 e até o dia 29 de janeiro, pela Página do Participante do Enem. Aos contemplados, a reaplicação está marcada para os dias 23 e 24 de fevereiro, na mesma data e com a mesma prova aplicada para pessoas privadas de liberdade – Enem PPL.

Candidatos afetados pela chuva em Florianópolis não terão reaplicação

A chuva forte e intensa que caiu sobre a Grande Florianópolis foi o maior empecilho para os estudantes que realizam a segunda prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) neste domingo (24).

Para chegar nos locais de aplicação do exame, os candidatos tiveram de enfrentar alagamentos.

Na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a dificuldade neste domingo era ter de enfrentar horas de prova com roupas e pés molhados.

“Estou mais preocupada é de ficar horas na sala com essa roupa molhada”, disse Fernanda Souza, 23 anos, que antecipou a saída de casa neste domingo para não enfrentar contratempos na chegada ao local da prova.

Gabriel Gonzaga de Freitas, 27 anos, é um dos candidatos que não conseguiu chegar até a UFSC por conta das chuvas. Morador do bairro Monte Verde, ele passou 45 minutos tentando motoristas de aplicativos até desistir.

“Eu dependo de Uber ou ônibus pra ir e não consegui. Os motoristas estão todos cancelando porque não conseguiam chegar até a minha casa. Meu namorado também perdeu a prova.”

Debaixo da chuva intensa, os bueiros não escoam a água, segundo Gabriel. “Meu bairro está sobrecarregado de lixo. Os moradores saíram para a rua, debaixo da chuva, para limpar e liberar o acesso para a água”, relatou.

Os trabalhadores da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital), responsável pela limpeza pública da cidade, estão de greve desde a segunda-feira (18) em resposta a um conjunto de propostas enviadas pelo prefeito Gean Loureiro (DEM) e apontam que a medida é uma tentativa de redução de direitos por parte da Prefeitura.

Ainda no início da tarde, enquanto a prova começava, a poucos quarteirões da casa do Gabriel, um deslizamento de terra matou duas pessoas.

Os portões foram abertos às 11h30 e fechados às 13 horas. Na UFSC, alunos que não conseguiram chegar a tempo do fechamento dos portões alegaram atraso causado por causa das chuvas que atingem a cidade.

Algumas vias da cidade chegaram a ser interditadas por conta de alagamentos e para chegar ao local de prova alguns candidatos precisaram pegar rotas alternativas.

No entanto, de acordo com o Inep, esses candidatos não poderão pedir a reaplicação da prova. “Nesse caso não cabe reaplicação. O edital prevê reaplicação em problemas logísticos nos locais de prova, e a não teve nenhuma interferência direta da chuva nas salas de aula onde foram realizados os exames.”

*Com informações do O Estado de S. Paulo.

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