Escola em comunidade quilombola de SC é demolida sem autorização

Unidade foi construída na década de 1970 com recursos públicos sobre o terreno de uma empresa, que é a principal suspeita pela demolição

Uma escola estadual que ficava em uma comunidade quilombola no interior da cidade de Campos Novos, no Meio Oeste de Santa Catarina, foi demolida sem autorização da SED (Secretaria de Estado da Educação). A denúncia da demolição foi feita pelos próprios moradores da comunidade.

Escola foi demolida em Campos Novos – Foto: Luciane Carminatti/ReproduçãoEscola foi demolida em Campos Novos – Foto: Luciane Carminatti/Reprodução

A demolição da Escola de Educação Básica José Faria Neto aconteceu na última quinta-feira (1º). Ela ficava na Comunidade Remanescente do Quilombo Invernada dos Negros.

A unidade havia sido fechada devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e as aulas permaneciam de maneira remota. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Motivos da demolição

Uma máquina levou abaixo toda a estrutura do local, que atendia cerca de 100 estudantes dos ensinos fundamental e médio. Também havia aulas de educação para jovens e adultos da comunidade quilombola.

A unidade de ensino foi construída na década de 1970 com recursos públicos sobre o terreno de uma empresa, que é a principal suspeita pela demolição. Em nota, a SED reforça que não autorizou a demolição.

“A SED está apurando as informações e documentos a respeito da demolição e, caso necessário, tomará as medidas cabíveis”, diz a nota.

Máquina demoliu toda a estrutura, que atendia mais de 100 estudantes – Foto: Luciane Carminatti/ReproduçãoMáquina demoliu toda a estrutura, que atendia mais de 100 estudantes – Foto: Luciane Carminatti/Reprodução

Há uma nova unidade escolar construída a cerca de 500 metros da antiga, que está atendendo toda a comunidade local, inclusive a quilombola.

Segundo o delegado Márcio Maciel, responsável pelo caso, ainda não há prazo para as oitivas das partes envolvidas acontecerem.

Deputada repudia ação

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) disse que buscou explicações junto à Secretaria de Estado da Educação e à comunidade para entender o motivo da demolição.

Para a parlamentar, a empresa que demoliu agiu de forma “arbitrária” ao derrubar um prédio público.

“Vamos protocolar um pedido de providências ao Ministério Público, visto que a comunidade quilombola tem vínculo com aquele espaço de educação”, explica.

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