Escola que afunda em Florianópolis terá nova perícia após primeira empresa ‘sumir’

Além do desaparecimento, a ausência de dois serviços motivaram a abertura do novo pregão; perícia técnica deve identificar a causa do solapamento da estrutura e se é possível mantê-la de pé

Três meses após a interdição ainda não se sabe a causa do solapamento da estrutura da escola estadual Júlio Da Costa Neves, na Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis.

O governo de Santa Catarina contratou uma segunda perícia técnica para avaliar o motivo do afundamento do prédio. Os trabalhos custarão R$87,2 mil e serão realizados pela RCA Engenharia no prazo de 40 dias. O contrato deve ser assinado nos próximos dias.

Estrutura de escola de Florianópolis está solapandoEscola foi interditada em julho após parte a estrutura solapar – Foto: Leo Munhoz/ND

O valor é quase três vezes maior que o primeiro contrato realizado com esse fim, com outra empresa. Ele foi feito em caráter de urgência no dia 1º de setembro, orçado em R$29,8 mil. Entretanto, foi rescindido após não especificar dois serviços fundamentais: o ensaio de carga estática e a sondagem rotativa.

Além disso, a empresa desapareceu. Os representantes demoraram para assinar o documento e não retornaram os e-mails enviados pela SED (Secretaria de Educação de Santa Catarina). Nenhum valor foi pago, informou a pasta.

Um novo pregão foi aberto e a atual empresa foi escolhida na primeira semana de outubro. A RCA Engenharia apresentou a oferta mais baixa para realizar os trabalhos. As outras duas propostas feitas estavam orçadas em R$215,8 mil e R$ 125 mil.

“Afundamento” da obra é perceptível com a abertura de crateras e fissuras no chão – Foto: Leo Munhoz/ND“Afundamento” da obra é perceptível com a abertura de crateras e fissuras no chão – Foto: Leo Munhoz/ND

A empresa deve concluir os trabalhos em 40 dias após a assinatura, o que deve ocorrer nesta semana. As atualizações sobre a situação da estruturas são repassadas frequentemente por meio de reuniões entre a equipe gestora da escola e representantes, detalhou a SED.

Futuro da escola

O contrato firmado prevê, entre outras coisas, a vistoria de todo o imóvel e a análise dos “documentos necessários para a identificação das causas dos vícios”. O solapamento do solo que ocorre em boa parte da instituição abre crateras no chão e rachaduras nas paredes.

Para elucidar as causas do problema, a empresa deverá também realizar entrevistas e elaborar a inspeção predial. Ao fim, deverá entregar o projeto para a recuperação da escola, que foi fundada em 2014 e custou R$ 7,18 milhões. Por conta dos problemas recorrentes, reparos precisaram ser realizados logo nos anos seguintes, em 2016 e 2018.

O deputado estadual Bruno Souza (Novo) fez um pedido de informação solicitando à SED informações sobre o erro no contrato emergencial e o consequente atraso no processo. O ato de fiscalização foi protocolado no dia 20 de outubro.

Aulas a distância

Enquanto isso, os 966 alunos matriculados nas turmas de primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro do ensino médio acompanham as aulas de forma online. A SED chegou a propor o uso de escolas modulares, mas a ideia encontra resistência na comunidade escolar. A pasta estima que os alunos devam voltar em 2022 ao regime presencial.

Pais, professores e alunos realizaram pelo menos dois protestos pedindo rapidez na resolução do imbróglio e a garantia do retorno presencial no prazo estimado. Esta é a segunda instituição interditada no bairro de Florianópolis. A outra é a escola municipal Anísio Teixeira, cuja estrutura foi condenada em 2019 após problemas com infiltração.

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