Estado ameaça contratar professores ACTs

Greve do magistério entra na segunda semana sem avanço nas negociações

A greve dos professores estaduais entra na segunda semana sem definições. Desde segunda-feira passada, primeiro dia de paralisação das aulas nas escolas, as negociações entre as partes não avançaram. O governo reafirmou que não vai conversar com a categoria enquanto houver greve. Já o Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina) coordenou reuniões com profissionais de todo o Estado para definir os próximos passos do movimento e garantiu que a adesão deve crescer a partir desta quarta-feira, quando acaba o bimestre no calendário escolar.

Na última sexta-feira, o secretário de Estado de Educação, Eduardo Deschamps, conversou, por webconferência, com diretores de escolas do Estado. Deschamps disse que vai avaliar o andamento da greve nesta semana e, se necessário, encaminhará a contratação de professores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) para escolas que estão sendo prejudicadas com a falta de professores. Hoje, as escolas estaduais têm aula, já que, apesar de véspera de feriado, a data não é facultativa no calendário. No entanto,  algumas escolas terão as atividades suspensas devido ao transporte escolar, feito pelo município em algumas regiões.

O Sinte-SC organiza dois atos macrorregionais para esta semana. Na quinta-feira, haverá protesto em Florianópolis e Chapecó. Para o dia 8 de maio, o sindicato prepara uma assembleia estadual na Capital, com o objetivo de fortalecer o movimento. “Esperamos uma resposta do governo, porque pedimos novamente uma conversa para reabrir as negociações. Queremos resolver a situação. A contratação de ACTs é uma ameaça que acontece em toda a greve. É apenas uma forma de pressão”, argumentou Alvete Bedin, coordenadora estadual do Sinte-SC.

Reajuste parcelado não foi aceito

No dia 13 de março, o governo apresentou a primeira proposta de reajuste salarial, mantida até hoje. Todos os que recebiam menos que o piso nacional, R$ 1.451, passaram a receber o valor, que equivale ao reajuste de 22,22%. O restante receberia aumento de salário em etapas. A primeira parcela, de 8%, seria em maio deste ano, e as demais entre 2013 e 2014, com percentuais a serem definidos com a categoria. Os valores retroativos a janeiro e fevereiro seriam parcelados entre julho e setembro deste ano.

Em assembleia estadual, no dia 16 de março, os professores rejeitaram a proposta, e aprovaram greve a partir do dia 17 deste mês, dia da assembleia estadual, caso o governo não apresentasse nova proposta que descompactasse a tabela salarial e garantisse o reajuste de 22,22% para todos os profissionais, sem parcelamentos. Entre os dias 9 e 13 deste mês, Sinte e governo se reuniram para estudar uma nova proposta para a categoria.

Entenda o caso

Passo a passo do movimento

– 16 de abril: governo entrega nova proposta aos professores. Uma nova tabela, elaborada com a base em estudos feitos pelo Sinte-SC, previa reajustes com diferentes percentuais e parcelados em cinco vezes, até dezembro de 2013. Houve diminuição dos níveis para seis – que indicam a formação do profissional – e aumento das referências para dez – que viabilizam a progressão salarial diante dos anos de trabalho.

– 17 de abril: professores votam, por unanimidade, contra a proposta do governo e decidem começar a greve na educação no dia 23.

– 18, 19 e 20 de abril: aulas normais, com reuniões internas entre professores e alunos para conscientização sobre os motivos da greve.

– 23 de abril: primeiro dia de greve, com adesão de 2,75% (1,1 mil dos 40 mil profissionais, segundo dados do governo. O Sinte-SC não divulgou dados.

– 24 de abril: números da adesão chegam a 3%, segundo levantamento do governo.

– 25 de abril: primeira reunião do comando de greve acontece no terceiro dia de paralisação. Sinte divulga adesão de 30%, enquanto governo permanece com números estáveis da greve. O sindicato protocola pedido de reunião com o governador do Estado, Raimundo Colombo.

– 26 de abril: Colombo diz que não vai receber os professores. Governo pede o fim da paralisação. O Sinte-SC garantiu que a greve continua e que a adesão deve dobrar no dia 2 de maio, com o fim do bimestre do ano letivo.

– 27 de abril: números continuaram estáveis dos dois lados.

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