Ferramentas estimulam a criatividade na rede de ensino de Florianópolis

Além do uso de blocos de montar gigantes, como os utilizados na Escola Básica Municipal Henrique Veras, alunos da Escola do Futuro na Tapera têm aula de robótica pelo componente curricular Maker

Fadas, castelos, criaturas incríveis, com os mais diversos poderes. Batalhas épicas e bonecas que ganham vida para o almoço ou o chá da tarde. Na imaginação das crianças, em seus fantásticos universos particulares, tudo é possível. A criatividade é uma das principais características da infância e estimular essa atividade é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos.

As turmas de 1° e 2° anos do ensino fundamental da Escola Básica Municipal Henrique Veras, na Lagoa da Conceição, receberam kits de “blocos de montar gigantes” – Foto: PMF/Divulgação/NDAs turmas de 1° e 2° anos do ensino fundamental da Escola Básica Municipal Henrique Veras, na Lagoa da Conceição, receberam kits de “blocos de montar gigantes” – Foto: PMF/Divulgação/ND

E esse papel criativo, apontam psicopedagogos, influencia o desenvolvimento da criança e a forma como ela é estimulada irá gerar consequências na fase adulta, na tomada de decisões ou na resolução de problemas, por exemplo. O estímulo à imaginação e à criação faz parte do dia a dia das escolas da rede municipal de ensino de Florianópolis.

Para ampliar essas atividades, neste mês de setembro, as turmas de 1° e 2° anos do ensino fundamental da Escola Básica Municipal Henrique Veras, na Lagoa da Conceição, receberam kits de “blocos de montar gigantes” da Secretaria de Educação da Capital, para o uso em sala de aula. O tamanho do Lego é de 10 cm por 20 cm e há 60 peças.

A professora dos anos iniciais Mariana Ziloti Frazzi explica que as crianças dessas turmas têm entre 6 e 8 anos, período em que é necessário o desenvolvimento da coordenação motora fina, do raciocínio lógico e da habilidade de prever ações, planejar e construir a partir de materiais concretos, o que torna o brinquedo um ótimo recurso para estimular os estudantes nessa fase.

Aprendizagem das cores, das formas e também dos cálculos

Ainda de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, em virtude das dificuldades geradas pela pandemia, parte das crianças com 6 anos ainda estão ampliando habilidades, que são pré-requisitos para o processo de alfabetização.

Nesse sentido, o Lego está sendo usado também como recurso para o desenvolvimento de conceitos relacionados a grandezas, lateralidade e sequência lógica, que são fundamentais para a compreensão da organização e da orientação dos procedimentos de escrita.

Conforme a professora Mariana Frazzi, o uso dos blocos de montar em sala de aula pode ainda auxiliar na aprendizagem das cores, das formas e também dos cálculos, que podem ser realizados por meio da contagem das peças ou da atribuição de valores para as peças, proporcionando a criação de situações-problema.

Lego é usado também como recurso para o desenvolvimento de conceitos relacionados a grandezas, lateralidade e sequência lógica – Foto: PMF/Divulgação/NDLego é usado também como recurso para o desenvolvimento de conceitos relacionados a grandezas, lateralidade e sequência lógica – Foto: PMF/Divulgação/ND

“Contudo, nós entendemos que mais importante do que aprender com o uso do brinquedo é desenvolver o prazer em aprender através dele e que o Lego certamente pode ser um dos recursos facilitadores desse processo”, reforça.

O secretário de Educação, Mauricio Fernandes Pereira, ressalta que o município investiu 2,5 milhões de reais para aquisição, via licitação, de 183 tipos de brinquedos, totalizando 69.586 unidades. “Precisamos dar as condições necessárias para que as crianças possam desenvolver de forma completa as suas potencialidades, e que essas atividades se reflitam em crescimento, qualidade de vida e melhor desempenho profissional no futuro”        , afirma.

Todos os equipamentos foram previamente selecionados e avaliados por educadores.

Construtores na cultura maker

A criatividade dos pequenos também é estimulada na Escola do Futuro da Tapera, unidade educativa da rede municipal de ensino de Florianópolis, onde os estudantes de 1º ao 5º ano têm aulas fixas semanais do componente curricular Maker, que compreende o ensino da robótica, com a professora Helena Viana Fraga Becker.

A Cultura Maker é um movimento de incentivo à criação de instrumentos para aplicação própria, usando a criatividade e produtos já em seu poder para isso. Em outras palavras, é colocar as mãos na massa para desenvolver ideias na prática. No caso das crianças da rede municipal de ensino de Florianópolis, as turmas são desafiadas a conceber robôs, carrinhos, casas, formar letras e números utilizando o material disponível, como sucata.

Para não deixar ninguém de fora, a escola imprimiu o kit maker na impressora 3D para os estudantes que estão 100% no ensino remoto. A medida possibilita que essas crianças  tenham acesso a um material de montagem similar ao que está sendo oferecido àqueles com atividades presenciais.

Escola do Futuro da Tapera inclui o componente curricular Maker, que compreende o ensino da robótica – Foto: PMF/Divulgação/NDEscola do Futuro da Tapera inclui o componente curricular Maker, que compreende o ensino da robótica – Foto: PMF/Divulgação/ND

Ensino de robótica

Os desafios são mediados durante as aulas remotas junto à professora de maker. Também idealizaram e construíram robôs com sucata.

Para os estudantes de 4º e 5º ano as aulas que ensinam robótica envolvem igualmente a montagem de material e programação da “placa Arduino” (plataforma de prototipagem) para mover um motor.

Conseguem fazer uma empilhadeira levantar e subir, um moinho mover, acender um LED, tudo isso com a prática da programação.

As aulas de maker que ensinam robótica para quem está 100% remoto envolvem a construção de circuitos eletrônicos através da ferramenta “Tinkercad”. Os estudantes também programam o “Arduino” pela ferramenta. Neste caso, porém, o Arduino e demais componentes são virtuais. Os estudantes, nessa situação, conseguem aprender sem ter os componentes físicos disponíveis em casa.

Para a professora Helena Viana Fraga Becker, o ensino da robótica e programação convida os estudantes a pensarem de que modo eles podem aplicar a tecnologia no mundo real para resolver algum problema real.  “Os estudantes tornam-se construtores de invenções, exercendo protagonismo na criação das atividades, deixando de ser somente consumidores de tecnologia e passando a ser criadores”, explica.

Os desafios são mediados durante as aulas remotas junto à professora de maker – Foto: PMF/Divulgação/NDOs desafios são mediados durante as aulas remotas junto à professora de maker – Foto: PMF/Divulgação/ND

Despertar do interesse pela tecnologia

A cultura maker desenvolve habilidades necessárias para se viver em uma sociedade cada vez mais tecnológica, lembra Melize Daniel, diretora da Escola do Futuro. “O que tem despertado cada vez mais a necessidade de novos paradigmas de alfabetismos e letramentos e acesso ao conhecimento através de dispositivos móveis conectados e da lógica ‘mão na massa’”, enfatiza.

Conforme o secretário de Educação da Capital, Mauricio Fernandes Pereira, o objetivo é ampliar o interesse dos estudantes pelas tecnologias e pelo fazer, possibilitando que o acesso ao conhecimento seja aumentado a partir da experimentação e criação em plataformas digitais, em prototipagem e elaboração de projetos individuais e coletivos.

“Tudo isso, levando em consideração a criatividade, a autonomia e o protagonismo na busca por mudanças de suas realidades”, reforça.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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Prefeitura de Florianópolis

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