Fila de espera por creches deve diminuir, mas pais ainda aguardam obras e vagas na Capital

Prefeitura promete inaugurar cinco creches ainda no primeiro semestre deste ano

O ano letivo de 2019 está próximo de começar e o auxiliar contábil Jean Carlos da Silva Scheffer ainda não sabe se conseguirá uma vaga para o filho de três anos em uma creche da rede municipal de Florianópolis. Morador do Rio Vermelho, ele reside ao lado de uma creche que teve as obras paralisadas em 2016. Há dois anos, ele e a mulher, professora, gastam R$ 800 por mês para custear uma creche particular para o filho. “Esse problema da creche no Red Park está se arrastando. Em março abre outra listagem e, se eu não conseguir vaga, vamos acionar o Ministério Público”, afirma Jean.

Essa foi o caminho encontrado por outros pais em 2018, que resultaram em 380 mandados judiciais cumpridos pela prefeitura de Florianópolis e que garantiram acesso à rede municipal de Educação Infantil formada por 88 unidades de Educação Infantil, os chamados NEIM (Núcleo de Educação Infantil Municipal), dos quais 78 são independentes e 10 vinculados a escolas municipais.  A solução para o filho de Jean pode ser uma das quatro salas que serão construídas em caráter emergencial ao lado da creche Lausimar Maria Laus, também no Rio Vermelho.

Associação de Moradores do Rio Vermelho e pais aguardam retomada de obra na creche do Red Park - Foto: Marco Santiago/ND
Associação de Moradores do Rio Vermelho e pais aguardam retomada de obra na creche do Red Park – Foto: Marco Santiago/ND

De acordo com o secretário em exercício, Luciano Formighieri, as quatro salas projetadas em madeira e equipadas com climatização devem começar a ser construídas em fevereiro, com prazo de 60 dias para conclusão. “Estamos apenas aguardando autorização do comitê gestor para começar a obra, que não necessita dos trâmites burocráticos de licitação por se tratar de uma obra emergencial”, ressalta. As quatro salas deverão oferecer em torno de 100 vagas a partir de março, suprindo parte da demanda da região, estimada em 150 vagas.

Ainda de acordo com a secretaria municipal de Educação, em janeiro de 2017 existiam 3.872 crianças na fila de espera da Educação Infantil. Ao final do ano de 2018, esse número caiu para 1.184 crianças. Para 2019, a expectativa é de começar o ano letivo com cerca de 800 crianças na fila de espera. “Não olhamos a educação apenas para um bairro, mas como um todo”, declara Formighieri.

Já a creche do Red Park, localizada ao lado da casa de Jean, deverá passar por nova licitação. A obra é um dos 20 projetos que estavam abandonados e foram herdados pela atual gestão. “Conseguimos destravar esse projeto na semana passada. A empresa antiga enfrentou dificuldades e aceitou fazer uma rescisão amigável. Dos 20 projetos, 16 já foram destravados”, explica Formighieri. Um novo edital de licitação para a obra deve ser lançado nos próximos dias, e a prefeitura tem recursos em caixa para concluir a creche. “É uma obra de R$ 2,5 milhões, mas para fixar um prazo é preciso aguardar a nova empresa que irá assumir a obra”, justifica Formighieri.

O secretário em exercício também destaca que a fila do município para Educação Infantil é a menor entre as capitais do Brasil e inferior também a das vizinhas Palhoça e São José, e de cidades como Joinville e Blumenau. “Tivemos grandes avanços e a expectativa é de que tenhamos menos mandados judiciais para cumprir em 2019”, completa. Das 10 novas unidades de educação infantil em construção, cinco delas devem ser inauguradas no primeiro semestre de 2019: Capoeiras, Vila Aparecida, Rio Tavares, Santa Vitória e Tapera. As cinco creches devem oferecer mais de mil vagas.

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