Governo diz que greve dos professores permanece com 3% de adesão, mas Sinte-SC aposta em 30%

Números divergem desde o primeiro dia do movimento. Governo diz que só negocia com o fim da paralisação

Marco Santiago/ND

Mobilizações em frente ao IEE (Instituto Estadual de Educação) aconteceram nesta quarta

O Governo do Estado avaliou a greve dos professores da rede pública de ensino estável no terceiro dia do movimento. Algumas escolas tiveram aumento da adesão, outras diminuição, por isso o índice divulgado pela administração estadual permanece 3%. Entretanto, o Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina) garantiu, em coletiva de imprensa com o comando de greve na tarde desta quarta-feira (25), que 30% dos professores já se juntaram ao movimento. A expectativa é o que número dobre no dia 2 de maio, data que marca o final do bimestre escolar. O secretário de Estado de Educação, Eduardo Deschamps, reforçou que os pais devem levar os filhos para as escolas. As atividades escolares estão sendo mantidas.

Os professores reforçaram que querem continuar negociando com o governo. Na tarde de ontem, depois de reunião do comando de greve, 60 membros foram até o Centro Administrativo protocolar pedido da audiência com o governador. “Já que o secretário não quer negociar, vamos tentar de outras formas”, disse Alvete Bedin, coordenadora estadual do Sinte. De acordo com ela, o sindicato encaminhou diversos pedidos de reuniões com Deschamps e não foi atendido. O secretário reafirmou que o Governo mantém a postura de não negociar enquanto houver paralisação. “Um dia depois que acabar a greve vamos marcar a primeira audiência com a categoria”, garantiu.

Além da falta de um avanço nas conversas sobre a tabela salarial da categoria, os professores reclamam que está acontecendo ameaças contra profissionais que querem aderir ao movimento e que o Sinte está sendo impedido de entrar nas escolas. “Os ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) estão sendo obrigados a assinar papéis dizendo que não vão escolher aulas no ano que vem. Estamos buscando saídas jurídicas para essa situação”, explicou Alvete. Deschamps disse que desconhece a situação de ameaças nas escolas. “A posição do Governo é que os diretores garantem as aulas. A entrada pode ocorrer se não houver prejuízos para os alunos”, justificou.

Em Florianópolis, o Sinte garantiu que a adesão chega a 55%. Na próxima quinta-feira, o sindicato agendou dois grandes atos macrorregionais que acontecem na Capital e em Chapecó, no Oeste do Estado. Outras atividades relacionadas à greve serão construídas dentro das 30 regionais do sindicato.

Entenda a greve

– 13 de março: Governo apresentou primeira proposta de reajuste, vigente até hoje. Todos que recebiam menos que o piso, R$ 1,450,87, passaram a receber o valor, que equivalia ao reajuste de 22,22%. O restante dos profissionais receberiam aumento de salário parcelado com primeira mudança, de 8%, em maio de 2012 e as demais entre 2013 e 2014, com percentuais a serem definidos com a categoria. Os valores retroativos a janeiro e fevereiro, seriam parcelados entre julho e setembro de 2012.

– 16 de março: Professores rejeitaram proposta em assembleia estadual da categoria. Aprovaram greve a partir do dia 17 de abril, dia da próxima assembleia estadual, caso o governo não apresentasse nova proposta que descompactasse a tabela salarial e garantisse reajuste de 22,22% para todos os profissionais sem parcelamentos.

– Entre 9 e 13 de abril: Sinte e governo se reúnem para estudar uma nova proposta para a categoria.

– 16 de abril: Governo entrega nova proposta. Uma nova tabela, elaborada com a base em estudos feitos pelo Sinte-SC, previa reajustes com diferentes percentuais e parcelados em cinco vezes, até dezembro de 2013. Houve diminuição dos níveis para com seis – que indicam a formação do profissional – e aumento das referências para dez – que viabilizam a progressão salarial diante dos anos de trabalho.

– 17 de abril: Professores votam, por unanimidade, contra a proposta do governo e decidem começar a greve na educação a partir do dia 23.

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