Grafites transformam muros e fachadas das unidades educativas de Florianópolis

Arte valoriza a cultura local e temáticas importantes para a sociedade, além de aumentar a autoestima de estudantes e professores

Do pesquisador da cultura açoriana e criador dos seres fantásticos conhecidos hoje em todo o Brasil, Franklin Cascaes, a uma das três primeiras mulheres a serem eleitas parlamentares no país, Antonieta de Barros, e aos versos e o retrato de um dos mais importantes poetas nacionais, criador do simbolismo, Cruz e Sousa.

No Neim (Núcleo de Educação Infantil) Waldemar da Silva Filho, localizado no bairro Trindade, foram feitas artes em homenagem ao “Rancho do Amor à Ilha” – Foto: PMF/Divulgação/NDNo Neim (Núcleo de Educação Infantil) Waldemar da Silva Filho, localizado no bairro Trindade, foram feitas artes em homenagem ao “Rancho do Amor à Ilha” – Foto: PMF/Divulgação/ND

Estes e outras importantes figuras da história e do folclore da Capital foram imortalizados nas ruas e prédios do município pelos contornos do grafite, arte que colore cidades em todo mundo desde a década de 1970 e que ganhou visibilidade em Florianópolis há pelo menos quatro anos, quando enormes painéis e obras dos vários artistas locais passaram a se multiplicar na cidade.

Desde setembro de 2021, a diversidade de traços e estilos e a intervenção artística do grafite passaram também a embelezar e mudar o visual dos muros e fachadas das unidades educativas de Florianópolis. Os temas, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, são os mais variados: boi de mamão, o hino da Capital, brincadeiras, educação étnico-racial, tecnologia, sustentabilidade, pesca.  Cada traço feito tem uma história a ser contada.

De acordo com secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, 13 unidades já receberam os grafites. Ele ressalta ainda que a comunidade decide o que será projetado nas escolas e NEIs (núcleos de educação infantil).

“Um ambiente agradável é um fator muito importante para a construção da autoestima dos estudantes, dos professores e da comunidade escolar. Na prática, ambientes limpos, organizados e pensados para estimular o bem-estar certamente são muito mais bem vistos por todos”, ressalta.

Homenagem ao poeta

Em uma das unidades que já receberam as obras, o Neim (Núcleo de Educação Infantil) Waldemar da Silva Filho, localizado no bairro Trindade, foram feitas artes em homenagem ao “Rancho do Amor à Ilha”. Na obra é possível identificar os elementos que compõem o hino de Florianópolis por meio das figuras de rendeiras, da figueira, de uma pessoa lendo jornal, uma criança rindo, de pássaros e uma moça faceira. Há ainda frases da música espalhadas pelo muro, como “um pedacinho de terra perdido no mar”, “um pedacinho de terra beleza sem par” e “Jamais a natureza reuniu tanta beleza”.

A diretora da unidade educativa, Marcia Knoblauch, conta que a escolha do tema tem tudo a ver com o patrono do Neim. Waldemar Joaquim da Silva Filho, o Caruso, então, vereador, foi o autor, em 1968, do projeto de lei que transformou a canção do poeta Zininho em hino de Florianópolis. “O nosso Neim está mais bonito e respirando mais cultura”, reforça ela.

Já os estudantes, pais e visitantes do Neim Orlandina Cordeiro (Saco Grande) agora convivem, no dia a dia, com personagens da cultura e tradição açoriana, como a bernunça, o  boi de mamão, a maricota, a cabra, o cavalo e o urubu, ilustrados no local pelo grafite.

Obra destaca a importância do brincar para as crianças

Em outra intervenção, essa realizada no Neim Doralice Teodora Bastos, em  Canasvieiras, as brincadeiras são a essência das pinturas. Há criança no balanço, com borboletas, puxando carrinho,  olhando pássaros, soltando bolinhas de sabão. No grafite também está as boas-vindas aos alunos.

“O importante na educação infantil é o brincar”, diz a diretora Claudia de Almeida. Há duas frases nos muros: “Bem-vindo ao seu território, agora nosso lugar” e “brincar é um desejo de viver por completo”.

Já O Neim Vicentina Maria da Costa Laurindo (Vargem Pequena), optou pela educação étnico-racial.

Tecnologia, história e patrimônio da Ilha

No Neim Doralice Maria Dias (Vargem do Bom Jesus), considerada a creche do futuro, as temáticas envolvem tecnologia e palavras como conhecimento, criatividade, inteligência, identidade, pertencimento, descoberta, inovação, investigação, aprendizado, oportunidade, autonomia.

O Núcleo de Educação Infantil Clair Gruber Souza (Canasvieras) apostou em vários temas. Há a figura do Pequeno Príncipe, a Ponte Hercílio Luz, o Mercado Público, pescador e rendeira. Há ainda frutas, como pera, abacaxi e banana. Também foram pintadas pessoas afros, indígenas e brancas, além de animais reais e mitológicos como o bicho-preguiça, unicórnio e ilhama.

A diretora Andreia Vanessa relata que o artista Luciano Martins, de forma voluntária, aceitou fazer o layout das pinturas. “ Tudo ficou um sonho”, ressalta.

EBM Luiz Candido da Luz (Vargem do Bom Jesus) focou na cultura da pesca, na arquitetura da Ilha e na fauna marinha – Foto: PMF/Divulgação/NDEBM Luiz Candido da Luz (Vargem do Bom Jesus) focou na cultura da pesca, na arquitetura da Ilha e na fauna marinha – Foto: PMF/Divulgação/ND

A sustentabilidade e a importância e necessidade urgente da preservação dos recursos naturais, da destinação correta dos resíduos e a acessibilidade também estão presentes nos grafites da Escola Básica Municipal João Alfredo Rohr (Córrego Grande)

A EBM Luiz Candido da Luz (Vargem do Bom Jesus) focou na cultura da pesca, na arquitetura da Ilha e na fauna marinha. O secretário de Educação da Capital destaca que por detrás de cada traço, há uma história a ser contada, uma estética.

“As pichações são pinturas sem autorização, diferentemente dos grafites, que possuem respaldo da lei e da sociedade. Muito do que nós somos, independentemente de fatores genéticos, é resultado do contato que temos com o meio em que vivemos e das pessoas com as quais nos relacionamos durante toda a vida.   Ao recuperar a estética dos muros das creches e escolas estamos indo além do perímetro de privacidade e proteção. A grafitagem abrirá um diálogo com a comunidade, em que o conhecimento ultrapassará os limites do paredão frio que às vezes é utilizado para a pichação, que expressa um ponto de vista individualizado. Os muros serão painéis para a recepção, emissão e difusão de vários registros pictóricos que impactarão na comunidade”, afirma Maurício Fernandes Pereira.

Unidades onde as obras já foram realizadas

Neim Orlandina Cordeiro

NEIM Waldemar da Silva Filho

Neim Vicentina Maria da Costa Laurindo

Neim Doralice Teodora Bastos

EBM João Alfredo Rohr

Neim Clair Gruber Souza

EBM Luiz Cândido da Luz

Neim Doralice Maria Dias

Neim Santo Antônio de Pádua

NEIM Paulo Michels

NEIM Costeira

NEIM Morro da Queimada

EBM José do Valle Pereira

A sustentabilidade e a importância e necessidade urgente da preservação dos recursos naturais, da destinação correta dos resíduos e a acessibilidade  estão presentes nos grafites da Escola Básica Municipal João Alfredo Rohr – Foto: PMF/Divulgação/NDA sustentabilidade e a importância e necessidade urgente da preservação dos recursos naturais, da destinação correta dos resíduos e a acessibilidade  estão presentes nos grafites da Escola Básica Municipal João Alfredo Rohr – Foto: PMF/Divulgação/ND

Sobre o grafite

Há relatos e vestígios dessa arte desde o Império Romano. Na Idade Contemporânea, há registros do grafite desde a década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quando jovens passaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade.  Mais tarde, o trabalho evoluiu com técnicas e desenhos.

O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, particularmente ao hip hop. Para esse movimento, o grafite expressa a realidade das ruas.

No Brasil, essa arte chegou no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros, então, incrementaram a pintura e o movimento com seu estilo único,   reconhecido entre os melhores do mundo.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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Prefeitura de Florianópolis

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