Grupo desenvolve protocolo para retorno de aulas da Educação Infantil em SC

Entre as medidas estão rodízio de crianças em sala de aula; desinfecção de ambientes, medicação de temperatura e utilização de álcool em gel

Um grupo formado por 300 educadores e pedagogos de Florianópolis e Joinville desenvolveu um protocolo para o retorno da educação infantil. Sua execução seria feita a partir do dia 2 de agosto, data em que acaba a suspensão das aulas no estado prevista pelo nº 630.

Aulas estão suspensas desde março em Santa Catarina – Foto: Max Klingensmith/Flickr/NDAulas estão suspensas desde março em Santa Catarina – Foto: Max Klingensmith/Flickr/ND

O protocolo se baseia em um estudo organizado pela Associação Francesa de Pediatria ambulatorial. Ele foi realizado por pediatras com 605 crianças de menos de 15 anos na região metropolitana de Paris. O resultado da pesquisa foi publicado nos jornais “Le Parisien” e “Le Monde” no dia 4 de junho.

Segundo o estudo, ao contrário do que se pensava, as crianças não são um vetor de contágio do novo coronavírus. Elas são menos contagiosas e menos contaminadas pelo vírus do que os adultos.

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Mediante o novo estudo e pesquisas que apontam efeitos psicológicos, mentais e sociais graves por conta do isolamento social, o grupo de educadores criou o protocolo. Ele é pautado ainda em recomendações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“A ideia é priorizar as crianças cujos pais estejam trabalhando e não têm com quem deixá-las e crianças que estejam sofrendo mais com o isolamento social. Quem puder manter as crianças em casa, pode optar por continuar com aulas e atividades de forma on-line”, explica a diretora educacional Carol Diener, uma das coordenadoras da iniciativa.

Protocolo prevê rodízio de alunos

O plano contempla medidas de segurança para um retorno gradual das aulas, com redução do número de crianças em sala de aula através de um rodízio na semana, desinfecção e higienização, medição de temperatura, utilização de álcool gel e treinamento lúdico com os alunos.

Pela proposta, as aulas na educação infantil iniciaram com treinamento lúdico das crianças para as medidas de proteção. Para além da escola, o plano inclui monitoramento das ações preventivas com toda a família.

Confira algumas ações apresentadas na proposta

  • Uso obrigatório de máscaras por todo o corpo técnico da escola e com uso facultativo para crianças acima de dois anos;
  • Higienização dos calçados de todos com espuma apropriada para desinfecção;
  • Acompanhamento individual e higienização do aluno na ida ao banheiro;
  • Desobrigação do uso do uniforme escolar para facilitar o uso de novo vestuário higienizado a cada dia.

“A retomada será pautada na responsabilidade, com medidas de segurança sanitária e protocolos de higiene, e de forma gradual. Num primeiro momento haverá a redução substancial de alunos em sala de aula viabilizado através de um rodízio em que as crianças não teriam aulas presenciais todos os dias da semana, mas seria garantido pelo menos uma aula presencial semanal. Além das medidas de distanciamento social, as escolas querem adotar medidas educativas, de limpeza e desinfecção dos ambientes”, explica Carol Diener.

“É importante frisar que estamos disponíveis para debater com responsabilidade todos os pontos do protocolo com os órgãos de educação e para planejar junto com as autoridades públicas todos esses cuidados”, destaca. O documento “Protocolo de Retorno da Educação Infantil”, segundo o grupo, foi encaminhado a Secretaria de Educação.

A Secretaria não confirmou à reportagem o recebimento do protocolo.

05 Comentários

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  • Dcl
    Dcl
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    https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-06-17/colocar-20-criancas-numa-sala-de-aula-implica-em-808-contatos-cruzados-em-dois-dias-alerta-universidade.html
  • Analista
    Analista
    Se a ideia desse grupo (que deve ser de escola particular, pressionados pelos patrões...) é priorizar os pais que estão trabalhando e não tem com quem deixar o filho eu apoio pois entendo que como um bom pai que sou que a escola é o "depósito de aluno" ... e mesmo que meu filho(a) venha a adoecer. Se adoecer culpo o corpo docente, dirigentes, município, estado, o dono da creche a tia da cantina o Queiróz o PT, enfim, todos envolvidos. Se for um professor lamento mas são ossos do ofício. E no dia que meu filho (a) tiver caído no rodízio, que o professor esteja disponível para acompanhar online, inclusive fim de semana pois preciso descansar... Entendo a realidade que estamos passando, mas esse é um debate muito amplo e precisa ser levado em consideração por pais, especialistas (imparciais) da área de saúde, corpo docente ( que fica na linha de frente) e não um grupo reduzido de especialistas a qual nos põe em dúvida sua imparcialidade. Sds
  • Denisia
    Denisia
    Como assim? Crianças menores de 15 anos?Tem alguma coisa errada ou tendenciosa aí. Educação infantil, que falamos aqui no Brasil são as creches, ou qualquer outra nomenclatura usada por estados e municípios. E nessa modalidade, são crianças de 0 a 6 anos. Não é muito difícil de saber que entre 15 anos a educação infantil é uma distancia muito grande. Não é muito difícil de saber que Crianças bem pequenas terão muita dificuldade ou não conseguirão se manter distantes umas das outras e muito menos das (dos) profissionais que as atendem. Que é muito difícil manter uma assepsia necessária quando tem criança que apresenta secreção no nariz o ano inteiro e que essa época do ano só piora. Outra questão é, o fato de as crianças serem menos transmissoras, não significa que as mesmas não transmitem o vírus. Eu só espero que quem quer que seja, que esteja pensando e fazendo esse protocolo foque muito bem na realidade brasileira, que é muito diferente da realidade dos países europeus.

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