Homem superdotado diz que sofreu preconceito na escola: ‘professores não sabiam lidar comigo’

Segundo psicóloga, a falta de qualificação da equipe pedagógica dificulta o processo de inclusão nas instituições de ensino

Maxwell dos Santos, 36 anos, mora na cidade de Vitória (ES) e tem o diagnóstico de SD (Superdotação) ou AH (Altas Habilidades). O perfil de superdotação chamou atenção ainda na infância. “Foi a partir dos meus 2 anos de idade, quando eu comecei a ler”, inicia.

Homem superdotado diz que sofreu preconceito na escola – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDHomem superdotado diz que sofreu preconceito na escola – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Na época, Santos contou que a escola percebeu o seu rápido processo de aprendizado e então ele foi encaminhado para uma sala especial. As informações são do Portal R7.

“Me lembro de em alguns momentos na escola sentir falta de uma estrutura sólida que me compreendesse. Os professores não sabiam lidar comigo”, conta.

Maxwell diz que chegou a sofrer preconceito pelos educadores, que, por vezes, interpretavam seu comportamento como inadequado em sala de aula.

Atualmente, ele é professor voluntário em cursinhos populares de pré-vestibular, além de ser funcionário público pela prefeitura de Cariacica, na Grande Vitória.

SD no Brasil

Maxwell faz parte de um pequeno grupo de pessoas com SD. No Brasil, há 24.424 estudantes com perfil de AH ou SD matriculados na educação especial, revelam os dados do Censo Escolar 2020.

Maxwell dos Santos tem superdotação – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/Portal R7/NDMaxwell dos Santos tem superdotação – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/Portal R7/ND

Entretanto, segundo o MEC (Ministério da Educação), se forem considerados os mais de 47 milhões de alunos da educação básica, cerca 2,3 milhões de estudantes compõem o grupo de alunos diagnosticados com SD ou AH.

Para a coordenadora interdisciplinar da Arte Pisco, a psicóloga Eloize Franco, a falta de recursos e qualificação da equipe pedagógica dificulta o processo de inclusão nas escolas.

“Hoje em dia é muito difícil encontrar profissionais da educação qualificados para atender a demanda desses estudantes”, diz.

Ainda de acordo com Franco, é preciso se reinventar e identificar possibilidades por meio de novos processos de ensino-aprendizagem para que surja a motivação e haja maior aprendizado.

“O professor precisa entender a forma como esses alunos aprendem, quais as dificuldades deles e por que aprendem dessa forma, mas a falta de conhecimento dificulta o processo de inclusão. Sem essa qualificação, os professores não aprendem. O ambiente escolar não vai gerar aprendizagem”, explica.

O diagnóstico de SD ou AH é feito, normalmente, por um neurologista a partir dos 6 anos de idade, mas isso pode acontecer mais cedo. Para descobrir os casos de SD, são usados instrumentos de identificação como testes psicométricos, escalas de características, questionários, análise de comportamento e entrevistas com familiares e equipe escolar.

A psicóloga destaca algumas características entre as pessoas com diagnóstico, tais como aprendizado rápido, independência na realização de tarefas, alta capacidade de memorização, bom vocabulário e rendimento excepcional.

Segundo a classificação da escala Wechsler, o primeiro teste de QI desenvolvido para adultos entre 1896 e 1981 por David Wechsler, QI (Quociente de Inteligência) acima de 130 pontos equivale a superdotação.

No Brasil, um menino de 5 anos é o brasileiro mais novo a entrar para o clube mundial de pessoas com alto QI. Segundo os especialistas que avaliaram o pequeno gênio, a capacidade intelectual dele é de um adolescente de 15 anos.

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