Indecisão entre professores quanto à greve marcada para segunda-feira

Expectativa da Secretaria da Educação é por menor adesão em relação a 2011

Marco Santiago/ND

Na EEB Francisco Tolentino, em São José, o diretor Francisco Marchi acredita que apenas na terça-feira será possível avaliar o impacto da greve 

Os diretores das escolas Estaduais da Grande Florianópolis precisarão administrar a greve, decidida pelo Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), a partir da próxima segunda-feira. Alguns já estão reorganizando os horários das aulas para garantir o estudo, mas a maioria segue com o calendário normal e aguarda orientações da Secretaria de Estado da Educação. Muitos professores ainda estão indecisos sobre a greve.

No Instituto Estadual de Educação (IEE), os estudantes provavelmente terão que adiantar conteúdo com os professores presentes. A intenção é preencher os horários que ficariam vagos para que não haja tempo ocioso. Segundo o diretor Vendelin Santo Borguezon, dos 250 professores, é certo que pelo menos 80 vão trabalhar normalmente. Da 1ª à 5ª série, nenhum professor vai parar. Os outros não decidiram. “Vamos remanejar para que os efeitos da greve sejam minimizados. Garantiremos os direitos dos alunos e de quem quer dar aula”, assegurou Borguezon.

Para o diretor da Escola de Educação Básica Simão José Hess, na Trindade, Nazareno José Manoel Martins, o planejamento vai ser construído ao longo da semana. Até agora, quatro professores confirmaram greve na escola que atende 1.200 alunos. “Os alunos devem vir normalmente. Se até dez professores aderirem à greve dá para equilibrar. Neste ano, diferente de 2011, os professores estão desanimados”, afirmou Martins.

Os alunos da Escola de Educação Básica Muquem, no Rio Vermelho, na Capital, podem ficar tranquilos, pois, segundo a diretora Patrícia Brognoli e Silva, só uma professora irá parar. A escola atende 620 estudantes e conta com 24 educadores. “A professora escreverá um comunicado aos pais explicando seus motivos. Nós deixamos livre. Acredito que não teremos problemas”, disse.

“Greve de sindicato

O secretário de Estado da Educação, Eduardo Deschamps, informou que hoje haverá uma videoconferência com os diretores das escolas para tirar dúvidas e saber como está a situação de cada região. Deschamps afirmou, novamente, que enquanto houver greve não há negociação. O governo trabalha acreditando que a adesão dos professores será pequena. Ele garantiu que irá manter o funcionamento das escolas. 

“Com a categoria parada, não é produtivo, a greve se estende. Nós já estávamos negociando e eles interromperam esse processo. A única leitura que eu posso ter dessa greve é que há uma motivação eleitoral, vejo uma greve de sindicato e não de categoria”, afirmou Deschamps.

Sinte esperar negociar

O impasse entre sindicato e governo se mantém. A vice-coordenadora estadual do Sinte-SC, Janete Jane da Silva, informou que o sindicato notificou o governo sobre a greve e a rejeição da proposta do Estado.“Não tem volta, mas até lá estamos abertos para negociação. Quem disse que não vai negociar foi o governo. Só não podemos obrigá-los a nos receber”, afirmou.

Na segunda-feira, haverá assembleia nas 30 regionais do sindicato para discutir a situação. Cada região irá escolher um representante e um suplente. Na
quarta-feira, os representantes irão participar da primeira reunião do comando de greve, em Florianópolis. A intenção é reunir o que foi discutido nas assembleias e estimar a quantidade de grevistas.

Palhoça e São José prometem manter as aulas

A Escola Irmã Maria Teresa, no bairro Ponte do Imaruim, em Palhoça, com 65 professores, atende 1.500 alunos. Cerca de 50%, dos 65 professores devem parar. De acordo com a assessora da direção, Luciana Adada dos Santos, a escola aguarda reunião com a Secretaria de Educação para saber como proceder.

A situação em São José é uma incógnita para o diretor Francisco Marchi, da Escola de Educação Básica Francisco Tolentino. A única garantia é que os 570 alunos terão aula na terça-feira para finalizar o período de provas. Na segunda, os professores fazem avaliação da greve em assembleia regional.

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