Mãe de gêmeos se emociona ao lembrar do ataque em creche em SC: ‘não é fácil superar’

Francielly Wickert é mãe de Miguel Antônio e Maria Helena Wickert e, no dia da chacina, resolveu levar os filhos para casa antes de tudo acontecer

Passado um mês da chacina na creche Pró-Infância Aquarela, em Saudades, no Oeste catarinense, a mãe dos gêmeos Miguel Antônio e Maria Helena Wickert, de 1 ano e 6 meses, Francielly Wickert, ainda se emociona ao lembrar daquele 4 de maio.

Francielly Wickert, ainda se emociona ao lembrar daquele 4 de maio – Foto: Willian Ricardo/NDFrancielly Wickert, ainda se emociona ao lembrar daquele 4 de maio – Foto: Willian Ricardo/ND

Uma sequência de detalhes, como atraso em consulta médica e uma música de dormir, mudou o rumo da vida dos pequenos. Francielly chegou a levar os dois filhos na porta da sala, onde mais tarde um jovem de 18 anos matou duas professoras e três crianças. No entanto, decidiu retornar para casa com eles. Isso livrou os pequenos de estarem na mira do assassino.

O retorno às atividades

Apesar da angústia e insegurança após a tragédia, Miguel e Maria retornaram para a creche e a rotina voltou ao normal. “Ficamos abalados, mas acredito que para nós foi mais fácil voltar à rotina porque não tivemos a perda de nossos filhos, mas ainda temos aquele sentimento de dor porque não é fácil superar”, conta Francielly.

O retorno dos filhos à creche foi acompanhado por ela. Com o local seguro, a mãe acredita que só o tempo irá superar o que aconteceu em Saudades. “Ficamos na preocupação de levar eles de volta para a creche, mas eu vi que o local está bem seguro”, relata a mãe dos gêmeos.

Dia do ataque

Naquela terça-feira, Francielly estava de folga e resolveu levar os filhos para fazer exames médicos. Ela saiu do hospital por volta das 8h30 e, às 8h40 já estava na creche. A mãe levou os filhos até a sala em que estavam as outras crianças, mas decidiu levá-los para casa.

“Entramos na sala e vimos as outras crianças dormindo. Foi então que decidimos voltar para casa com eles. A única explicação de não ter deixado eles lá é Deus, que cuidou da gente nos mínimos detalhes”, agradece Francielly por seus filhos estarem vivos.

A mulher lembra que já estava em casa quando recebeu uma ligação do marido sobre o ataque. “Fazia uns 40 minutos que havíamos retornado da creche e o meu esposo já tinha ido para o trabalho. Foi ele que me ligou para saber se eu sabia o que tinha acontecido na creche. Foi então que descemos até lá e ficamos muito assustados”.

Gêmeos Miguel Antônio e Maria Helena Wickert, de 1 ano e 6 meses, foram levados para casa pela mãe antes do ataque – Foto: Willian Ricardo/NDGêmeos Miguel Antônio e Maria Helena Wickert, de 1 ano e 6 meses, foram levados para casa pela mãe antes do ataque – Foto: Willian Ricardo/ND

Retorno às aulas

As crianças voltaram à creche no dia 24 de maio. As escolas de Saudades tiveram as aulas suspensas após a chacina, porém gradualmente a rotina foi se restabelecendo.

A unidade escolar em que tudo aconteceu passou por uma grande reforma. A comunidade e clubes de serviços ajudaram na pintura, na jardinagem e também na sala de aula onde tudo aconteceu. O espaço se transformou em uma área de lazer.

Creche Pró-Infância Aquarela, em Saudades, foi revitalizada para receber novamente os alunos após o ataque. Felipe Kreush/NDTVCreche Pró-Infância Aquarela, em Saudades, foi revitalizada para receber novamente os alunos após o ataque. Felipe Kreush/NDTV

Nesse período em que as aulas estavam suspensas, a primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, visitou Saudades acompanhada da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL) e a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania).

Em outra oportunidade, o ministro da Educação Milton Ribeiro, conversou com familiares das vítimas do ataque a creche.

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