Meninas na tecnologia: como incentivá-las neste setor?

Conheça o projeto que incentiva e aproxima meninas da educação básica as áreas científicas e tecnológicas nas escolas municipais de Joinville

Impulsionar o protagonismo feminino e aproximar as meninas em Ciências e Tecnologia (C&T), ainda na educação básica, pode romper com tabus sociais do que é ou não coisa de menina.

Uma vez por mês, escola recebe oficina prática com equipe formada por professor e alunas bolsistas da UFSC – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensUma vez por mês, escola recebe oficina prática com equipe formada por professor e alunas bolsistas da UFSC – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Com incentivo e oportunidade dentro do próprio espaço educativo, os projetos desenvolvem a autoconfiança e a autoestima de adolescentes com aprendizagem prática nas áreas científicas e tecnológicas.

Com o intuito de apresentar, refletir e incentivar a participação de meninas na engenharia, professores e alunas bolsistas do campus Joinville da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Secretaria de Educação, têm levado para os espaços Join.Maker de duas Escolas Municipais (EM João Costa e EM Padre Valente Simioni) e três escolas estaduais oficinas que aproximam o contato de jovens estudantes nas áreas de ciência e engenharia.

Apoiado financeiramente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Edital Meninas na Ciência, Engenharia e Programação, o projeto reforça a metodologia Steam que integra uma combinação de Ciências, Engenharia, Tecnologia, Artes e Matemática dentro de uma série de oficinas.

No projeto, a abordagem passa por jogos educativos com apresentação de conceitos da Ciência e Tecnologia, principais fontes de energias renováveis, conceitos de empreendedorismo, manuseio de kits de arduino na robótica, introdução a programação até o lançamento de um satélite artificial dentro do tema aeroespacial.

“Às vezes, as pessoas pensam que a área de engenharia é só conta, mas não. Também tem algumas contas, mas aqui a gente tem um curso de Logística que não é só matemática que é envolvida, mas muitas outras coisas. A ideia de trabalhar com as meninas é mostrar que a engenharia não é um bicho de sete cabeças”, pontua Carlos Maurício Sacchelli, coordenador do projeto e professor na UFSC.

Além de incentivar a participação das meninas na engenharia, o projeto desenvolve, também, o olhar científico com levantamento de hipótese, testagem, pesquisa e leitura.

“Esse olhar, em qualquer áreas que elas forem, elas vão ter essa experiência. Imagina quando elas entrarem na universidade, a bagagem que elas têm? Independente da área que escolherem, o método científico é o mesmo”, aponta o professor Sacchelli.

A prioridade de desenvolver um projeto voltado apenas para meninas estudantes se dá pela defasagem de mulheres na engenharia, seja por receio de achar que não é uma área para elas, por desistir ao longo da graduação ou até mesmo por falta de conhecimento das ofertas e áreas de atuação.

Milena Coelho Brandenburg, 15 anos, aluna da Escola Municipal Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensMilena Coelho Brandenburg, 15 anos, aluna da Escola Municipal Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), existem pouco mais de 180 mil mulheres com registros ativos no Brasil, enquanto há quase 800 mil homens atuando na área. Isso significa que, na engenharia, apenas 19% das mulheres são atuantes.

Na Escola Municipal Padre Valente Simioni, as alunas Milena Coelho Brandenburg, 15, Gabriela Camilli Guedes, 14, e Emily de Jesus Estevão, 14, participam toda quinta-feira, no período da tarde, dos encontros virtuais e presenciais com a mediação de Gilmara dos Santos, professora integradora de mídia.

Atuantes na escola com participações em atividades de Alunos Digitais, as estudantes se sentem privilegiadas pela oportunidade de fazer parte de uma iniciativa que aproxima o ensino básico da universidade e começam a repensar sobre as profissões que desejam seguir no futuro.

“Eu queria ser professora de matemática, mas agora estou pensando em ser programadora”, comenta Gabriela. Com duração de pouco mais de um ano, todos os temas trabalhados apresentam e destacam a participação de mulheres e o papel importante que tiveram na História.

Apesar dos fatos históricos, a associação dos assuntos com a presença de mulheres impressiona até mesmo quem vive o ambiente escolar, como a professora Gilmara.

“O mais legal, vou dizer por mim, é que a gente está aprendendo que as mulheres participaram em diversas áreas e acontecimentos e tiveram papéis fundamentais, mas a gente não sabia.”

Mulheres apoiam mulheres

Emily de Jesus Estevão, 14 anos, aluna da Escola Municipal Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensEmily de Jesus Estevão, 14 anos, aluna da Escola Municipal Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

É muito comum quando se pensa sobre qual profissão seguir, escolher aquelas que fazem parte ou são próximas da realidade de cada um.

Estudante de Engenharia de Transporte e Logística e bolsista do projeto, Letícia Luiza Cardoso diz que olhava como possibilidade de profissão o trabalho de sua mãe, por conta de ser a mulher de referência da sua vida.

Até que teve a oportunidade de trabalhar como Jovem Aprendiz em uma multinacional na área de logística e resolveu mudar de graduação e pensar em outras possibilidades de carreira profissional.

“A minha mãe é da área do comércio. Comecei a minha graduação em Gestão Comercial, estava indo para essa área e só na multinacional que eu tive contato com mulheres engenheiras e foi onde comecei a ver de um jeito diferente”, relembra.

“O meu pai é dessa área, mas mesmo assim, eu não via isso, porque a minha mãe não é dessa área e a gente começa, às vezes, a se espelhar: ela é mulher e a gente se espelha em outras mulheres.”

Assim como Letícia, Milena Coelho Brandenburg, 15, aluna do nono ano da Escola Municipal Padre Valente Simioni, também se inspirava nas escolhas profissionais de sua mãe. “Eu pensava em fazer enfermagem, porque a minha mãe estuda. Eu sempre pensei em seguir, mas agora estou repensando por conta do projeto.”

Aproximar a universidade das escolas com projetos que desmistificam áreas majoritariamente formada por homens – com apoio e envolvimento de mulheres – reforça que áreas como Ciências e Tecnologia são plurais.

“O legal que eu acho do projeto é o fato de que as próprias alunas bolsistas preparam e mostram para as meninas o que fazem na universidade. Então, passar um pouco do conhecimento que a gente tem agora para que elas tenham noção do que vão ver mais para frente, é muito interessante”, conclui Letícia.

4 mulheres incríveis que revolucionaram a História

Buscar na memória e identificar a importância do papel das mulheres em marcos revolucionários não é tão simples pelo fato de que, na maioria das vezes, as posições que ocupavam eram ocultadas ou até duvidosas, já que elas não eram vistas como capacitadas e competentes em um meio predominantemente masculino.

Para além de lembrar e refletir sobre o assunto apenas no Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, separamos quatro dos diversos trabalhos feitos por mulheres incríveis na História e em diversas áreas.

Veja se você conhece algumas delas:

  • Hedy Lamarr: responsável pela criação de um sistema de comunicação que enviava mensagens para os militares dos Estados Unidos, durante o período da Segunda Guerra Mundial. A sua invenção foi precursora para o desenvolvimento de tecnologias que usamos até os dias de hoje: a conexão wireless, o famoso Wi-Fi.
  • Ada Lovelace: se a programação tem nos facilitado a vida e atuado em tantas áreas, isso só foi possível porque esta mulher escreveu o primeiro algoritmo do mundo adaptado para uso em computador.
  • Maria Beasley: em desenho, filme ou na vida real, você já deve ter visto um bote salva-vidas, certo? Pois saiba que ele foi criado por esta mulher depois de se impactar com pessoas que morriam todos os anos por conta de acidentes marítimos.
  • Letitia Geer: já que o assunto do momento é a vacina, você sabia que foi esta mulher quem desenvolveu a seringa? Por conta dela, a base da aplicação pode ser feita de uma forma simples, rápida e com apenas uma mão.

Mas, de olho no futuro, qual vai ser a revolução das profissões?

Gilmara dos Santos, professora integradora de mídia do projeto – Foto: Leve Fotografia com PropósitoGilmara dos Santos, professora integradora de mídia do projeto – Foto: Leve Fotografia com Propósito

Imagine você ter a opção de remover memórias negativas, superar traumas ou, quem sabe, melhorar a sua capacidade de memorização com chips computadorizados e tratamentos específicos com a união da neurociência e tecnologia?

Hoje, dentro da sua e da minha realidade, pode até soar estranho, mas acredite se quiser: em breve, no máximo dez anos, o cirurgião de memórias é uma das inúmeras profissões do futuro que está perto de se tornar realidade.

E isso só será possível por conta dos avanços tecnológicos que devem abrir um mundo de oportunidades com o surgimento de novas carreiras profissionais.

O curioso é que uma pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial revelou que mais de cinco milhões de empregos formais podem ser substituídos por máquinas até 2025. Ou seja, pode ser que a sua profissão nem surgiu ainda, mas você já pode ficar por dentro de quais serão as tendências para o mercado de trabalho nos próximos anos.

  • As apostas de segmentos que podem estar em alta nos próximos anos giram ao redor de qualificações nas áreas de engenharia, tecnologia, marketing, saúde, sustentabilidade, infraestrutura, recursos humanos e direito.
  • Se você já sabe qual profissão deseja seguir, pesquise sobre o mercado de trabalho, conheça as áreas de atuação e veja se, até o tempo de você se formar no Ensino Médio, essa carreira continuará sendo valorizada e quais são as apostas para ela no futuro.
  • Os robôs de inteligência artificial, a automação e os avanços da tecnologia vão, sim, mudar a realidade de muitas profissões que podem se extinguir nos próximos anos. Mas, por outro lado, nem tudo será apenas sobre conexão: os profissionais do futuro vão precisar desenvolver habilidades e competências como criatividade, senso crítico, liderança, empatia e diversos outros pontos importantes para as relações humanas. E isso tem a ver com o termo soft skills, já ouviu falar? Se é novo para você, isso é papo para um novo título.

Soft skills

Nesta foto, o encontro mensal do projeto foi feito na EM Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensNesta foto, o encontro mensal do projeto foi feito na EM Padre Valente Simioni – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

O termo em inglês, na verdade, quer dizer habilidades interpessoais. Ou seja, está diretamente ligada na relação e interação com as pessoas à sua volta.

Por não ser uma ferramenta técnica, não é um conteúdo que se ensina em sala de aula de forma direta, mas pode ser desenvolvido por meio do autoconhecimento. Com uma análise sincera sobre os seus pontos fortes e fracos, você vai saber onde pode melhorar e onde você lida com mais facilidade.

Fazer esse exercício se torna cada vez mais imprescindível para se desenvolver, primeiramente, na relação que você tem com você mesmo e, consequentemente, com as suas escolhas, carreira e relações.

Na hora de ir em busca de uma vaga no mercado de trabalho, os recrutadores avaliam o conhecimento e formações apresentadas no currículo, que tem relação com hard skills, mas dependendo para a área que você está sendo entrevistado, o que pode ser crucial para você ser escolhido tem a ver com as habilidades comportamentais.

Por isso, saiba o que você pode aprender a desenvolver o quanto antes:

  • Comunicação: crie o hábito de leitura, conheça novas palavras e se desenvolva na sua oratória.
  • Criatividade: aprenda a apreciar as artes, valorize as suas ideias e apoie as suas iniciativas.
  • Liderança: desenvolva sua função com ética e respeito e honestidade.
  • Resiliência: seja adaptável às situações, observe suas emoções e pensamentos.
  • Inteligência emocional: o autoconhecimento é uma das ferramentas que pode ajudar a desenvolver essa habilidade para você aprender a lidar com pressão. Desenvolver empatia e autoconfiança são diferenciais.

E hard skills, o que é?

Se soft skills estão relacionadas ao comportamento de cada pessoa, hard skills têm relação com as competências técnicas que podem ser mensuráveis e desenvolvidas com mais rapidez, como conhecimento em ferramentas, cursos, graduação e que, inclusive, até pode ser avaliado por meio de testes feito em entrevistas de emprego ou diretamente nas empresas.

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