Morto aos 29 anos, relatos de curas tornam Marcelo Câmara candidato a santo

Escritora lançou livro sobre a vida exemplar e religiosa do professor universitário e promotor público, que morreu há dez anos e tem chance de ser beatificado

Uma missa em ação de graças realizada às 19h30 desta terça-feira (20) na Catedral Metropolitana, em Florianópolis, marcou o décimo aniversário de morte de Marcelo Henrique Câmara, professor universitário e promotor público cuja vida exemplar e extremamente religiosa, respaldada por testemunhos de graças alcançadas, levou ao início de um processo de santificação. O arcebispo dom Vilson Tadeu Jönck fez, na ocasião, o primeiro pronunciamento público e oficial da igreja sobre Marcelo Câmara e sua atuação junto a movimentos católicos como o Emaús e a Opus Dei, que marcaram muitos de seus membros. Após a cerimônia, no mesmo local, a analista judiciária Maria Zoé Bellani Lyra Espíndola lançou o livro “No caminho da santidade”, que relata a vida do professor e promotor.

O livro “No caminho da santidade” foi escrito pela analista judiciária Maria Zoé Bellani Lyra Espíndola - Marco Santiago/ND
O livro “No caminho da santidade” foi escrito pela analista judiciária Maria Zoé Bellani Lyra Espíndola – Marco Santiago/ND

Marcelo Câmara nasceu em 28 de junho de 1979, em Florianópolis, onde morreu em 20 de março de 2008, antes de completar 29 anos. “Ele foi diferente, especial e teve uma vida de entrega plena a Deus”, diz Maria Zoé Espíndola. No site marcelocamara.org.br há depoimentos de graças obtidas por pessoas que intercederam ao promotor precocemente falecido por conhecerem a sua trajetória e suas virtudes. São casos de curas de doenças ou de situações profissionais delicadas que foram resolvidas de forma inexplicável para os beneficiados, alguns de fora do Estado e do país. No cemitério do Itacorubi, onde o corpo foi enterrado, também há placas relatando graças alcançadas e cada vez mais pessoas que fazem orações na lápide de Marcelo.

De acordo com a autora do livro, ainda não há um milagre comprovado que apressaria a beatificação e canonização de Marcelo Câmara. “Algumas graças são relatadas no livro, e temos laudos médicos dando conta de curas sem explicação, porém continuamos investigando outros casos e a comprovação de um milagre para anexar ao processo”, afirma Maria Zoé. Ela fez a graduação e o mestrado em Direito com Marcelo na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e diz que é raro, mas não impossível, que uma pessoa de vida tão curta se torne santa. Um caso célebre é o de Santa Terezinha do Menino Jesus, que nunca saiu do carmelo onde morou, na França, e foi santificada tendo vivido apenas 24 anos.

Canonização depende de dois milagres

O livro “No caminho da santidade” resultou de cinco anos de coletas de depoimentos, documentos e entrevistas. A autora explica que a primeira etapa do processo de santificação consiste na autorização, pelo arcebispo Vilson Tadeu Jönck, da abertura do processo, quando o candidato a santo recebe o título de Servo de Deus. “Isso independe de milagres, basta o relato de uma vida de virtudes que é analisada pela Igreja”, informa Maria Zoé Espíndola. Quando um milagre é comprovado, pode ocorrer a beatificação. No caso de um segundo milagre, vem a etapa final, ou seja, a canonização. “É um processo bem criterioso e longo”, adverte a autora da obra.

A vida de Marcelo Câmara sempre foi muito ligada aos movimentos religiosos, ao mesmo tempo em que se destacava nos estudos. Formado em Direito em 2001, fez o mestrado e deu aulas em três instituições de ensino da Capital, incluindo a própria UFSC. Em 2004, teve diagnosticado um linfoma linfoblástico (Linfoma não-Hodgkin), mas três anos depois ainda teve forças para fazer um concurso no Ministério Público Estadual, no qual passou em quinto lugar. Atuou como promotor de justiça por cerca de 90 dias, até ser internado em estado grave em fevereiro de 2008, vindo a falecer no dia 21 de março, uma sexta-feira santa.

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