No Dia do Professor, educador de SC comenta sobre desafios e recompensas da profissão

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As mudanças de ensino durante as aulas remotas, o retorno às aulas presenciais, a tecnologia como auxílio na profissão e muito mais você confere na entrevista exclusiva com o professor Rafael Visolli

No dia 15 de outubro celebramos o Dia do Professor, e para entender quais foram os desafios enfrentados pelos professores durante o ensino remoto na pandemia de Covid-19, o ND+ conversou com o educador e coordenador do Colégio e Curso AZ Florianópolis, Rafael Visolli.

Para Visolli, “o professor tem o poder de acolher, proteger e encorajar o aluno”. E, hoje, no Dia do Professor, cada pessoa tem a chance de fazer a sua parte e valorizar o trabalho e a coragem do professor brasileiro, enfatizou.

Rafael Visolli responde sobre os desafios e aprendizados na profissão de educador – Foto: Colégio e Curso AZ Florianópolis/Divulgação/NDRafael Visolli responde sobre os desafios e aprendizados na profissão de educador – Foto: Colégio e Curso AZ Florianópolis/Divulgação/ND

O uso da tecnologia como auxílio da educação, o retorno gradativo às escolas e muito mais pode ser conferido na entrevista completa abaixo.

ND: Você tirou algum aprendizado do ensino remoto, e logo após, do ensino híbrido, até retornar 100% ao modelo presencial? Se sim, qual foi? Como você aplicará isso em sua trajetória acadêmica?

Rafael Visolli: Percebo que a educação pode avançar bastante em áreas como a análise de dados para o aperfeiçoamento de práticas do dia a dia. A migração da educação para o modelo online exigiu uma virada muito rápida.

Durante a pandemia, os professores puderam aprender muito sobre as novas tecnologias, análise de dados e como tratar um aluno que não estava mais presencialmente, sem poder mais olhar no olho.

E aí surgiram desafios. Como engajar um aluno sem estar na sala e sabendo que o aluno pode não estar acompanhando com a máxima atenção a aula por vídeo?

Os professores tiveram de elevar o nível e buscar novas formas de atuar para engajar os alunos. No Colégio AZ, aceleramos o desenvolvimento do Super app AZ que analisa todas as atividades do aluno, semana a semana, capítulo a capítulo, possibilitando metrificar e atuar corretivamente em possíveis áreas deficitárias.

ND: Para você, como foi o retorno do ensino remoto? Quais adaptações tiveram que ser feitas?

Rafael Visolli: Nós começamos a entender mais sobre a velocidade da mente de um aluno. Você não pode ter uma aula maçante ou lenta. O aluno também não quer assistir a uma aula de vídeo por muito tempo. Então, temos que diversificar trazendo novos formatos de ensino.

No sistema híbrido, tivemos um movimento desafiador. Os alunos têm a vontade de voltar para a sala de aula, mas ao mesmo tempo estão acostumados a outra rotina. Alguns alunos durante a pandemia se acostumaram a mudar o horário de sono e estudar fora do período normal.

Outro desafio é estimular a socialização. Quem entrou no colégio em 2020 não conhece os outros alunos. É comum ouvi-los dizer que não têm amigos. Precisamos criar esse ambiente de amizade porque uma das coisas lindas que a escola proporciona é o companheirismo entre os alunos, os vínculos, o que infelizmente foi parcialmente perdido durante a pandemia.

ND: Teve alguma dificuldade em retornar presencialmente para a escola? Se sim, quais? Como elas foram sanadas?

Rafael Visolli: O cuidado com os alunos. Embora uma parte da população já esteja vacinada, quando você volta para o presencial é muito importante regular a proximidade entre os alunos porque eles têm a necessidade de socialização.

Eles querem abraçar, conversar. Essa logística é complicada. O segundo ponto foi como inserir o aluno na comunidade escolar e o terceiro, recuperar todo o conteúdo perdido durante a pandemia.

ND: E sobre o recente aumento do piso salarial dos professores catarinenses, você acredita que iniciativas desse porte valorizam a atuação dos professores tanto dentro quanto fora das salas de aula? De que forma?

Rafael Visolli: Eu defendo que o professor ganhe muito bem. Não tem como mudarmos a educação sem valorizar – e muito – o professor. Também é essencial garantir infraestrutura para que o educador possa se concentrar apenas em dar aula. Na escola que coordeno, o professor não apaga o quadro, não faz a chamada, nem digita notas. Ele dá aula.

O tempo que um professor gasta fazendo chamadas e apagando o quadro, ligando o projetor chega a 20% ou 30% da aula. Queremos que o nosso professor se concentre naquilo que ele faz de melhor, que é dar a aula dele.

ND: De que forma a tecnologia auxiliou os professores durante esses dois anos de ensino e como ela pode continuar sendo aplicada a favor dos alunos e dos mestres nas escolas?

Rafael Visolli: O professor tem à sua disposição uma série de elementos tecnológicos para produzir uma aula que vai muito além do quadro, conseguindo assim engajar os alunos que, consequentemente, terão uma absorção maior do conteúdo.

ND: Ainda nesse nicho, como a tecnologia pode ser usada pelos jovens que irão prestar vestibular? Como isso os auxilia?

Rafael Visolli: O aluno está muito mais imerso na internet e a quantidade de conteúdo gratuito à disposição é muito grande. Porém, a curadoria é fundamental. É nesse ponto que a maioria dos alunos encontram problemas.

Eles têm muito material disponível, mas não têm a expertise e a organização para um bom aproveitamento. O AZ, por exemplo, tem no seu App bancos de dados com os vestibulares do Brasil inteiro. Nele, o aluno pode obter um mapa apontando quais conteúdos precisa estudar para cada uma das disciplinas.

Mas além disso, a tecnologia permite nivelar quanto dos conteúdos precisa ser estudado. Não vai somente informar se é mais matemática e menos geografia. A tecnologia pode apontar quais capítulos dentro de matemática aparecem com maior frequência nas provas de vestibular. É um nível totalmente diferenciado de organização e planejamento.

ND: Qual é a importância de ter um professor alinhado com as dificuldades e facilidades de aprendizado dos alunos durante o percurso escolar dele?

Rafael Visolli: É muito importante o professor acompanhar de perto o desempenho do aluno. Quando uma carência é detectada, é preciso agir rápido. O estudante pode, por exemplo, ter aulas no contraturno para resolver pontualmente os problemas e as dúvidas.

O colégio deve auxiliar e compreender mais e melhor o aluno e buscar um atendimento personalizado, já que cada indivíduo é diferente em sua forma de aprendizado.

ND: Acredita que com o gradual retorno presencial das atividades, a evasão escolar, notificada pela SED, tenderá a diminuir? De que forma?

Rafael Visolli: A evasão vai diminuir, no meu ponto de vista. A evasão acontece muito por falta dessa socialização, desse vínculo entre alunos e instituição. Em alguns casos, o que ligava o aluno à escola era a merenda escolar.

E quando não tem mais esse auxílio, como um aluno vai estar online se não tem nem alimento em casa? Aprofundando, como um aluno com fome vai estudar? Precisamos resolver questões mais básicas, como a alimentação.

ND: E como você encara o papel do professor na formação dos cidadãos?

Rafael Visolli: O vínculo que o aluno tem com o professor é muito especial. Posso não lembrar do conteúdo exato, mas lembro da forma como um professor me tratou ou me acolheu quando eu não estava bem.

Gosto muito de uma frase de autor desconhecido que é ‘as pessoas podem não lembrar do que outras pessoas falaram, mas elas vão lembrar de como se sentiram quando ouviram’. O professor tem o poder de fazer um aluno se sentir acolhido na escola, protegido na sala de aula.

O professor tem o poder de fazer do aluno desestimulado um encorajado. Me tornei professor por causa dos meus professores de matemática e via o amor com que eles ensinavam. Tenho o maior prazer em fazer um aluno se sentir motivado, ver o brilho nos olhos do aluno por ter aprendido algo novo.

Os professores fazem esse movimento de tirar o aluno de uma sociedade que acusa, desencoraja, de palavras negativas para uma sociedade que acredita, incentiva, que atua em grupo.

ND: Por fim, no dia dos professores, para você qual é a importância de celebrar a data?

Rafael Visolli: É o momento no qual temos a oportunidade de parar tudo e refletir como nós como sociedade e eu como indivíduo podemos fazer o professor ser mais valorizado. No início da semana minha esposa comprou presentes para os professores dos nossos filhos.

Mesmo trabalhando o dia todo fora de casa, separou uma noite para fazer bolachas caseiras, porque queria dar o trabalho e o carinho dela para os professores dos nossos filhos. E isso mexeu muito comigo. Foi uma forma de dizer que o trabalho do professor faz toda diferença para nossos filhos.

Gestos como esse podem motivar e melhorar ainda mais a aula de um professor. Temos nesta data a oportunidade de valorizar mais os professores e consequentemente melhorar a educação.