Novo Ensino Médio prepara os estudantes para a vida

Colégio Antônio Peixoto, de Florianópolis, saindo na frente, já tinha uma carga horária estendida e trabalhava muitos dos temas que serão exigidos por lei somente agora, a partir de 2022

Focado na formação de cidadãos e no desenvolvimento de suas habilidades e competências, com disciplinas integradas nas quatro áreas do conhecimento, o Novo Ensino Médio começa a ser implantado no país em 2022, de forma gradual, a partir do primeiro ano, conforme determinação da lei nº 13.415/2017.

Colégio Antônio Peixoto investe no Ensino Médio como um projeto para a vida adulta há anos – Foto: Divulgação/NDColégio Antônio Peixoto investe no Ensino Médio como um projeto para a vida adulta há anos – Foto: Divulgação/ND

O novo modelo possibilita que os estudantes escolham itinerários formativos de acordo com as áreas do seu interesse, seus projetos de vida e carreira. Se antes o jovem já se preocupava que ao final desta etapa de ensino teria que escolher qual rumo profissional seguiria, essa importante decisão começa a se antecipar com as mudanças previstas a partir do próximo ano.

Apesar de ser uma grande responsabilidade, Cláudia Rosa, diretora pedagógica do CAP (Colégio Antônio Peixoto), explica que essas mudanças e escolhas poderão ser alteradas e serem feitas durante todo o Ensino Médio. Para isso, diz ela, é fundamental que os alunos estejam amparados, tenham toda a capacitação e conhecimento necessários e sejam orientados pelos profissionais de educação durante o processo.

“O nosso colégio já vem fazendo um movimento a caminho desse novo Ensino Médio há alguns anos, inclusive realizando investimentos neste sentido. Entende-se hoje que o Ensino Médio possa ser visto como um segmento que prepare esse aluno para a vida, a ideia é dar o poder de fazer escolhas, mas a escola preparar o estudante para saber fazer essas escolhas, ter capacidade para isso. A legislação traz esse sentido agora, que o jovem possa, nesta etapa, visualizar um caminho que ele queira seguir, não apenas em termos de profissão, na escolha de um curso para a universidade, mas como um projeto de vida”, explica.

Em 2022, o estudante do CAP poderá selecionar os itinerários formativos que seguirá no primeiro ano, mas ainda terá opções para poder escolher, trocar de itinerário, ao longo de todo o Ensino Médio – Foto: Divulgação/NDEm 2022, o estudante do CAP poderá selecionar os itinerários formativos que seguirá no primeiro ano, mas ainda terá opções para poder escolher, trocar de itinerário, ao longo de todo o Ensino Médio – Foto: Divulgação/ND

Itinerários formativos

Para isso, ela esclarece, a escola vai oferecer itinerários formativos que orientem tanto alunos que têm o objetivo no vestibular que prestará daqui a alguns anos, como também para o aluno que não participará desse processo seletivo de forma imediata.

“Muitos alunos terminam o terceirão ainda necessitando de um apoio, de uma direção para estas escolhas, por isso trabalhamos desde o primeiro ano com essa formação, para que ele chegue ao terceiro ano mais preparado para estas decisões. Agora, o estudante já terá que fazer algumas destas escolhas no nono ano do fundamental, antes do primeiro ano, por isso estamos propondo um itinerário misto, no qual o aluno vai começar com algumas disciplinas que vamos organizar com ele e no segundo e terceiro ano ele poderá optar por outras, caso ele mude de ideia ou ainda queira complementar essa grade”, comenta a diretora pedagógica.

Ela esclarece que a estrutura de disciplinas do CAP foi preparada para 2022 de modo bem amplo. Dessa forma, o estudante poderá fazer essas escolhas no primeiro ano, mas ainda terá opções para poder escolher, trocar de itinerário, ao longo de todo o Ensino Médio.  “A intenção é que ele saia do terceirão   entendendo como irá direcionar seus passos na vida adulta”, afirma.

O aluno do CAP utiliza as ferramentas tecnológicas do Google desde pequeno e, no Ensino Médio, no programa INFOP (Informática aplicada à orientação profissional), discute mercado de trabalho, educação financeira, entre outros temas – Divulgação/NDO aluno do CAP utiliza as ferramentas tecnológicas do Google desde pequeno e, no Ensino Médio, no programa INFOP (Informática aplicada à orientação profissional), discute mercado de trabalho, educação financeira, entre outros temas – Divulgação/ND

Além da adoção de uma base comum curricular e a escolha dos itinerários formativos por parte do aluno, o aumento da carga horária dos estudantes é outra grande mudança que deverá ser implantada pelas escolas a partir de 2022.  A carga horária total, ao longo dos três anos, vai passar de 800 horas exigidas hoje para 3.000 horas.

Destas 3.000 horas, 1.800 horas serão destinadas para as disciplinas obrigatórias da base Nacional Comum Curricular e 1.200 horas para os itinerários formativos. Cada escola terá que oferecer pelo menos uma opção complementar a formação geral dos alunos.

No CAP, esclarece Claudia, essa transição será mais tranquila, pois o colégio já tinha uma carga horária maior para essa etapa do ensino.  “A legislação nacional que determina as diretrizes do ensino em todo o país nasceu em 2017 e deu esse prazo para que as escolas se adequassem. Aqui no Colégio Antônio Peixoto já tínhamos um Ensino Médio com carga horária maior, 30 horas semanais para o primeiro ano e 35 horas semanais para o segundo e terceirão, ou seja, já tínhamos uma carga extra, além do estipulado por lei. Agora, com as mudanças, teremos cerca de 3.200 horas nos três anos”, afirma.

Disciplinas extracurriculares

As disciplinas extracurriculares também já eram cursadas pelos alunos do Colégio Antônio Peixoto antes da exigência destas mudanças pela legislação federal. “Já tínhamos disciplinas fora da grande curricular, no contraturno, essa preocupação, por exemplo de trabalhar com temas atuais já era abordada e havia também esse entendimento de trabalhar um projeto de vida com o aluno. Como somos uma escola tecnológica, desde pequenos os alunos utilizam as ferramentas Google oferecidas pela plataforma para a educação. No Ensino Médio o estudante participa do programa INFOP (Informática aplicada à orientação profissional) nos três anos, por meio do qual discutimos sobre o mercado de trabalho e enfatizamos o ensino voltado ao empreendedorismo, educação financeira, temas que aparecem agora como uma exigência legal e que a gente já utiliza aqui no dia a dia da escola. Então, já saímos na frente para nos adequar a essas mudanças aqui no CAP”, ressalta.

Colégio Antônio Peixoto destaca a importância de os alunos terem assistência e capacitação para saberem fazer suas escolhas para a vida nesta etapa de ensino – Foto: Divulgação/NDColégio Antônio Peixoto destaca a importância de os alunos terem assistência e capacitação para saberem fazer suas escolhas para a vida nesta etapa de ensino – Foto: Divulgação/ND

Sobre o Novo Ensino Médio

É um modelo de aprendizagem por áreas de conhecimento que permitirá ao jovem optar por uma formação técnica e profissionalizante. Ao final do Ensino Médio o aluno receberá, além do certificado do Ensino Médio regular, o certificado do curso técnico ou profissionalizante que cursou.

O novo currículo do Ensino Médio é organizado por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas como estávamos acostumados. Será composto por quatro áreas de conhecimento mais uma de formação Técnica e/ou Profissional.

Na nova estrutura, até 1.800 horas da carga horária contemplam habilidades e competências relacionadas às quatro áreas do conhecimento. São elas: Matemáticas e suas Tecnologias; Linguagens e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; E, no mínimo, 1.200 horas são flexíveis e ficarão reservadas para a Formação Técnica e Profissional.

São cinco itinerários que a escola pode ofertar – entre eles, o de formação técnica e profissional – e os alunos escolherão qual cursar de acordo com as áreas de seu interesse e projetos de vida e de carreira.

O Novo Ensino Médio propõe uma reforma matriz de referência curricular  dos alunos do 1º, 2º e 3º ano dessa etapa escolar. A Lei nº 13.415/2017, que institui as alterações, estabelece maior integração e flexibilidade curricular e a oferta de itinerários formativos.

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