Obras e falta de pessoal impedem volta às aulas em escolas da Grande Florianópolis

Aulas na rede estadual de ensino retornaram nesta quinta-feira (18); com infraestrutura inadequada, escola em Florianópolis teve que orientar alunos para que voltassem para casa

As aulas na rede estadual de ensino retornaram nesta quinta-feira (18). Contudo, algumas escolas da Grande Florianópolis não adotaram o ensino presencial por problemas na estrutura e falta de pessoal.

É o caso da EEB Júlio da Costa Neves e da EEB Irineu Bornhausen, em Florianópolis; da EEB José Matias Zimmermann, em São José; e da EEB Governador Ivo Silveira, em Palhoça.

Professores se posicionam em frente a EEB Júlio da Costa Neves – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDProfessores se posicionam em frente a EEB Júlio da Costa Neves – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

O Decreto nº 1.003/2020 do governo do Estado permitiu a ocupação de 100% de todas as escolas, independente do risco mapeado pelas autoridades de saúde. Apesar disso, as escolas deverão respeitar as normas sanitárias, o que pode inviabilizar uma lotação de 100%.

Três modelos foram adotados para atender os 527 mil alunos que estão matriculados: 100% presencial, misto e 100% remoto.

Alunos voltaram para casa

De acordo com o relato do professor de português Marcos Oliveira, da EEB Júlio da Costa Neves, localizada na Costeira do Pirajubaé, a estrutura da escola está precária e não tem condições de atender os alunos de forma presencial.

Ele conta que a unidade já passou por problemas na estrutura e já chegou a ser interditada. Mesmo assim, os professores que chegaram à escola nesta quinta pela manhã se surpreenderam com a situação.

Buracos no chão, calçamento danificado e falta de EPIs (equipamentos de proteção individual) foram alguns dos problemas relatados.

“Está pior do que pensávamos. Retornamos hoje (quinta) e o estado está deplorável. Não temos condições de atender os alunos. Alguns alunos vieram para a escola, mas tivemos que orientá-los a voltar para casa”, conta.

Estrutura danificada na EEB Júlio da Costa Neves coloca em risco alunos e servidores – Foto: Divulgação/NDEstrutura danificada na EEB Júlio da Costa Neves coloca em risco alunos e servidores – Foto: Divulgação/ND

O professor revela que foi encaminhado um ofício para a Secretaria de Estado da Educação sobre a situação da escola. De acordo com a diretora, Kátia Antória, a SED (Secretaria de Estado da Educação) aprovou nesta manhã, o ensino 100% remoto.

“Pela pressão da imprensa e dos professores, a secretaria liberou”, diz. Quando a diretora comunicou que o ensino remoto foi autorizado, aos professores fizeram uma salva de palmas.

Falta de autonomia

Segundo a diretora da EEB Júlio da Costa Neves, Katia Antória, a equipe pedagógica e os professores souberam apenas no dia 3 de fevereiro que voltariam com as aulas presenciais na instituição.

Apesar disso, desde o fim do ano passado, havia problemas estruturais. Assim, todos os 55 professores desejaram que as aulas fossem apenas no modelo remoto, mas a escola não teve escolha.

“A escola não tem autonomia legal pra decidir se voltaria remoto ou presencial. Os pais têm a escolha de mandar os filhos para a escola ou mantê-los em casa, mas os professores não tiveram como escolher”, afirmou a diretora.

Conforme as diretrizes anunciadas pela SED há uma semana, as escolas teriam autonomia para escolher qual modelo de ensino seguiriam: totalmente presencial, híbrido ou totalmente remoto. Mas, pelo relato da diretora, esse não foi o caso da Júlio da Costa.

Escolas em reforma

Os estudantes matriculados na EEB José Matias Zimmermann, no bairro Sertão do Maruim, retornaram às aulas presenciais nesta quinta. O inusitado é que as aulas estão sendo ministradas em uma igreja ao lado da unidade escolar.

EEB José Matias Zimmermann, em São José, continua em obras – Foto: Ana Vaz/NDTVEEB José Matias Zimmermann, em São José, continua em obras – Foto: Ana Vaz/NDTV

Isso porque, segundo a diretora Ivete Machado, a escola está em reforma desde fevereiro de 2020. Por questão de segurança, as aulas estão sendo administradas em outro espaço.

A EEB Governador Ivo Silveira, no Centro de Palhoça, também não retornou ao ensino presencial porque se encontra em reforma.

Quadro de pessoal insuficiente

Os alunos matriculados na EEB Irineu Bornhausen, no Estreito, terão aulas de forma remota. Isso porque, de acordo com a diretoria, o PlanCon (Plano de contingência) da escola ainda não foi homologado.

Além disso, a equipe pedagógica e administrativa é composta, em grande parte, por pessoas que pertencem ao grupo de risco para Covid-19. Sendo assim, não há funcionários suficientes para garantir a aplicação dos protocolos sanitários.

Posted by EEB Irineu Bornhausen on Wednesday, February 17, 2021

Na manhã desta quarta-feira (17), a página da escola em uma rede social postou um comunicado alertando os pais de que as aulas iniciariam de forma remota.

De acordo com o comunicado, os professores regentes do 1º ao 5º ano entraram em contato com os pais para combinar a melhor estratégia de ensino aprendizagem, com material impresso ou online.

Do 6º ao 9 º ano será disponibilizado aos alunos a plataforma “Google Class Room” e material impresso para aqueles sem acesso a internet.

O que diz a SED

A SED encaminhou nota à reportagem informando que o ano letivo de 2021 na rede estadual tem como base a segurança de alunos, professores e servidores.

Por isso, escolas que não estiverem com a infraestrutura adequado ou quadro de pessoal suficiente, iniciaram as atividades no modelo 100% remoto, “sem prejuízo para alunos e professores, até que a situação seja normalizada ao longo dos próximos dias.”

A EEB Ivo Silveira e a EEB Júlio da Costa Neves iniciaram de forma 100% remota por conta das reformas em andamento na infraestrutura da unidade.

A EEB Irineu Bornhausen também está neste modelo, segundo a SED, porque todos os servidores administrativos são grupo de risco e também está passando por adequações na infraestrutura.

“Por fim a EEB José Matias Zimmermann, teve a disponibilidade de locação de um espaço físico para que as aulas pudessem iniciar no modelo presencial.”, concluiu a nota.

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