Enem: organização quer mais salas na UFSC para 2ª prova após estudantes serem barrados

No último domingo (17), alunos foram impedidos de fazer o Enem após salas lotarem. Cesgranrio enviou solicitação nesta quinta (21), e viabilidade é analisada pela UFSC

A Cesgranrio, empresa que organiza a aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), pediu nesta quinta-feira (21) a ampliação do número de salas para aplicar a segunda prova do Enem na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis.

Grupo de alunos foi impedido de realizar Enem na UFSC“Foi um balde de água fria, uma tristeza imensa. Tinha pai falando que o filho tinha se preparado o ano inteiro” conta Eduardo Jacomel, participante que foi barrado no CCE. Somente neste centro, ele estima que cerca de 30 candidatos passaram pelo mesmo – Foto: Bruna Stroisch/ND

O pedido ocorreu após estudantes serem barrados de realizar a primeira prova na UFSC no último domingo (17). Isso aconteceu porque o Inep alocou mais pessoas nas salas do que a capacidade máxima de 50% prometida pelo órgão.

Em alguns locais, como na UFSC, os aplicadores seguiram o protocolo sanitário em razão da pandemia e não permitiram que os estudantes entrassem depois que os espaços já estavam lotados.

A DPU (Defensoria Pública da União) solicitou que o exame fosse adiado e a prova reaplicada, acusando o Inep e a União de má fé. A Justiça negou o pedido, mas determinou que seja garantida a reaplicação da prova aos estudantes prejudicados.

Solicitação é analisada

A UFSC está analisando o pedido, que foi encaminhado pela Cesgranrio apenas nesta quinta-feira. A intenção é viabilizar a solicitação, informou a universidade, cuja responsabilidade é restrita à concessão do espaço físico.

A Universidade ainda apura o número de salas necessárias com a empresa. Em um segundo momento, a UFSC irá verificar a disponibilidade de liberar as dependências junto aos centros de ensino.

Com o levantamento em mãos, as informações serão repassadas para a Cesgranrio, responsável pela organização e aplicação do Enem junto ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

“Um balde de água fria”

Chegando meia hora antes dos portões fecharem, Eduardo Jacomel estava entre os alunos barrados no CCE (Centro de Comunicação e Expressão). Apenas neste centro, um dos 13 distribuídos pela UFSC, ele estima que cerca de 30 alunos passaram pela mesmo situação.

“Faltando dez minutos para começar, desceu um advogado e começou a explicar que não poderíamos fazer a prova” conta o estudante de 22 anos, que aspira cursar medicina. “Foi um balde de água fria, uma tristeza imensa. Tinha pai falando que o filho tinha se preparado o ano inteiro”.

“Eu estava preparado para fazer o Enem, mas daí cheguei lá e fui barrado” conta. Após ter contatado advogado, Jacomel decidiu que não vai fazer a segunda prova, voltada para Matemática e Ciências Naturais. Ele vai pedir a reaplicação do exame.

Prejudicados devem pedir reaplicação

A orientação do Inep, e também a determinação da juíza Marisa Claudia Gonçalves Cucio da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, é de que os candidatos prejudicados na primeira prova peçam a reaplicação da prova.

Os pedidos para reaplicação serão recebidos nos dias 25 e 29 de janeiro, pela Página do Participante do Enem. Aos contemplados, a reaplicação está marcada para os dias 23 e 24 de fevereiro, na mesma data e com a mesma prova aplicada para pessoas privadas de liberdade – Enem PPL.

Todo estudante que se sentiu afetado por problemas logísticos deverá realizar o pedido. Cada pedido será julgado individualmente pelo Inep. A situação da solicitação pode ser consultada neste site.

Procurado pela reportagem, o Inep assegurou que “nenhum participante será prejudicado e que aqueles que assim se sentiram poderão solicitar a reaplicação para os dois dias de prova”.

A reportagem procurou a Cesgranrio, mas a empresa se recusa a falar com a imprensa.

Recorde de abstenção

Para além da situação dos estudantes impedidos, o Enem 2021 deixou outra marca negativa: o recorde de abstenção. Em Santa Catarina, o índice foi de 52,8%, maior do que os vizinhos Rio Grande do Sul (51,9%) e Paraná (52,2%) – acima também da média geral no país (51,5%).

A DPU realiza um levantamento das irregularidades ocorridas durante a aplicação da prova, por meio de formulário disponibilizado no site da Defensoria ou através deste link.

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