Maioria dos pais não vai mandar filhos para escola na região de Joinville, diz pesquisa

Levantamento realizado em nove cidades da região Nordeste do Estado apontou que 75% dos pais não mandariam os filhos caso aulas presenciais retornassem

Uma pesquisa realizada pela Amunesc (Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina) apontou que 75% dos pais e responsáveis não mandaria os filhos às escolas caso as aulas presenciais retornassem. O levantamento foi realizado em julho em nove municípios da região.

Maioria dos pais não mandaria os filhos com o retorno das aulas presenciais – Foto: Foto: Arquivo/Rogerio da Silva/ND

A pesquisa tem como objetivo ser uma ferramenta de tomada de decisão dos gestores de cada cidade. Além dos pais e responsáveis de alunos da rede pública, o levantamento também ouviu profissionais que trabalham nas Secretarias de Educação dos municípios.

Grande parte dos responsáveis entrevistados têm filhos matriculados no Ensino Fundamental, ou seja, do 1º ao 9º ano – 63,4%. Os alunos  que cursam o 9º ano em Joinville, por exemplo, serão os primeiros a retornar, junto com os estudantes da Educação para Jovens e Adultos, segundo o protocolo definido pela Secretaria de Educação.

Apesar da maioria não pertencer ao grupo de risco da Covid-19 (81,9%), 57,7% dos alunos tem algum familiar que faz parte desse conjunto.  Por esse motivo, as secretarias já vem pensando em estratégias para garantir um retorno seguro, tanto para estudantes quanto à família.

“Muitos alunos vivem com os avôs, por isso, estamos pensando em como garantir toda essa segurança aos alunos nesse retorno”, explica a assessora do Colegiado de Educação da Amunesc, Glória Cristiane Campos.

Apesar das medidas, pais não querem que alunos voltem as salas de aula

Na pesquisa foram apresentadas duas situações aos pais: se o retorno as aulas presenciais for opcional você mandaria o aluno; ou você permitiria que o estudante frequentasse o regime presencial em determinado momento, conforme horário estabelecido pela unidade escolar.

Na primeira, 75% responderam que não enviariam os filhos. Já na segunda, o resultado foi ligeiramente menor, mas ainda assim a negativa foi a maioria: 52,6%.

Alunos do 9º ano devem ser os primeiros a retornarem – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom/ND

Para Glória, os pais realmente ainda não se sentem seguros em levar seus filhos para as escolas.

“Se observarmos em outros estados como Rio Grande do Norte e São Paulo, a educação não volta porque os pais não querem mandar os filhos. Tem outros que dizem que só vão enviar os filhos se tiver vacina. Então há essa apreensão”, conta.

A assessora afirma, ainda, que uma das preocupações é com os estudantes menores, principalmente porque muitos necessitam de um ambiente afetivo para se sentirem incluídos nas escolas.

“Os pequenos gostam de abraçar, compartilhar merenda, material. Por isso, em um primeiro momento vamos testar como vai ser com os mais velhos, pensando nessa segurança, para garantir que não haja problemas”, explica.

Maioria dos profissionais acreditam que aulas não deviam retornar em 2020

No mesmo levantamento, a Amunesc ouviu os profissionais que atuam na educação pública a respeito do retorno. Para 64,4%, as aulas presenciais não devem retornar em 2020 para o ensino fundamental. Já com base no ensino infantil, 73,2% não apoiam a volta.

“Para os pais é facultativo mandar os filhos para as escolas. Já os professores vão ter que voltar de qualquer forma. Então há essa preocupação”, conta Glória.

Diferente dos alunos, a maioria dos profissionais não convivem com alguém que pertença ao grupo de risco (57,4%) ou fazem parte do conjunto (72,5%). Porém, um dado chama a atenção: 95% nunca fizeram teste para doença.

Caso as aulas presenciais sejam autorizadas, os profissionais que integram o grupo de risco não poderão retornar ao trabalho.

“Quanto aos profissionais que moram com pessoas com comorbidades, eles terão que ter o cuidado de chegar em casa e fazer a higienização, para que dessa forma evitar uma possível transmissão”, finaliza Glória.

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