Material escolar está mais caro em Santa Catarina

Aumento no valor do papel e impostos eleva custo da lista

Os pais que desejam economizar na compra do material escolar para os filhos precisarão de disposição e tempo para pesquisar. O ano letivo da maioria das escolas públicas e particulares começa em um mês, mas a pesquisa de preços para quem quer gastar menos deve começar agora. A diferença no valor pode variar até 2.000% sobre o mesmo produto de uma loja para outra.

Eduardo Valente/ND

Para economizar, assistente financeira Cristiane comparou valores em seis lojas

Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta aumento de 7% no valor do material escolar em relação ao ano passado. Os pais que já estão começaram a fazer as compras nas livrarias confirmam essa tendência. Eles afirmam que estão gastando de R$50 a R$100 a mais do que em 2013. Para a Abfiae (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares), a alta do dólar e altos tributos sobre os produtos no país, também encarecem o material. O valor do papel também aumentou em 12%, o que reflete no custo dos livros.

Na pesquisa divulgada pelo Procon SC na última semana, os produtos com maior diferença de preços em Florianópolis e São José são os apontadores (entre R$0,10 e R$2,70) e a borracha branca (de R$ 0,17 a R$1,99 – uma diferença de 1070,59%). Tudo depende da marca, apresentação do produto e do estabelecimento. Um mesmo caderno simples de capa dura pode custar R$1,50 ou R$7 na mesma loja de acordo com o desenho da capa.

Pais pesquisam e compram produtos em lojas diferentes

Cristiane Cavalli, 43, assistente financeira, tem cinco filhos, três deles no ensino fundamental, período que mais demanda material escolar. Este ano, ela pretende gastar até R$450 com o material das três filhas de dez, nove e seis anos. Ano passado, o custo médio para as três foi de R$350. Isso, sem contar os livros didáticos e apostilas que são comprados na própria escola e aumentaram em 15%.

Para economizar, Cristiane reutiliza os materiais em bom estado do ano anterior e os cadernos que ainda tem espaços em branco. Além disso, pesquisa. Em um dia, a assistente financeira já tinha visitado seis livrarias. “Se eu conseguir um material por R$0,50 a menos, já economizo R$1,50 porque tenho três listas. Por isso, compro uma coisa em cada lugar, de acordo com o preço”, afirma.

A estudante Bianca Cândido, 10, já está consciente de que as capas bonitas (e mais caras) não devem ser o foco. A mãe, Gabriela Cândido, 36, já conversa com a filha antes de ir às compras sobre os valores e busca o material com qualidade e bom preço. No lápis 6B, um dos itens da lista, Gabriela pagou R$1,50 em uma caixa com 12, mas encontrou o mesmo material de outra marca por R$ 2,50 cada lápis. “Se compramos um caderno mais simples, por exemplo, personalizamos em casa, colando figuras e deixando ele mais bonito. Assim conseguimos economizar sem deixar de ter um material bonito e atrativo pra ela”, disse Gabriela.

Para a gerente da Livrarias Catarinense, Rosinete Werle, tudo depende da escolha dos pais. Ela afirma que não houve aumento de preço na loja em relação ao no passado e o mais caro são os livros. Em uma lista de material para o primeiro ano do ensino fundamental é possível gastar R$700 ou R$100. “É preciso avaliar a necessidade e as diferentes opções de marca. O mesmo tipo de caderno pode ter diferença de R$5 por causa do desenho”, afirmou Rosinete.

Escola não pode cobrar o que não for de uso didático pedagógico

Outra questão que os pais precisam ficar atentos é sobre o tipo de produtos que a lista de material pede. A lei 12.886/2013, sancionada pela presidente Dilma Rousseff (PT) em novembro proíbe a exigência dos itens de uso coletivo, como materiais de escritório e limpeza. Na maioria das listas das escolas de Florianópolis esses itens já não constam. O custo com esse tipo de material acaba incluso no valor global da mensalidade.

O diretor do Procon da Capital, Michael da Silva, afirma que é importante observar se a escola não faz exigência de marca. “Têm listas que pedem preferencialmente marca ‘A’ ou ‘B’. A indicação não é obrigação, nenhuma escola pode exigir marca. Deve-se mensurar o que o filho usa no dia a dia, participar dessa convivência e saber o que é material de uso diário. Têm itens que até podem ser coletivos, mas fazem parte do aprendizado”, alertou.

Quem ainda tiver dúvidas ou denúncias pode procurar o setor de fiscalização do Procon. No fim do ano passado, duas escolas de Florianópolis foram notificadas por irregularidades na lista de material escolar, mas a situação já foi resolvida. Se for comprovado o comportamento abusivo, a escola é notificada e tem até dez dias para responder e se adequar à norma. Se não atender à notificação, a instituição é convocada para audiência no Procon e pode receber multa sobre o faturamento bruto da empresa, que varia de R$ 600 a R$ 3 milhões.

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