Projetos catarinenses de educação integral são premiadas no Itaú-Unicef em São Paulo

Casa da Criança, de Florianópolis, e Cidade da Juventude, de Criciúma, têm trabalho reconhecido em premiação nacional

Dois projetos catarinenses que colocam em prática métodos pedagógicos de educação em tempo integral foram reconhecidos na 12ª edição do prêmio Itaú-Unicef em São Paulo. As iniciativas catarinenses se destacaram entre 32 finalistas divididas em quatro categorias: grande porte, médio porte, pequeno porte e micro porte.

O principal prêmio entregue na noite de segunda-feira (11) ficou com a iniciativa Bairro da Juventude, de Criciúma, vencedora do prêmio principal das iniciativas de grande porte, conquistando R$ 200 mil que serão divididos entre a escola Padre Paulo Petruzzellis e a OSC (Organização da Sociedade Civil) Bairro da Juventude. A iniciativa Casa da Criança, que está baseada no Morro da Penitenciária, em Florianópolis, ficou com menção honrosa na categoria médio porte, e ganhou R$ 60 mil das premiações regionais que garantiram uma vaga entre as finalistas, verba que será dividida com a escola Hilda Teodoro Vieira.

Criado em 1995, fruto da parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância, a Unicef, e a Fundação Itaú Social, a edição de 2017 do prêmio somou 1.651 iniciatvas inscritas e distribuiu um total de R$ 4 milhões para 96 parcerias voltadas à educação integral, somando as premiações regionais.

“Garantir o direito à educação de crianças e jovens está na Constituição, mas o que este programa busca é reduzir desigualdades que ainda existem no Brasil por meio de iniciativas que privilegiem a educação em tempo integral. O que vemos é que quando o acesso à educação aumenta automaticamente se melhora a qualidade, o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] também aumenta”, comentou Angela Dannemann, superintendente Itaú Social.

Membros do projeto Casa da Criança recebem o Prêmio Itaú-Unicef - Divulgação/ ND
Membros do projeto Casa da Criança recebem o Prêmio Itaú-Unicef – Divulgação/ ND

Casa da Criança

Fundada em 1987, a Casa da Criança chegou pela terceira vez entre as finalistas do prêmio Itaú-Unicef. Em 2011, foi a campeã nacional na categoria médio porte e neste ano foi a segunda melhor iniciativa em sua categoria, recebendo a menção honrosa do júri. O projeto tem como pilar a “educação cidadã” e envolve cerca de 115 crianças e adolescentes entre seis e 17 anos, a maioria, moradores do Morro da Penitenciária.

“Esse é um projeto que trabalha o envolvimento das crianças e jovens com a cultura local, como a capoeira a puxada de rede, a dança e o esporte. Lá, todos têm direito a três refeições diárias e desenvolvem as atividades no contraturno escolar”, disse Sônia Wistuba Bittencourt, coordenadora do projeto.

Criciúma levou premiação principal com o Bairro da Juventude - Divulgação/ ND
Criciúma levou premiação principal com o Bairro da Juventude – Divulgação/ ND

Bairro da Juventude

Vencedor na categoria das iniciativas de grande porte, o Bairro da Juventude, de Criciúma, é também uma das Organizações da Sociedade Civil mais antiga nesta edição do prêmio. A organização existe há 68 anos e foi fundada pelo Rotary como internato. Até 1985 contou com o apoio dos padres rogacionistas. Ao longo dos anos, o projeto ganhou novos ares e atualmente, a organização é composta por membros da sociedade civil, que elege sua diretoria executiva por meio de um conselho.

A iniciativa atende 565 crianças e adolescentes de sete a 14 anos em situação de vulnerabilidade social e abriga escola Padre Paulo Petruzzellis, que é da organização mantida em parceria com o município.

No Bairro da Juventude, os participantes desenvolvem atividades esportivas e culturais, além de terem oportunidade de se encaixarem em um dos seis cursos profissionalizantes em convênio com o Senai (Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial).

“A nossa instituição é de ensino integral e temos uma escola funcionando nas dependências. Trabalhamos em parceria com o município, mas a gestão é nossa. Trabalhamos desde a criança até o encaminhamento dos jovens para o mercado de trabalho. É um trabalho árduo e gratificante ao mesmo tempo, porque são as crianças que são realmente as vitoriosas”, afirmou Sílvia Regina Luciano Zanette, diretora executiva do projeto.

Recentemente a instituição também foi reconhecida, em São Paulo, como uma das melhores Ongs do Brasil pelo Instituto Doar e Revista Época.

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