Pesquisa mostra dados alarmantes sobre a saúde mental dos acadêmicos da UFSC

Quase 95% dos participantes do estudo relataram ainda que a pandemia da Covid-19 acarretou algum tipo de sofrimento psíquico

A saúde mental de acadêmicos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é tema de uma pesquisa do NESFHIS (Núcleo de Estudos em Sociologia, Filosofia e História das Ciências da Saúde) da instituição.

As descobertas iniciais, destacam que mais de um quarto dos estudantes afirmou ter algum diagnóstico psiquiátrico, o que representa 26%. Quase um quinto assinalou que faz uso de medicação psiquiátrica por prescrição médica, totalizando 19,6%.

Na análise de concordância, em que (1) significa que discorda totalmente e (5), que concorda totalmente, 2,75 da média não sabiam onde procurar ajuda ou conheciam os serviços de atendimento de apoio psicológico e pedagógico da universidade.

Pesquisa avalia sofrimento psíquico de estudantes de graduação e pós-graduação da UFSC – Foto: Divulgacão/JusCatarina/NDPesquisa avalia sofrimento psíquico de estudantes de graduação e pós-graduação da UFSC – Foto: Divulgacão/JusCatarina/ND

Coordenado pela professora Sandra Caponi, os resultados do estudo são obtidos a partir de um questionário online respondido por 1.624 estudantes de graduação e pós-graduação no segundo semestre de 2020.

A pesquisadora do NESFHIS, Fabiola Stolf Brzozowski, afirma que não é possível extrapolar os resultados para a comunidade de estudantes da UFSC, pois se tratou de uma amostragem por conveniência.

“O questionário foi enviado por e-mail e quem teve interesse respondeu. A pesquisa atraiu pessoas predispostas a falarem sobre sofrimento psíquico, sofrimentos esses que vão além dos diagnósticos psiquiátricos”, ressaltou a pesquisadora.

“Estamos verificando isso com a segunda etapa da pesquisa, que está sendo realizada no momento, por meio de entrevistas semiestruturadas”, complementou a docente da UFSC.

Ela apontou ainda que “assim como apareceu também no questionário, fica claro que o sofrimento está muito relacionado a questões sociais e estruturais, que precisam ser discutidas dessa forma, não somente como uma questão psiquiátrica”.

Resultados da pesquisa

A maioria dos acadêmicos que participou da pesquisa se sente pressionada em seu curso. Isso ficou claro em uma questão de concordância com média de respostas de 1 a 5, em que resultado foi de 3,76.

Atualmente, os estudantes que estão se sentindo cansados, nervosos, tensos e preocupados totalizam uma média de 4,17. Na pós-graduação, mais de 40% consideram excessivas as exigências de produção científica da sua área.

Outro dado da pesquisa que chamou a atenção foi que mais de um terço dos respondentes, 35,3%, assinalaram já terem se sentido discriminados dentro da universidade, principalmente por professores ou por colegas.

Quase metade deles afirmou já ter sofrido algum tipo de violência na UFSC, totalizando 49,8%. Nesses números, 17,1% afirma ter sofrido ações machistas e para 10,2% disseram que foram assediados sexualmente.

Em relação à pandemia da Covid-19, quase todos os participantes, 94,3%, relataram que essa situação impactou de algum modo sua saúde mental. Com destaque para sentimentos de ansiedade, estresse e desânimo, 51,5% afirmaram terem alterado sua situação financeira após o início da pandemia.

A partir desses e de outros resultados revelados pela pesquisa, “é possível ter um panorama geral e atual sobre a saúde mental dos estudantes da graduação e da pós-graduação” descreve nota do NESFHIS.

Promover espaços de humanização e experiência acadêmicas sadias e combater qualquer forma de discriminação ou violência que impeça o desenvolvimento pessoal e profissional do corpo discente da universidade estão entre os objetivos do estudo.

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