Pesquisadores da UFSC divulgam estudo para compreender transtornos do medo e ansiedade

Artigo aborda maneiras de tratamento para estresse pós-traumático e a síndrome do pânico a partir de proteína encontrada no corpo humano

Um estudo publicado por pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) pode ajudar na compreensão dos transtornos psiquiátricos que envolvem, por exemplo, o medo e a ansiedade.

Pesquisadores da UFSC divulgam estudo para compreender transtornos do medo e ansiedade – Foto: Agecom/Divulgação/NDPesquisadores da UFSC divulgam estudo para compreender transtornos do medo e ansiedade – Foto: Agecom/Divulgação/ND

Além disso, o artigo, assinado por 14 cientistas e publicado no periódico Internacional Molecular Psychiatry, do grupo Nature, aborda maneiras de tratamento para estresse pós-traumático e a síndrome do pânico.

A pesquisa ajudou a compreender os transtornos psiquiátricos que envolvem a ansiedade e o medo, ao mostrar a possibilidade de se estudar marcadores bioquímicos em tecido cerebral humano e sua relação com sintomas de ansiedade e humor,

Assim como sugere que a modulação da via da proteína quinase, responsável para o funcionamento normal do cérebro como nas doenças neurológicas e psiquiátricas, pode, no futuro, representar um possível alvo terapêutico para o tratamento de transtornos psiquiátricos, por exemplo, ansiedade, estresse pós-traumáticos e a síndrome do pânico.

Pesquisa

A pesquisa envolveu uma estratégia pioneira desenvolvida pelo grupo para o estudo de proteínas quinases. Porém, por se tratar de um processo sensível, não é viável estudar o funcionamento em amostras de cérebro obtidas de indivíduos que já morreram.

Por conta disso, os pesquisadores estudaram a relação dessas proteínas em amostras de tecido cerebral obtidas durante a cirurgia de epilepsia do lobo temporal.

De acordo com o professor Roger Walz, coordenador da pesquisa, a “grande sacada” do estudo, já que as regiões que precisam ser removidas para o controle estão envolvidas com o processamento de emoções como a ansiedade e o medo. Dessa forma, é possível avançar no entendimento da epilepsia e de outras doenças cerebrais.

Inicialmente, a equipe investigou a associação entre a ansiedade relatada pelos pacientes e a quantidade de quatro diferentes tipos de proteínas quinases detectadas em partes distintas do lobo temporal cerebral, incluindo amígdala, hipocampo e neocórtex removidas cirurgicamente.

Essa triagem revelou uma forte correlação entre os níveis de ansiedade dos pacientes e a quantidade de uma dessas proteínas quinases detectada apenas na amígdala, estrutura do sistema límbico cerebral, sabidamente envolvida no processamento das emoções. O estudo mostrou que quanto maior o nível de ansiedade, menor o conteúdo desse biomarcador.

os pesquisadores conduziram novos experimentos, dessa vez em cobaias, para investigar se também havia uma associação entre esse biomarcador na amígdala e respostas que disfarçam o “comportamento de ansiedade” ou estado de ansiedade em ratos sem epilepsia.

Após mais uma bateria de testes, os resultados indicaram que o biomarcador na amígdala é capaz de prever os sintomas da ansiedade dos pacientes.

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