João Paulo Messer

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Prefeito de SC reafirma expressão ‘viadagem’ ao comentar exoneração de professor

Uma semana após sancionar lei que veta linguagem neutra em escolas municipais e um dia após taxar atitude de professor como "viadagem", prefeito de Criciúma reafirma expressão que gerou polêmica

Questionado sobre o termo ‘viadagem’, usado para classificar um videoclipe exibido em sala de aula por um professor de artes na Escola Municipal Pascoal Meller, em Criciúma, o prefeito Clésio Salvaro ratificou sua fala: “viadagem sim”.

E completou: “Enquanto eu estiver de plantão nesta cidade não vão transformar as escolas de Criciúma num Cine Milanez’ [último cinema de exibição de filmes pornográficos no Estado], disse ele, após exonerar o docente e condenar as imagens consideradas por ele como “erotizadas”.

Prefeito Clésio Salvaro reafirma termo considerado homofóbico para justificar exoneração de professor por exibição de videoclipe em escola municipal de Criciúma. – Foto: Divulgação/NDPrefeito Clésio Salvaro reafirma termo considerado homofóbico para justificar exoneração de professor por exibição de videoclipe em escola municipal de Criciúma. – Foto: Divulgação/ND

“Vídeo impróprio, inadequado, erotizado para as crianças da Escola Pascoal Meller. Inadmissível, não aceitamos. A escola não pode se prestar a este papel. Educação é para o professor ensinar os alunos a ler, escrever, fazer interpretação de texto, fazer operações matemáticas, interpretar texto… Mas vamos além disso, temos aulas de robótica, curso de inglês, aulas de artes, mas não este tipo de arte, erotizada”, completou ele, que ainda negou a atitude como homofóbica.

“Não é homofobia, não sou homofóbico, inclusive, tenho grandes amigos, pessoas muito próximas, que são homossexuais. Agora, não pode, em uma sala de aula, querer plantar isso na cabeça das pessoas”, relatou.

Salvaro também citou a extensão do papel do Estado. “O papel do Estado. neste caso do município, não é o de instruir, dizer que menino pode ser menina e menina pode ser menino, isso não vai acontecer. Essa escolha vai acontecer lá na frente, quando eles quiserem definir a orientação sexual deles”, complementou.

A fala que provocou a reação de figuras do cenário nacional como o cantor Criolo e levou a pichações de locais públicos como a catedral da cidade, foi feita nesta quarta-feira (25). Foi no momento em que o prefeito determinou a demissão do professor.

Sem declarar-se necessariamente adepto às políticas conservadoras que tem promovido outras polêmicas, Clésio Salvaro admitiu que se pudesse acabava com as aulas de Artes na rede de ensino.

“Nas escolas do município seguimos ensinando e formando cidadãos pautados pelos bons costumes”, disse.

Assim como a vereadora de oposição, Giovana Mondardo (PCdoB), que anunciou ter levado denúncia de fala homofóbica à polícia e ao Ministério Público, o prefeito confirmou o registro de boletim de ocorrência contra o professor.

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