Professor visitante da UFSC ajuda a descobrir partícula procurada há 48 anos

A existência da partícula de Odderon foi proposta em 1973 e desde então é procurada por pesquisadores em todo o mundo

O professor visitante da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Roman Pasechnik ajudou a descobrir uma partícula procurada há 48 anos. O docente é visitante do Programa de Pós-graduação em Física da universidade e pesquisador de Física de partículas da Universidade de Lund, da Suécia.

Ele faz parte da pesquisa sueco-húngara que deu fim à ‘caçada mundial’ para encontrar a partícula de Odderon que foi proposta em 1973 por Romeno B. Nicolescu e pelo polonês L. Lukaszuk.

Os cálculos dos dois físicos indicaram que havia uma ‘quase partícula’ que até então era desconhecida e acabou desencadeando sua procura por quase 50 anos.

Roman Pasechnik ajudou a descobrir partícula procurada há quase 50 anos – Foto: Gunnar Ingelman/DivulgaçãoRoman Pasechnik ajudou a descobrir partícula procurada há quase 50 anos – Foto: Gunnar Ingelman/Divulgação

A partícula

O odderon não é uma partícula propriamente dita, como são os prótons, elétrons e nêutrons, por exemplo. As quase-partículas podem ser melhor descritas como fenômenos que ocorrem nesses sistemas microscópicos.

No caso, o odderon é algo que se forma brevemente quando prótons se chocam em colisões de alta energia e, em vez de se estilhaçar, ricocheteiam e se espalham.

“Nós o observamos indiretamente apenas como um estado multi-glúon virtual sem massa bem definida e existindo apenas em uma escala de tempo minúscula”, conta Pasechnik.

A descoberta

A descoberta foi possível graças a um método inovador desenvolvido por Pasechnik e seus três colegas para analisar dados experimentais coletados anteriormente nos aceleradores de partículas do CERN, na Suíça, e do Fermilab, nos Estados Unidos.

“Esse artigo utilizou recursos humanos e financeiros que estavam muito além do alcance de nossa equipe. O manuscrito está atualmente sob revisão anônima por pares em uma prestigiada revista de Física, mas ainda não foi publicado”, completa o professor.

A comprovação da existência do odderon “é um marco importante na compreensão da física de interações fortes em longas distâncias – um dos quebra-cabeças de longa data na física de partículas”, salienta Pasechnik.

“Esperamos que a publicação da descoberta do odderon traga não apenas um nível mais profundo de compreensão de um problema científico duradouro, mas também um pouco de satisfação e felicidade para os contribuintes e organizações que financiam a ciência em todo o mundo”, acrescenta por fim, o docente.

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