Professora do 9º ano incentiva alunos a criarem contos psicológicos sobre a pandemia

Claudia Natividade, professora de língua portuguesa da rede municipal de ensino de Florianópolis, realizou trabalhos audiovisuais com alunos

Alunos do 9º ano de uma escola municipal de Florianópolis escreveram seus próprios contos psicológicos e realizaram uma produção audiovisual. Os trabalhos são de estudantes da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, localizada no Santinho, no Norte da Ilha.

Em função da suspensão das aulas em decorrência da pandemia do coronavírus, o trabalho foi finalizado por meio de vídeos online. A professora de língua portuguesa, Claudia Natividade, abordou suas turmas com o sentimento “ciúme” e o  gênero literário romance.

Alunos da Escola Municipal Maria Tomázia Coelho escreveram contos psicológicos – Foto: Reprodução/NDAlunos da Escola Municipal Maria Tomázia Coelho escreveram contos psicológicos – Foto: Reprodução/ND

A educadora trabalhou com os estudantes contos psicológicos e as consequências da pandemia na visão de uma pessoa idosa. Em um primeiro momento, os alunos leram e interpretaram os contos e, em seguida, abordaram a questão das emoções, entre elas o ciúme, em trechos do livro Dom Casmurro, do escritor Machado de Assis.

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Nas últimas fases da atividade, eles escreveram os próprios contos psicológicos e realizaram uma produção audiovisual.

Três turmas do 9° ano do ensino fundamental participaram da atividade. Entre cerca de 90 estudantes, aproximadamente 90% deles fizeram tanto vídeo quanto texto sobre o tema. A grande maioria da turma escolheu discorrer sobre ciúmes.

“Algumas conversas individualizadas nos fizeram perceber que os estudantes tinham muita necessidade de falar sobre como se sentiam nesse momento.” explica a professora.

As atividades

“Ciúme, um sentimento? Um defeito? Uma qualidade? Saudável? Eu não tenho resposta para essas perguntas, mas apenas sinto. O ciúme que a gente sente tem a ver com o medo, medo de perder quem ama, medo de perder o que a gente acha que é nosso, mas, é possível perder algo que nunca lhe pertenceu?”. Assim se expressou a estudante Luana Nunes Viana.

“Não posso admitir que alguém, além de mim, possa tê-la ao seu lado. Talvez seja egoísmo, possessividade ou apego por uma pessoa que pertence a outro”, narra a aluna Heloísa Cauduro.

No vídeo gravado pelo estudante Vitor Leite de Camargo sobre a pandemia, ele relata a história da vizinha, dona Carmén, de 72 anos, que vivia antes do coronavírus alegre e com muita energia. Confira:

Professora orgulhosa

A atividade, que já havia sido iniciada presencialmente, foi interrompida por conta da quarentena. Os estudantes ficaram impossibilitados de darem continuidade às discussões em sala após a leitura dos contos.

Mesmo assim conseguiram realizar as etapas de maneira online, pelo Instagram e pelo Portal Educacional da Prefeitura Municipal de Florianópolis.

“Com o início das aulas, através do Portal Educacional da PMF, demos continuidade à leitura de trechos do livro Dom Casmurro, mas como muitos estudantes ainda não tinham possibilidade de acessar o material e as discussões presenciais não seriam possíveis, optou-se por disponibilizar um resumo do livro e alguns vídeos a respeito da obra e do seu autor”, diz a professora.

Claudia ainda frisa que ficou muito satisfeita e orgulhosa dos estudantes da turma. “Foi muito além do que eu esperava quando lancei a proposta de falar sobre ciúme”.

Professora Claudia Natividade ficou orgulhosa com as produções – Foto: Divulgação/PMFProfessora Claudia Natividade ficou orgulhosa com as produções – Foto: Divulgação/PMF

“Eles se sentem valorizados. E para mim é muito gratificante poder estimulá-los ainda mais nesse momento tão complexo” comenta a educadora.

Valorização da mulher e representação feminina

O próximo passo da professora Claudia Natividade é colocar em pauta a valorização da mulher, representações femininas na literatura, a questão da falta de empatia com a posição das mulheres na sociedade e a violência no sentido mais amplo.

“Muitos estudantes vivenciam situações de violência dentro de casa, inclusive, e instigá-los a falar sobre isso de alguma forma contribui para a formação de indivíduos capazes de desconstruir discursos e ações machistas e violentas.”

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