Professores de Palhoça adotam Operação Tartaruga para protestar

Eles querem pagamento do piso nacional e manutenção da regência de classe

Janine Turco/ND

Alunos precisam voltar para casa mais cedo, porque professores deixam de lecionar uma hora por turno

A diarista Rúbia Pfleger, 28 anos, não trabalha há duas semanas. Sua rotina foi alterada desde que os professores da rede municipal de ensino de Palhoça começaram a “Operação Tartaruga”.  Eles reivindicam o cumprimento da Lei Federal nº 11.738/2008, que estipula em R$ 1.451 o piso nacional, sem redução no valor da regência de classe, que é de 45%. E de acordo com o sindicato seria reduzido pelo prefeito Ronério Heiderscheidt, para que o piso nacional fosse sancionado. 

Enquanto não recebem uma resposta da prefeitura, os professores decidiram reduzir a carga horária como forma de protesto. A cada turno eles deixam de lecionar uma hora e meia. Alunos que deveriam sair ao meio-dia vão para casa às 10h30. À tarde, a situação se repete com final das aulas às 16h. De acordo com o presidente do Sitrampa (Sindicato dos Servidores Municipais de Palhoça), Ary Paulo Donatello uma reunião estaria agendada com a secretária de Gestão Fernanda Haeming na próxima segunda-feira. 

Sofrem os pais como a diarista Rúbia, que de segunda a
quinta-feira deixa os filhos Maria Eduarda, 9, e Matheus, 6, no Caic (Centro de Atenção Integral à Criança) às 7h30. A hora de pegar os filhos, que em período normal seria às 11h30, foi alterada para as 10h. A mudança faz com que a mãe passe grande parte do dia na rua, levando e buscando os estudantes.

“Não há quem possa fazer isto por mim”, lamentou. Rúbia tem ainda uma filha de três anos na creche do Caic, que normalmente pegava às 18h30. “Tenho de buscar a Isabela às 16h. Estou cansada dessa correria. Prefiro greve”, desabafa a mãe, que também leva o sobrinho Alexandre, 7, para a escola.

Ação atrapalha todo o mundo

A professora Luciana Vieira, 42, trabalha na Escola Najla Carone Guedert. Ainda que tenha aderido à “Operação Tartaruga”, ela lembra que a responsabilidade de educadora fala mais alto na hora de ficar com três de suas alunas, as quais os pais não podem buscar no meio da manhã. “Sei que esta situação deixa os pais indignados. Mas este é um meio de mobilizá-los a pensar na nossa luta”, observa. Luciana diz que o cronograma escolar está em risco. E que o tempo reduzido de aula tem prejudicado o rendimento dos alunos. “Está ruim para as crianças, para os pais e para nós”, enfatiza, sem esconder a esperança de que a situação se normalize após a reunião da próxima segunda-feira.

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