Professores decidem por greve e secretário de Educação diz que faltou bom senso

Daniel Queiroz/ND

Após decidirem pela greve, os professores saíram em passeata rumo à Secretaria de Educação

Alunos da rede pública de ensino vão conviver com uma nova greve dos professores catarinenses a partir desta segunda-feira. Em assembleia estadual, realizada nesta terça-feora no CentroSul, na Capital, a categoria rejeitou, por unanimidade, a proposta do governo.

A opção por paralisar as atividades dividiu opiniões, mas acabou sendo a escolha da maioria. De acordo com o Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), os professores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado apenas na segunda-feira com o objetivo de esclarecer os motivos a pais e alunos, além de organizar e discutir as próximas ações.

Para o secretário de Estado de Educação, Eduardo Deschamps, faltou bom senso da categoria na hora de discutir a proposta apresentada pelo governo na última segunda-feira. “Com categoria parada não há negociação. Se eles nos procurarem até sexta-feira poderemos conversar, mas não vamos procurá-los. Nossa proposta se mantém”, afirmou.

Deschamps salientou que o governo cumpre a lei do piso salarial e que a proposta contempla os professores de uma forma geral, sem achatar a tabela.  De acordo com ele, desde abril de 2011, o salário de alguns profissionais dobrou de valor.

Nos próximos três dias, a Secretaria vai abrir conversas com gestores das escolas estaduais para manter as atividades normalizadas nas escolas no período de greve. Deschamps garantiu que as faltas dos professores que aderirem à paralisação serão lançadas no sistema e descontadas posteriormente, caso não haja reposição. “A reposição não é a melhor maneira. Verificamos o que aconteceu no ano passado. A greve de 64 dias atingiu 380 mil alunos matriculados, o equivalente a 60% dos estudantes do Estado”, comentou.

Tabela rejeitada

A proposta do governo previa uma nova tabela salarial para a categoria com seis níveis – que indicam a formação do profissional – e dez referências – que viabilizam a progressão salarial diante dos anos de trabalho. Os reajustes salariais para cada profissional, de acordo com nível e referência, poderiam variar. Dessa forma, por exemplo, um professor, em nível superior, que recebia em abril de 2011 R$ 993,16, passaria a receber R$ 1.886,13. O governo quer aplicar os novos reajustes em cinco partes: em agosto de 2012, janeiro, maio setembro e dezembro de 2013.

Os professores não aceitaram a nova tabela, que, segundo eles, propõe mudanças pequenas nos salários, que não chegam aos 22,22% reivindicados no começo das negociações. Segundo Alvete Bedin, presidente do sindicato, a categoria não vai aceitar o parcelamento do pagamento do reajuste salarial. “Queremos que o governo agora apresente nova proposta”, complementou.

Depois da assembleia estadual os professores seguiram em passeata até a Secretaria de Estado de Educação, onde se juntaram aos integrantes da 3ª Marcha dos Catarinenses, organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). Os trabalhadores reivindicavam trabalho com melhores condições, saúde, educação, segurança, reforma agrária e o fim da terceirização.

Pais se mobilizam

Os pais já se preparam para mais uma greve na educação. A vice-presidente da APP (Associação de Pais e Professores) da Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, no Saco dos Limões, Simone Cristina Alves, disse que os pais de alunos devem conversar até o início da semana que vem para buscar soluções para a possibilidade de paralisação prolongada.

“Vamos ver o que será decidido pelos professores, mas é possível que os pais façam uma manifestação. No ano passado foi horrível, as crianças tiveram que repor aulas nas férias. Se os pais pudessem decidir, não teria greve”, afirmou ela, que já está preocupada com a vida das duas filhas, de 10 e 13 anos. Simone acredita que a adesão não será completa na escola, mas teme, principalmente, pelos estudos da menina que está na sétima série, que foi a que mais perdeu com a greve de 2011.

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