Professores entram em greve e alunos denunciam faculdade em Joinville

Professores da Faculdade Cenecista de Joinville estão em greve em razão do atraso de parte dos salários; do outro lado, estudantes estão sem aula e sem respostas da direção

Alunos do curso de Direito da Faculdade Cenecista de Joinville (FCJ) estão preocupados com situação da instituição. Estão sem aula desde a última quarta-feira (6) – professores entraram em greve – e sem respostas da direção.

Desde o ano passado, já havia rumores de que a situação da faculdade não ia bem. “A gente vinha observando que muitos professores bons estavam sendo demitidos e alguns estavam saindo por iniciativa própria”, relata Diego Machado Postai, aluno do 7º período de direito da FCJ.

No início deste ano, mais uma notícia negativa para os alunos: a saída do Coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas e professor de várias disciplinas de processo civil.

Por conta disso, os alunos tiveram uma reunião com a direção da escola, que informou que estaria tocando um projeto de recuperação para manter a unidade.

Faculdade Cenecista de Joinville fica na Avenida Getúlio Vargas – Foto: Internet/DivulgaçãoFaculdade Cenecista de Joinville fica na Avenida Getúlio Vargas – Foto: Internet/Divulgação

No entanto, muitos estudantes reclamam que a faculdade tem decaído ao longo do tempo, até na parte da infraestrutura.

Em razão da pandemia, os alunos de direito estavam tendo aulas online. No entanto, no dia 5/5 receberam um e-mail da coordenadora do curso, Flávia Brazzale, informando que ela estaria se desligando da coordenação.

“Até hoje, não sabemos quem será o novo coordenador”, continua Diego Postai.

Um dia depois, os alunos ficaram sabendo que os professores do curso de Direito entraram em greve. Um ofício foi dirigido aos acadêmicos no dia 6.

Ofício, na íntegra

  • “Considerando questões de ordem trabalhista, os professores do Curso de Direito da Faculdade CNEC Joinville, atentos à relação de boa-fé e confiança que sempre estabeleceram com o corpo discente, por intermédio deste email, vêm informar que a partir da 0h do dia 06/05/2020, conforme comunicado à Mantenedora em 30/04/2020, exercerão o direito constitucional de GREVE, na forma do art. 9º da Constituição da República, com a paralisação total das atividades acadêmicas até que ocorra a completa e geral regularização dos direitos trabalhistas violados. Maiores esclarecimentos podem ser solicitados ao Diretor da Unidade Joinville.”

Desde o início da greve, os alunos não estão mais conseguindo manter contato com a faculdade. Diego tentou contato diversas vezes. Foi atendido pelo vigia, que informou que todos estão trabalhando em home office. O aluno, então, tentou contato por e-mail com a direção da escola e ainda não obteve retorno.

Mandou e-mail para Secretaria Acadêmica, que respondeu que não tem nenhuma informação e que não está ciente da greve dos professores.

“Estamos sem coordenador de curso, sem professores, sem retorno da direção da faculdade e sem saber o que fazer. Semestre perdido”, reclama o estudante.

A turma de Diego está tentando, agora, um processo de transferência para outras instituições. Ele representa uma comissão que está organizando essa mudança.

“Estamos muito preocupados, pois vimos que muitas escolas da rede CNEC (mantenedora da FCJ e do Colégio Elias Moreira) estão fechando no Brasil”, complementa.

A busca pelo diploma

Outra aluna da Faculdade, Bruna Lais Oliveira, terminou a graduação em Direito e a formatura estava prevista para 25 de abril, mas, por conta da pandemia, foi suspensa e adiada para 9 de outubro deste ano.

Como a data ficou muito distante e ela precisava do diploma para poder trabalhar, pois já passou na prova da OAB, entrou em contato com a direção do curso para solicitar que a colação fosse dada em gabinete. Sem resposta da direção, Bruna tentou colação de grau de forma online e chegou a providenciar o requerimento representando a turma.

“Estou desde o final de março esperando e até agora ninguém me deu uma solução. Vários alunos da minha sala já passaram na prova da OAB e estão sem o diploma. A Faculdade simplesmente não está resolvendo isso. Estamos reclamando também na Ouvidoria, mas até agora nenhum retorno”, disse.

Para Bruna, a situação ficou pior com a saída da coordenadora do curso, na semana passada, pois Flávia Brazzale dava retorno aos alunos e tentava resolver. Já a direção não dá, diz que depende de Brasília.

Bruna chegou a impetrar um mandado de segurança contra a FCJ exigindo a colação e a emissão do diploma. A liminar foi concedida e determina que a Faculdade responda aos requerimentos administrativos formulados e dê um parecer definitivo em dez dias.

“Está difícil porque não consigo exercer a profissão que tanto sonhei. E não é de hoje que a instituição de ensino sofre com esses problemas financeiros em relação aos funcionários. E com a pandemia isso só se agravou”, finaliza.

Sindicato diz que salários estão atrasados

Segundo Lourivaldo Rohling Schüter, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Particular e Fundações Educacionais do Norte do Estado de SC (Sinpronorte), os professores não só de Direito, mas de todos os cursos da FCJ, além do administrativo, estão com salários atrasados. Apenas parte dos salários de março e abril teria sido paga, segundo ele.

Ele explica, ainda, que foi dado um prazo de 48 horas para escola se manifestar e que a partir desta terça-feira (12) todos os professores da instituição entraram em greve.

Outro grave problema, segundo o Sinpronorte, é que a instituição fez uma proposta de redução de salários que chega a 50%.

“Estamos convocando uma reunião para discutir essa redução salarial, mas antes a instituição precisa regular os salários de março e abril.”

No meio da tarde desta terça-feira, o Sinpronorte também se posicionou por meio de nota a respeito da proposta de redução de valores da hora/aula dos professores.

Nota na íntegra

  • O SINPRONORTE posiciona a comunidade joinvilense de que, no dia 07 de Maio de 2020, recebeu da CNEC Brasília, proposta visando redução agressiva de valores da hora/aula dos professores, encaminhada em seguida ao corpo docente da Faculdade CNEC de Joinville – FCJ. Os professores manifestaram disposição para negociação, desde que previamente sejam regularizados os pagamentos dos salários em aberto de acordo com os contratos de trabalho em vigor, comunicando essa decisão à CNEC na data de 12/05/2020. O corpo docente reitera seu compromisso com a função de ensinar e sua dedicação aos alunos, registrando o orgulho de ter contribuído até aqui para a trajetória vitoriosa dos cursos de graduação CNEC/FCJ.

A reportagem tentou entrar em contato com a Faculdade para ouvir sua versão, mas o vigia informou que ninguém estava no prédio e repassou dois e-mails. nd+, então, encaminhou o pedido pelos emails, mas até o fechamento desta reportagem (17h15) não havia recebido retorno.

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