Professores investigados pela PF querem criar novo departamento na UFSC

Pedido assinado por 21 docentes, dos quais seis estão indiciados na Ouvidos Moucos, rachou curso de administração e motivou publicação de manifesto

Atualizada às 16h de 26/11/2018: apesar de não ter sido informado de forma explícita anteriormente, a reportagem do ND tentou contato com todos os citados na reportagem, mas até o momento não obteve respostas aos questioanmentos. 

O Departamento de Ciências da Administração ligado ao CSE (Centro Socioeconômico) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), de onde originou a Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que investiga o desvio de recursos da universidade destinados a bolsas de estudo na modalidade EaD (Ensino a Distância), é palco de nova polêmica. Um projeto assinado por 21 professores foi apresentado ao diretor e presidente do conselho do CSE, professor Irineu Manoel de Souza, em 28 de setembro, sugerindo a criação de mais um setor dentro do centro denominado DGA (Departamento de Gestão Aplicada).

CSE recebeu projeto para criação do Departamento de Gestão Aplicada - Flávio Tin/ND
CSE recebeu projeto para criação do Departamento de Gestão Aplicada – Flávio Tin/ND

Entre os docentes que assinam o documento, seis são indiciados na Ouvidos Moucos, cujo inquérito está sob análise do MPF (Ministério Público Federal). Os envolvidos no âmbito da operação da PF estão impedidos de receberem recursos desta modalidade de ensino no departamento que estão atualmente. 

O projeto sugere que os 21 professores migrem para o novo departamento sob a justificativa de que há necessidade de oferecer um curso mais “inovador” e “alinhado ao mercado de trabalho”. “É fato que a intenção do DGA focado na formação do gestor relativamente às competências na gestão de novos negócios já é uma realidade entre os decentes que subscrevem o documento. Trata-se, portanto, do novel departamento acompanhar a vanguarda de seus docentes, que não se encaixam na matriz tradicional da Administração”, diz trecho do projeto ao qual o ND teve acesso.

A proposta evidencia que os professores permanecerão em suas funções até que as novas turmas do DGA sejam formadas, mas não especifica de que forma as vagas deixadas em aberto por eles serão respostas no curso de administração. O projeto também não trata de questões orçamentárias e não deixa claro se esses docentes terão acesso a outras fontes de recursos públicos para financiamento do curso. “No presente momento não haverá mudanças na ocupação dos espaços utilizados pelos docentes do DGA, bem como de suas atuações em laboratórios e grupos de pesquisa. De forma gradual, o DGA buscará alternativas para a ocupação de espaços disponíveis dentro do Centro Socioeconômico”, diz o documento.

Quem assina o pedido de criação do DGA

Os professores que assinam o pedido de criação do DGA são: Allan Augusto Platt, Alessandra de Linhares Jacobsen, Alexandre Marino Costa, Alexandre Moraes Ramos, Andressa Sasaki Vasques Pacheco, André Luis da Silva Leite, Bernardo Meyer, Claudelino Martins Dias Junior, Eduardo Lobo, Gabriela Gonçalves Silveira Fiates, Gerson Rizzatti, Joana Stelzer, Márcia Barros De Saltes, Marcos Baptista Lopez Dalmau, Marcus Vinicius Andrade de Lama, Marilda Todescat, Mario de Souza Almeida, Maurício Fernandes Pereira, Mauricio Roque Serva de Oliveira, Raphael Schlickmann e Sérgio Luiz Boeira.

Os seis docentes investigados na Operação Ouvidos Moucos são: Alexandre Marino Costa, Eduardo Lobo, Gabriela Gonçalves Silveira Fiates, Marcos Baptista Lopez Dalmau, Marilda Todescat e Maurício Fernandes Pereira. O sétimo professor indiciado por calúnia no caso da protesto que ocorreu na UFSC foi Mário de Souza Almeida.

Professores lançam suspeita sobre novo departamento e divulgam manifesto

No dia 9 de outubro, um grupo de 13 professores do CAD (Departamento de Ciências da Administração) divulgou um manifesto apontando diversas fragilidades no processo de criação do DGA (Departamento de Gestão Aplicada). Os professores lançam dúvidas sobre a necessidade da criação do novo departamento, uma vez que o próprio CAD já ofereceria praticamente as mesmas teorias que o DGA se propõe a oferecer. “Por que utilizar recursos públicos e servidores para criar algo tão semelhante?”, questionam os professores no documento.

Mas as dúvidas sobre a criação do novo departamento não param por aí. O manifesto aponta para suspeitas de conflitos de interesses entre docentes, sobre a falta de transparência no processo e até mesmo sobre o critério para a seleção de 21 professores para o novo projeto. Eles ainda questionam que tanto o coordenador do curso de administração, professor Raphael Schlickmann, como o subcoordenador, professor Maurício Serva, têm conhecimento que o curso que eles gerenciam precisa de atualização curricular e que essas mesmas atualizações estão contempladas no curso que consta na proposta do novo departamento, sendo que diversos pedidos teriam sido formalizados pelos professores do CAD para o curso de administração.

Outra dúvida é sobre qual diploma será entregue aos formados no novo curso de gestão aplicada, já que poderia gerar conflitos com os formados nos cursos técnicos ou até mesmo com os bacharéis em administração. Por fim, o grupo ainda questiona que alguns dos docentes que assinam a criação do DGA também possuem assentos nos conselhos deliberativos, e que por isso poderiam estar tomando decisões em benefício próprio.

Contrapontos

A Reitoria da UFSC informou que a criação do novo departamento é tratada na esfera do próprio Centro Socioeconômico e que conforme o regimento interno da instituição a criação de departamentos é apreciada no conselho da unidade.

O professor Irineu Manoel de Souza, diretor do CSE, disse que houve parecer da Procuradoria Federal junto à UFSC sobre processo interno envolvendo a criação do DGA, mas que o documento voltou ao departamento. Ele pretende se manifestar nesta terça-feira (16), após ter acesso ao processo.

O professor Raphael Schlickmann respondeu que não integra mais o rol de professores que fazem parte da criação do novo departamento, conforme solicitação formalizada em 3 de outubro, na direção do CSE.

A reportagem tentou contato com todos os citados na matéria, mas até o momento não recebeu retorno sobre os questionamentos. 

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