Professores temem volta às aulas sem vacina e com carga maior de trabalho em Joinville

Embora haja medidas de prevenção, profissionais estão apreensivos quanto ao retorno às salas de aula; início ocorre em fevereiro nas redes estadual e municipal

A volta às aulas já tem data definida em Joinville: na rede municipal, os alunos começam o ano letivo na próxima segunda-feira (8), enquanto na rede estadual, o retorno ocorre no dia 18 de fevereiro.

E embora o clima seja de retorno à normalidade, os professores têm estado apreensivos tanto pela volta ainda sem estarem vacinados quanto pelo aumento na carga de trabalho.

Volta à sala de aula sem vacina

Apesar de a vacinação contra a Covid-19 já ter iniciado em Joinville, os professores estão apenas no quarto grupo prioritário. Isso significa que, antes deles, ainda devem ser vacinados os profissionais de saúde, os idosos, a população indígena e quilombola e as pessoas com comorbidades. Com isso, ainda não há previsão de quando os profissionais da educação receberão a vacina.

Professores fazem parte do quarto grupo prioritário e ainda não há previsão de quando serão vacinados – Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles/Arquivo/NDProfessores fazem parte do quarto grupo prioritário e ainda não há previsão de quando serão vacinados – Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles/Arquivo/ND

Embora medidas como o uso de máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social estejam previstas para um retorno seguro às aulas, os professores ainda temem a contaminação. “Não me sinto seguro para fazer o retorno porque não temos vacina ainda. Por mais que haja as medidas de prevenção e a escala de 50% de alunos em sala e 50% em casa, ainda não há vacina”, ressalta Bruno Eliton da Silva, professor de Educação Física da rede estadual.

Carolina, que também é profissional da rede estadual, concorda. “É muito incerto o rumo disso sem estarmos no topo das prioridades na lista de vacinação. Ficamos apreensivos por tudo o que pode acontecer”, fala. Ela convive com a avó e também teme por ela, já que, mesmo com os cuidados, pode acabar transmitindo o vírus para a familiar do grupo de risco.

Para Diego Giesel, professor da rede municipal, o fator mais preocupante em relação ao retorno é o grande número de alunos em sala, já que a ocupação será de 50%, índice maior que no ano passado, quando as aulas presenciais se limitavam a 30% da capacidade da sala. “Serão cerca de 15 alunos por turma, nem sei se vai dar os dois metros de distanciamento. A minha esperança é que menos alunos venham para as aulas”, afirma. 

Aulas devem funcionar em ensino híbrido na rede municipal e em algumas escolas estaduais – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom/NDAulas devem funcionar em ensino híbrido na rede municipal e em algumas escolas estaduais – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom/ND

Aumento da carga de trabalho

Além do retorno à sala de aula sem vacina, outro fator que causa apreensão entre os profissionais é o aumento da carga de trabalho. Como o ensino vai funcionar em modelo híbrido, metade em sala de aula e metade em casa, eles temem ter que trabalhar ainda mais. 

“Acredito que a gente vai ter mais trabalho porque vamos atender alunos na escola e em casa. No ano passado, só o trabalho em casa já gerava mais trabalho, porque havia a pesquisa, a criação, a postagem do conteúdo e o atendimento do aluno na aula virtual”, comenta Bruno.

“É um temor muito presente. A sobrecarga já era uma realidade quando a gente pensa no ensino remoto, que foi emergencial, bastante difícil de se adaptar e todo mundo teve um certo grau de dificuldade. Continuar nessa forma de ensino e fazer a carga dentro da escola vai ser quase impossível dentro da disponibilidade de tempo das pessoas”, afirma Carolina.

Volta às aulas presenciais divide opiniões

O retorno às aulas presenciais divide opiniões entre os entrevistados. Para alguns, não dá mais para esperar, enquanto para outros, o momento ainda não é o ideal. 

Bruno acredita que o retorno pode fortalecer o ensino e a relação entre professores e alunos. “Sou professor de Educação Física e trabalhar a disciplina de forma teórica é extremamente difícil. As aulas são um momento de fuga da sala para os alunos, com brincadeiras, competições e a parte lúdica. É complicado tornar isso teórico”, fala. 

Além disso, no período de aulas remotas, muitos alunos têm dificuldades no acesso à internet. “Quando eu faço algo prático, preciso cobrar a atividade do aluno em vídeo e nem todos têm acesso. Então, sempre tenho que fazer uma adaptação, o que gera um retrabalho”, afirma Bruno.

Volta às aulas divide opiniões entre professores em Joinville – Foto: Luana Amorim/NDVolta às aulas divide opiniões entre professores em Joinville – Foto: Luana Amorim/ND

Ele também reforça que o retorno às aulas deve fortalecer o vínculo entre aluno e professor. “Isso estava em falta no ano passado. Por mais que a gente estivesse online pelo menos uma vez por semana com o aluno, perde-se essa relação e fica difícil manter o interesse do aluno pelo conteúdo. Acredito que é um momento interessante para voltarmos porque o contato com o estudante é importante, apesar das dificuldades e do medo que temos ainda”, completa.

Diego, no entanto, acredita que o retorno poderia, pelo menos, aguardar a vacina. “Não é o momento ideal, mas isso tem a ver com a forma como lidamos com a pandemia, normalizando mil mortes por dia. Acho que não é o momento ideal, poderia esperar mais, pelo menos até os professores serem vacinados”, avalia.

Redes estadual e municipal falam sobre retorno às aulas

O ND+ procurou as redes municipal e estadual de ensino para falar sobre as questões que geram apreensão entre os professores de Joinville. Segundo as secretarias de Educação, medidas como uso obrigatório de máscara, distanciamento social, higienização das mãos e aferição de temperatura serão aplicadas para prevenir a contaminação.

Já em relação ao aumento da carga de trabalho, a secretaria municipal afirma que os professores que estiverem em sala de aula vão se dedicar exclusivamente aos alunos em sala de aula. Já as atividades online serão respondidas por professores que estão em distanciamento social por serem de grupos de risco.

A secretaria estadual, por sua vez, diz que haverá contratação de professores ACTs para a modalidade de aulas 100% remotas, um dos três modelos implementados pela rede no ano letivo.

Os estudantes em grupo de risco ou das famílias que optarem pelas aulas remotas terão atendimento 100% remoto pelo Núcleo de Atendimento Remoto. Para tanto, serão mantidas escolas polo na região, incluindo alunos de várias unidades de ensino no modelo remoto. Dessa forma, os professores titulares podem seguir com as turmas no modelo presencial.

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