Sinal de alerta: relatório aponta alto índice de abandono escolar em escolas municipais de SC

Pesquisa reuniu indicadores como aprendizado dos alunos, modalidade de ensino e evasão escolar. Todos os 292 municípios catarinenses participaram do estudo

A Undime/SC (União dos Dirigentes Municipais de Educação de Santa Catarina) divulgou um diagnóstico inédito sobre a educação durante a pandemia. Um ponto de destaque foi a taxa de evasão e abandono escolar foi maior na primeira infância.

Relatório aponta alto índice de abandono escolar em escolas municipais de SC – Foto: Leo Munhoz/NDRelatório aponta alto índice de abandono escolar em escolas municipais de SC – Foto: Leo Munhoz/ND

A pesquisa reuniu indicadores como aprendizado dos alunos, modalidade de ensino e evasão escolar. Todos os 292 municípios catarinenses participaram do estudo elaborado a partir de uma parceria da Undime com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e TCE/SC (Tribunal de Contas de Santa Catarina).

Em relação à evasão ou abandono, chama a atenção o número de crianças que deixaram de frequentar creches e pré-escolas este ano. Somadas foram mais de 9.300. Já no Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, foram mais de 2.500 e, no Ensino Médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos), mais de 1800 estudantes.

Segundo o promotor de Justiça João Luiz de Carvalho Botega, “essa pesquisa acendeu um sinal de alerta com relação às crianças da primeira infância, aquelas crianças de 0 a 3 anos e 0 a 6 anos. Quando você faz a busca ativa de um adolescente ou de uma criança que já tá na etapa obrigatória, aquela família que não matriculou, você faz a comunicação para o Conselho Tutelar. Você tem meios coercitivos de determinar esse retorno. Pra creche, não. Na creche, a família não é obrigada a matricular, mas a gente considera muito importante. Alguns consideram a mais importante etapa da educação de uma criança”.

Por outro lado, a pesquisa revela que 82% dos Municípios criaram programas de recuperação de aprendizado em razão da pandemia e 86% realizaram avaliações com os estudantes para identificar suas dificuldades.

“Estamos felizes com o resultado e agora, cada Município, irá poder fazer o seu planejamento de 2022”, disse a presidente da Undime, Patrícia Lueders.

Para o TCE, mesmo com os indicadores positivos, alguns Municípios têm cenários preocupantes na educação.

O conselheiro substituto do TCE Gerson Sicca contou que “17 Municípios de Santa Catarina não adotaram nenhuma medida de busca ativa, ou seja, trazer de volta aquelas crianças, aqueles alunos, que não retornaram à escola ou que sequer se matricularam. Temos que retomar a normalidade, mas também ter um reforço, mais carga horária, educação em tempo integral, verificação dos processos de alfabetização, para verificar se precisa um reforço nessa área, que os orçamentos públicos garantam recurso para esse reforço. Precisamos recuperar o tempo perdido”.

O levantamento também mostra que em 40 Municípios as escolas ainda não retornaram ao ensino 100% presencial. “A gente quer muito avançar para que a gente consiga garantir no ano que vem 100% dos alunos todos os dias na escola no modelo 100% presencial”, disse o promotor Botega.

Confira mais informações na reportagem do ND Notícias.

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