Reitor da UFSC se posiciona após troca de e-mails entre docentes com frases racistas

Ubaldo Cesar Baltazar se reuniu com 137 pessoas que apresentaram propostas de enfrentamento ao racismo na universidade

O reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Ubaldo Cesar Baltazar, se reuniu com 137 pessoas em um encontro virtual para falar sobre a troca de e-mails entre um grupo de professores do CTC (Centro Tecnológico) que revela conversas de cunho racista.

A reunião expôs que o racismo não é algo isolado na instituição, mas sim, um fato que tem sido vivenciado e denunciado por estudantes negros(as) e indígenas.

Grupo destacou que o racismo não é algo isolado, mas sim uma pratica vivenciada cotidianamente por estudantes – Foto: Reprodução UFSC/NDGrupo destacou que o racismo não é algo isolado, mas sim uma pratica vivenciada cotidianamente por estudantes – Foto: Reprodução UFSC/ND

Um dos principais apontamentos feitos no encontro é o fato de a UFSC integrar a cátedra da UNESCO de Erradicação do Racismo no Ensino Superior, com sede em Buenos Aires, e estar, assim, comprometida publicamente com o enfrentamento a este problema estrutural.

O grupo composto por servidores docentes, técnicos-administrativos em Educação, integrantes do Conselho Universitário, entidades sindicais, coletivos estudantis e membros da sociedade civil apresentou as seguintes propostas:

  • Assegurar representação negras e indígenas nos órgãos colegiados/deliberativos;
  • Realizar processos de educação antirracista;
  • Colocar em vigor o Comitê de Combate às Violências na UFSC, que foi construído pela Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (Saad);
  • Criar um protocolo contra as violências;
  • Fazer com o que o autor da discriminação seja obrigado a frequentar cursos e palestras sobre o tema, com carga horária superior a 100 horas;
  • Garantir estrutura física e profissional com constante qualificação e autonomia, bem como número suficiente de trabalhadores para fortalecer o trabalho da Saad.

Ubaldo se posicionou sobre as práticas racistas, consideradas crime inafiançável e imprescritível previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, e solicitou o encaminhamento das propostas do grupo para o Gabinete da Reitoria.

Ele disse ainda que está atendendo ao trabalho da Corregedoria, bem como dos órgãos colegiados da Universidade, respeitando o papel de cada instância frente a este enfrentamento.

O Conselho Universitário da UFSC aprovou uma moção de posicionamento em repúdio ao racismo no contexto universitário na sessão do dia 8 de dezembro. O texto foi publicado no Boletim Oficial da instituição na sexta-feira, 11 de dezembro. Confira na íntegra:

“Em defesa da educação pública como bem de todas e todos, o Conselho Universitário da UFSC vem a público registrar sua posição de contrariedade e repúdio ao racismo institucional e estrutural ainda presente em nossa universidade. Historicamente o Brasil é marcado pela escravização, genocídio e etnocídio de populações indígenas e negras, bem como por uma ideologia de branqueamento que insiste no mito da democracia racial.

A história brasileira é, na verdade, marcada pela desigualdade racial, em que o privilégio da branquitude insiste em se manter cotidianamente no poder, questionando a necessidade das medidas equânimes de acesso para as populações em diferentes condições históricas no campo educacional. Há mais de dez anos as universidades federais têm visto mudanças no perfil racial estudantil por meio da Lei nº 12.711, conhecida como Lei de Cotas. No entanto, verificamos, ainda e infelizmente, situações que reproduzem as violências simbólicas e o racismo nesta instituição.

Este Conselho repudia toda ação racista dentro da UFSC e exige que toda medida administrativa e legal seja levada a cabo. Discursos racistas e de ódio, disfarçados como meros exercícios de liberdade de expressão, não podem ser tolerados no nosso meio universitário. Além de racismo ser crime, já previsto nas legislações vigentes, tais discursos negam os direitos conquistados e toda a produção teórica e científica sobre o tema. Pelo acesso equânime à universidade em seus diferentes níveis. Por uma UFSC mais justa e antirracista!

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