Universitários cansados: como estudantes conciliam rotina com a prática de exercícios

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Com faculdade, trabalho e os efeitos da pandemia de Covid-19 estudantes demonstram suas rotinas para práticas ou ausência de exercícios físicos

A atividade física é uma prática importante para qualquer faixa etária, desde a infância até a terceira idade. No entanto, nem tudo é como se idealiza, de modo que a rotina e as tarefas do dia a dia acabam por influenciar a possibilidade de uma prática regular de exercícios.

“Minha rotina está sendo bem corrida, focada na faculdade, principalmente durante a semana” – Foto: Arquivo Pessoal/ Lucas Medeiros/ND“Minha rotina está sendo bem corrida, focada na faculdade, principalmente durante a semana” – Foto: Arquivo Pessoal/ Lucas Medeiros/ND

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), são recomendados 300 minutos de atividade física por semana – o que corresponde a 40 minutos de exercício por dia – ou 150 minutos de atividade intensa, se não houver contraindicação médica.

No caso dos universitários, quase sempre é um desafio seguir à risca o tempo recomendado. Trabalho, faculdade e vida social acabam muitas vezes impedindo que alguns consigam arranjar um espaço na agenda para se exercitar.

Mesmo assim, não há regra. Em algumas situações a pessoa trabalha, estuda e consegue fazer uma quantidade regular de exercícios. Já outros apenas fazem faculdade, mas devido a carga dela, não realizam nenhuma outra atividade.

A rotina corrida dos universitários

Maria Eduarda, de 21 anos, por exemplo, está no último período de sua faculdade de gastronomia. Antes, atuava como cozinheira, mas optou por dar prioridade ao seu curso e por esse motivo não está trabalhando atualmente.

Apesar de ir à academia de três a quatro dias, algumas vezes os trabalhos da faculdade acabam pesando em sua rotina, fazendo com que não consiga fazer exercícios de forma regular. “Às vezes tenho que abrir mão de ir à academia para finalizar algum trabalho em casa. Principalmente meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)”.

Maria Eduarda diz tentar ir à academia todos os dias, mas a rotina acaba cansando muito, principalmente quando tem alguma disciplina prática – Foto: Arquivo Pessoal/Maria Eduarda/NDMaria Eduarda diz tentar ir à academia todos os dias, mas a rotina acaba cansando muito, principalmente quando tem alguma disciplina prática – Foto: Arquivo Pessoal/Maria Eduarda/ND

Na maioria das vezes, a faculdade acaba tomando uma considerável parte do tempo dos estudantes, tanto aqueles que estão em seu último período quanto os que iniciaram recentemente a vida universitária. “Eu fico com o tempo todo reservado para as aulas e projetos da faculdade”, comenta Lucas Medeiros, de 20 anos, estudante de jornalismo, que está no segundo semestre.

Antes de passar na faculdade, o estudante costumava jogar bola nas terças-feiras à noite e treinar Muay Thay nas terças e quintas. Agora, só consegue jogar bola esporadicamente aos fins de semana.

Por outro lado, conciliar todos os deveres com exercício físico é algo possível para algumas pessoas. Kamilly Gualberto, de 18 anos, por exemplo, é estudante do curso de nutrição, trabalha como cuidadora de idosos e ainda tem tempo de fazer academia cinco vezes por semana. Para ela, o segredo é entender qual é o horário ideal para o treino e mantê-lo em todos os dias.

Para a estudante, alinhar a alimentação e o exercício físico faz com que consiga ter mais força de vontade para continuar e ter disciplina durante o dia – Foto: Arquivo Pessoal/Kamilly/NDPara a estudante, alinhar a alimentação e o exercício físico faz com que consiga ter mais força de vontade para continuar e ter disciplina durante o dia – Foto: Arquivo Pessoal/Kamilly/ND

“Eu faço academia no período da manhã – umas 7h – e vou direto para o trabalho, lá fico o dia todo e de noite vou para faculdade”, conta a estudante. O período da manhã ainda foi apontado por ela como o melhor horário para se treinar, pois assim não há compromisso de última hora que atrapalhe. “Mesmo nos dias de cansaço, minha prioridade é ir fazer musculação, porque isso é o que me dá energia para um dia inteiro e percebo como melhor a qualidade de vida, sono e humor”.

Sentir prazer na atividade física pode trazer constância

Conciliar a rotina acadêmica, trabalho e exercícios físicos pode não ser uma tarefa fácil, mas ela pode refletir positivamente na vida dos estudantes. É o que explica Jolmerson de Carvalho, educador físico e professor do curso na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Ele ressaltou ao ND+ que o importante é que haja prazer na atividade física, seja ela qual for.

“Não importa se você vai correr, fazer yoga ou outra atividade. Há liberação de endorfina e serotonina na prática de esportes. Quando eles são liberados a mente e corpo começam a apresentar resultados em poucos dias de prática. Há mais concentração durante as aulas, melhor raciocínio, aprendizagem mais rápida e melhor desempenho acadêmico”, explica.

Carvalho citou ainda que ao sentir prazer na atividade desempenhada, o indivíduo consegue realizá-la com frequência, o que, como explicado, auxilia os estudantes na prática.

“O melhor exercício é aquele que sentimos prazer e conseguimos realizá-lo, isso permite que tenhamos condições de continuidade e frequência em sua realização”, exemplificou.

Pandemia da Covid-19 mudou estilos de vida de universitários da UFSC

A pandemia de Covid-19 mudou a vida de muitas pessoas e não seria diferente com estudantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Para explicar as condições de saúde mental e estilos de vida, a Profª Drª Daniela Ribeiro Schneider, foi coordenadora da pesquisa “estilos de vida e saúde mental da população da UFSC em tempos de Covid-19″.

A professora explicou que todas as pessoas se sentiram impactadas com a pandemia, mas ressaltou a importância dos exercícios físicos para promover saúde. Ela explicou ainda que muitas pessoas que não faziam atividades físicas anteriormente, começaram a se exercitar.

“As pessoas recorreram aos recursos das atividades físicas em função de ficarem muito tempo sentadas. Muitos começaram como passatempo, uma forma de lidar com as situações de escape. ”, explicou a professora.

Na pesquisa coordenada por Daniela, os dados apontaram que houve uma percepção de efeito negativo da pandemia sobre as condições de saúde mental em 63% entre todos os participantes. Os que se sentiram mais prejudicados foram os estudantes de pós-graduação (78,4%), seguidos dos da graduação (74,6%). Dentre os efeitos negativos estão o aumento de sentimentos de tristeza, depressão e ansiedade.

Desse modo, seja qual for a atividade, seguindo o exemplo dos entrevistados, o importante é não ficar parado. Os professores Jolmerson e Daniela concordam que as práticas trazem benefícios físicos e mentais aos estudantes, que além do impacto negativo da pandemia de Covid-19, sentem pressões diárias em busca de um diploma.