Exonerado por ‘viadagem’ por prefeito em SC, professor exibiu clipe; assista

Cantor Criolo, autor da música, se posicionou sobre o caso na manhã desta quinta-feira (26)

Um professor temporário da rede municipal de Criciúma foi exonerado, nesta quarta-feira (25), por exibir em aula o clipe da música “Etérea”, do cantor Criolo, indicada ao 20º Grammy Latino, na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.

Prefeito Clésio Salvaro chama clipe de “viadagem” – Foto: Rprodução/InternetPrefeito Clésio Salvaro chama clipe de “viadagem” – Foto: Rprodução/Internet

O prefeito Clésio Salvaro (PSDB) anunciou a decisão em um vídeo de pouco mais de um minuto. “Não permitiremos viadagem em sala de aula”, fala em um dos trechos. Além disso, o político disse que a administração não concordava com o conteúdo “erotizado”.

O vídeo é performático e mostra pessoas LGBTQIA+ dançando. Segundo o próprio músico, em uma entrevista ao site Tenho Mais Discos que Amigos, o clipe fala sobre liberdade.

“Fala sobre uma sociedade que ainda está cheia de preconceito e há décadas, séculos, esse preconceito deixou de estar no campo das ideias. As pessoas estão morrendo. As pessoas estão sendo assassinadas por conta do modo como cada uma quer se expressar no mundo, e isso é inadmissível”, diz Criolo.

O cantor postou por volta das 10h uma resposta ao caso, em que explica a música e lamenta a demissão do professor.

Com 1.163.223 visualizações no YouTube, o clipe foi finalista da Music Video Festival m-v-f- awards 2019, nas categorias Melhor Figurino, Melhor coreografia e Melhor Videoclipe com mensagem social. No total, o clipe foi selecionado para 17 festivais de cinema nacionais e internacionais.

Assista ao clipe:

Medo de retaliações

A presidente do Siserp (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Criciúma e Região), Jucélia Vargas, classifica o caso como “absurdo”, e que a entidade processará o prefeito por homofobia.

“Ele incita a violência, acaba com a vida de um professor, um artista. É um absurdo”, ressalta.

Segundo a presidente, o professor está com medo de retaliações. Ele apagou publicações na internet e não quer se manifestar. O docente terá apoio jurídico do sindicato e ela tentará convencê-lo a “se defender”.

Início da polêmica

No anúncio, Salvaro também diz que os pais de alunos devem denunciar conteúdos que considerem inapropriados.

O secretário de Educação, Miri Dagostin, disse à colunista do ND+, Karina Manarin, que foram os responsáveis de estudantes que entraram em contato com o diretor da escola.

“Pais de alunos entraram em contato com o diretor da escola na noite de ontem reclamando de vídeo inapropriado por parte do professor e tivemos que tomar providências, até porque o conteúdo nada tinha a ver com o Plano Pedagógico”, explicou.

No entanto, a presidente do Siserp afirma que foi a partir de uma publicação de Julia Zanatta, advogada e coordenadora da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), que houve a repercussão.

“Disse que estava doutrinando os alunos, mostrou trechos do vídeo. A partir do video dela, que muita gente compartilha, os homofóbicos que apoiam, o video deu uma repercussão extrema”, reiteira Jucélia Vargas.

Em nota, a prefeitura de Criciúma informou que “o episódio recente, envolvendo conteúdo inapropriado em vídeo apresentado por um dos professores, além de não constar no Plano de Ensino da Rede, estando, portanto, em desacordo com a proposta do Conselho Nacional de Educação, não será tolerado pela Administração Municipal de Criciúma”.

O texto finaliza com “as medidas cabíveis em relação ao assunto foram tomadas, o profissional não faz mais parte do quadro de professores da Rede Municipal de Ensino”.

Conforme o Siserp, haverá uma parada LGBTQIA+ neste sábado (28), às 14h, no parque da prefeitura, para protestar contra a demissão do professor.

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