2018 foi generoso para o cinema nacional: confira cinco filmes que reforçaram o ano

“Pela Janela” marca a estreia da diretora paulista Caroline Leone – Divulgação/ND

Pela Janela

Um dos primeiros filmes brasileiros a despontar nas telonas em 2018, “Pela Janela” marca a estreia da paulista Caroline Leone como diretora.

Após chegar ao renomado Festival de Roterdã, o longa-metragem entrou em cartaz levantando grandes expectativas em torno da protagonista Rosália (Magali Biff), cuja vida muda ao ser demitida da fábrica onde trabalha. Ao lado do irmão José (Cacá Amaral), ela parte rumo a Buenos Aires e, durante a viagem, passa a repensar sua própria existência.

Ao longo dos 87 minutos de filme, o drama de Rosália é revelado em uma narrativa onde a distância entre passado e presente é percebida no semblante da sexagenária vivida por Biff, que a interpreta com maestria. Não é preciso ouvir suas palavras para que o espectador sinta-se envolvido. Tamanha sensibilidade é captada pela câmera, tornando este um road movie único a ser contemplado.

 

“Paraíso Perdido” gira em torno da história de um patriarca de uma família repleta de desavenças, José, vivido por Erasmo Carlos – Divulgação/ND


Paraíso Perdido

2018 também foi a vez de “Paraíso Perdido” mexer com o público. O longa traz a história de José (Erasmo Carlos), patriarca de uma família repleta de desavenças. Ele é dono da antiga boate que dá nome ao filme, lugar cujas singularidades despertam o interesse do policial Odair (Lee Taylor).

Ter os ícones Seu Jorge e Erasmo Carlos no elenco é um dos méritos de “Paraíso Perdido”. Com direção de Monique Gardenberg (“Ó Paí, Ó”), o filme explora o cenário noturno em cenas acompanhadas de uma trilha sonora marcadamente saudosista. Impossível não mencionar o brilhante desempenho de Jaloo em sua estreia nas telonas, interpretando a drag queen Imã.

 

As Boas Maneiras tem Marjorie Estiano e Isabél Zuaa nos papéis-chave - Divulgação/ND
“As Boas Maneiras” tem Marjorie Estiano e Isabél Zuaa nos papéis-chave – Divulgação/ND

As Boas Maneiras

      Coprodução entre Brasil e França, o filme conta a história da enfermeira Clara (Isabél Zuaa), que sai da periferia de São Paulo à procura de emprego na casa da grávida Ana (Marjorie Estiano) e é contratada como babá. Com o passar do tempo, elas tornam-se mais próximas, até que um segredo envolvendo o bebê vem à tona. A direção é de Marco Dutra e Juliana Rojas.

À primeira vista, “As Boas Maneiras” sobressai por retratar a desigualdade de classe, ensaiando papel de denúncia. No segundo momento, a presença do surreal contrasta com o espaço urbano e, simultaneamente, dá um tom nacional a elementos típicos de filmes de terror. Destaque para a maturidade do ator mirim Miguel Lobo na pele de Joel.

 

As nuances afro-brasileiras presentes na Bahia são o pano de fundo para
As nuances afro-brasileiras presentes na Bahia são o pano de fundo para “Café com Canela” – Divulgação/ND

Café com Canela

     A dupla de diretores Ary Rosa e Glenda Nicácio mostra-se promissora nesta produção baiana. As nuances afro-brasileiras presentes no Estado são o pano de fundo para a trama de Margarida (Valdinéia Soriano), abalada pela morte do filho, e sua ex-aluna Violeta (Aline Brunne), que ressurge para transformar a vida da professora.

“Café com Canela” foge do convencional sem ser inoportuno. As cenas compartilham o mesmo rigor estético, colaborando para a criação da atmosfera onde os personagens se inserem. Em meio aos altos e baixos do roteiro, fica evidente que o reencontro de Margarida e Violeta é, na verdade, o reencontro da primeira consigo mesma.

Verbo amar ganha novos em “Todas as Canções de Amor” - Divulgação/ND
Verbo amar ganha novos em “Todas as Canções de Amor” – Divulgação/ND

Todas as Canções de Amor

Qual a melodia da vida a dois? A diretora Joana Marini tenta encontrar uma resposta em “Todas as Canções de Amor”. No filme lançado em novembro, Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa dão vida ao casal Chico e Ana. Eles se mudam para um apartamento em São Paulo e encontram uma fita contendo a crise conjugal dos antigos moradores, Clarisse (Luiza Mariani) e Daniel (Julio Andrade). Ao assisti-la, Ana vivencia reflexões sobre o futuro ao lado do marido.

O filme prova que é possível apresentar duas perspectivas de casamento sem deixar de aprofundá-las. A interação entre ambas, conscientemente ou não, permite que os sentimentos transitem pelas intenções de cada personagem. Além disso, o uso da música como ponte entre os casais é um grande acerto, embalando os pensamentos de Ana à medida que o verbo amar ganha novos sentidos.

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