A brasilidade e popularidade da chita

Rosane Lima/ND

A chita custa pouco, entre R$ 5 e R$ 7 o metro e tem o poder de alegrar

Miudinhas, grandalhonas, vibrantes – quase gritantes, românticas, atrevidas.  Quem nunca se encantou com as estampas da chita? Tecido bem brasileiro, desde os tempos de nossos avós ele parece cumprir o papel de alegrar. “São as flores e as cores vivas que o deixam um tecido tão charmoso”, opina a restauradora Claudia Minatto, 47. Essa impressão e apreço levou ela e seu irmão, proprietário da rede de móveis Minatto, a forrar toda a parte externa de uma loja no bairro Rio Tavares, Florianópolis. Quem passa pela rua não deixa de olhar o colorido das flores gigantes. “As pessoas entram na loja e pedem: Quero igual!”, conta Claudia. 

A chita parece ter mil e uma utilidades, com a vantagem de ser barata: o preço médio do metro quadrado varia entre R$ 5 e R$ 7 e pode ser encontrado em qualquer loja de tecidos e armarinhos. Na decoração, a chita alegra e valoriza os ambientes. Pode ser utilizada em pequenos detalhes, como um laço para amarrar a cortina, ou como manta para o sofá. Para quem quer ser mais ousado, é possível revestir até mesmo paredes: é mais barato que os tradicionais papéis decorativos e podem ser trocados periodicamente. 

“Basta usar a criatividade, combinar as estampas e caprichar no acabamento”, explica a restauradora, que forra o interior de guarda-roupas e armários antigos com o tecido
Na moda, roupas e acessórios ganham ares de inocência e brasilidade com toques de chita. Use e abuse de acessórios e detalhes. Quem sabe até bordar uma flor de chita em uma camisetinha branca?

Caminho das Índias

Parece um tecido genuinamente brasileiro, mas a chita veio de longe: lá da Índia, na época em que os europeus desbravaram o mundo com as grandes navegações.  O próprio nome deriva do sâncrito: chintz.
A chita veio para o Brasil trazida pelos portugueses, por volta de 1800, e tem a marca do trabalho, da simplicidade, da festa, do castigo e da malícia. Era pano usado para forrar mesas, depois como cortinas, colchas. Logo passou a vestimenta de pessoas “simples”.

O tecido ganhou força e um toque de brasilidade com estampas da fauna e flora. Impulsionado pelo progresso têxtil do país, a chita é hoje tanto pop quanto chique e definitivamente não sairá de moda tão cedo.

Na decoração
– Paredes e luminárias: forre, revista ou cole um detalhe
– Almofadas
– Estofaria
– Restauração de móveis:  guarda-roupas antigos podem ganhar um novo forro
– No teto, pode se usar fibra natural e chita para dar um efeito especial ou para disfarçar imperfeições
– Cortinas e laços de cortina
– Manta para sofá ou poltrona: use seus dotes e faça um acabamento em crochê;

Na moda
– Mescle a chita com outro tecido neutro
– Recorte as flores da chita e borde, fica lindo!
– Florzinhas, colares, brinquinhos: use a criatividade e invente acessórios

Por Carol Macário/ND

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