A busca por uma perfeição que não existe traz uma ansiedade desnecessária

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Não me lembro ao certo quando foi, mas por volta de 12 a 13 anos de idade declarei a mim mesma que faria tudo o que pudesse para ser perfeita. Fui uma criança muito elogiada pelos meus pais, mas também muito exigida. Tirar nota 10 em tudo não só era comum pra mim, como a única opção que eu conhecia, a ponto de chorar convulsivamente no dia em que tirei um 9.

Além disso, ainda haviam os hormônios da adolescência que surgiam somados a um corpo sempre super magrinho e esbelto, mas que na época não era visto dessa forma pelos amiguinhos de escola, que faziam muito “bullying” e viviam caçoando.

Nessa época, eu gostava de pensar que, se eu fosse perfeita, finalmente obteria a validação e a atenção que sempre desejei. Crescendo, eu era obcecada por livros e filmes de aventura.

Minha cabeça estava constantemente cheia dos contos de heroínas, que tudo podiam. Não havia mais nada que eu queria do que ser uma daquelas garotas que eram admiradas, não apenas pelos garotos, mas pelos que a cercavam.

Pensei em ser cientista da Nasa, agente especial, engenheira… Eu queria ser a mais bonita, a mais inteligente e a mais perfeita. Esse pensamento governou meus pensamentos e, eventualmente, quem eu era.

No entanto, a busca pela perfeição só me deixou ansiosa, constantemente insatisfeita e com toda a honestidade, de uma auto-crítica ferrenha. Também não me deixou alegre ou mais feliz.

Isso me fez focar tanto no próximo passo que não conseguia aproveitar inteiramente o passo em que estava e comemorar o que foi necessário para chegar lá.

Eu sempre pensava que a próxima conquista me faria feliz ou finalmente me permitiria me amar mais, mas era um ciclo que eu nunca iria vencer.

O perfeccionismo exige cada vez mais, sem nenhuma consideração. É uma luta que ninguém vence.

Mas como a vida é sábia, ela me trouxe de presente algumas mudanças abruptas, como de casa, de cidade, de emprego, de relacionamento e até a quase morte. E, como em qualquer mudança, tornou-se por vezes uma bagunça. Essa vida, não importa quanto você a controle, pode virar de cabeça para baixo em um instante.

No entanto, eu não mudaria isso por nada no mundo. Durante esses períodos, tive que reconstruir tudo, inclusive a minha vida cuidadosamente curada, mas foi quando comecei a apreciar o que eu era no momento presente.

Aprendi a humildade e o poder da autenticidade. Era como se um fardo pesado fosse levantado e eu finalmente tivesse a coragem de ser quem eu queria ser sem o medo do que as outras pessoas diriam ou pensariam.

Reiniciar algumas vezes me deu a maravilhosa oportunidade de me apaixonar pela minha vida pelo que ela é no agora. Isso me fez aceitar ‘a história da minha vida recente’ .

Isso pode mudar em um instante e eu tenho o poder de mudar, mas apenas se estiver disposta a deixar a vida ficar confusa por um tempo, enquanto reaprendo o meu caminho através de novas estações.

Os perfeccionistas sempre desejam estar certos – mas aqueles que abandonam suas armadilhas podem ter uma vida da qual se orgulham. Uma que é bonita em meio a toda a sua imperfeição e, atualmente, eu não podia estar mais orgulhosa da minha imperfeita e bela vida.

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